Ago
14
Duas pessoas morreram e 13 foram presas na megaoperação chamada Inverno Quente, da Polícia Civil, realizada nesta terça-feira (14) em São Paulo. Cerca de 800 agentes do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) participaram da ação.
De acordo com a polícia, os mortos são seqüestradores que trocaram tiros com policiais da Divisão Anti-Seqüestro (DAS) do Deic, na cidade de Poá, Grande São Paulo, no momento em que libertaram um homem de 30 anos que era mantido refém desde 23 de julho.
Um outro caso de seqüestro foi solucionado por policiais do Grupo Especial de Resgate (GER) que libertaram um homem de 72 anos, seqüestrado havia uma semana, no Jardim Lajeado, Zona Leste da capital.
Na operação, os policiais desmantelaram quadrilhas de seqüestradores, de pessoas que habilitavam celulares para criminosos e de gente ligada à máfia dos caça-níqueis.
Foram apreendidos 132.248 objetos. Deste total, há cinco mil máquinas caça-níqueis descobertas no município de Vargem Grande, Grande São Paulo. O restante do material são produtos piratas, como CDs, DVDs, roupas e canetas.
“Essa operação é importante para aumentar a sensação de segurança da população. O DEIC não vai parar. Os serviços de inteligência vão trocar informações”, disse o delegado Youssef Aboul Chahin, diretor do Deic. Ele afirmou que novas operações serão realizadas, mas não fixou datas.
Um dos desdobramentos da operação foi a descoberta do corpo da arquiteta Jamile de Castro Nascimento, desaparecida desde 17 de julho. Ela estava na fossa de um prédio e seu paradeiro foi dado pelo principal suspeito do crime, segundo a policia.
Diretinho
A ação dos policiais também desbaratou uma quadrilha que habilitava telefones celulares para criminosos. De acordo com o delegado Armando Bellio, titular da Delegacia de Repressão à Fraude contra Seguros do Deic, um dos chefes do esquema é o comerciante Luiz Sergio Varoto, de 51 anos, apontado pela policia como o “Rei do Diretinho”.
Ele foi preso nesta terça-feira (14) em Ourinhos (370 km da capital) e é suspeito de “administrar” 170 linhas de uma empresa de telefonia e que iam parar nas mãos de bandidos.
Bellio contou que Varoto cobrava R$ 200 mensalmente para que seus clientes usassem o telefone por tempo indeterminado (havia restrição apenas nos casos de ligações para o exterior) e sem conta. “O esquema era sofisticado. Ele (Varoto) dava a garantia que o telefone seria desligado se fosse interceptado pela polícia. Agora vamos investigar os funcionários da empresa telefônica que podem estar envolvidos”.
Algemado na sede do Deic, na Zona Norte da capital, Varoto não quis dar entrevistas. Quando perguntado sobre o motivo de sua prisão, disse apenas: “Acho que é por causa do negócio das linhas”.
Caça-níqueis
A apreensão das cinco mil máquinas caça-níqueis em um depósito em Vargem Grande foi feita por acaso. Policiais da Delegacia de Repressão a Roubo de Cargas do Deic realizavam uma blitz no Rodoanel quando pararam um caminhão. Nele, havia 60 máquinas e o motorista do veículo acabou revelando o local do restante do equipamento.
De acordo com o delegado Youssef Aboul Chahin, as máquinas são fruto de apreensões da Justiça Federal nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Escondidas em caixas de geladeiras, elas eram vendidas para países como Argentina México e Espanha. A polícia suspeita que iam de navio.
Chahin contou que, quando o juiz pedia vistoria nas máquinas, os integrantes da quadrilha manipulavam o chip delas de forma que não mostrasse ser favorável ao dono que as exploravam. A máfia de caça-níqueis é suspeita de programar máquinas para que os jogadores quase nunca ganhem.
Fonte:G1
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