Cidades - Rio de Janeiro Tráfico
Secretário se espanta diante do documento que revela arrecadação para compra de armas.
Polícia investigou se a carta seria de Beira-Mar, mas hipótese não se confirmou.

O documento com uma lista de contribuições em feitas por várias comunidades para sustentar os líderes de uma facção criminosa, entre eles os traficantes Isaías Costa Rodrigues, o Isaías do Borel, Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, presos na penitenciária de Catanduvas, no Paraná, assustou as autoridades e impressionou até mesmo o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Os valores da “caixinha” somam R$ 350.916.

“É um demonstrativo de resultado financeiro, uma espécie de prestação de contas, para prover o tráfico de drogas. Há, ainda, um planejamento para compra de armas e munição e planos de invasão de favelas rivais. Essa carta, provavelmente escrita por gente que atua no tráfico aqui e repassada para Catanduvas, será usada para reiterar nosso pedido ao Ministério Público para que esses criminosos sejam mantidos lá, no presídio de segurança máxima”, disse Beltrame. A polícia chegou a trabalhar com a hipótese de que o documento seria de autoria de Fernandinho Beira-Mar, mas a suspeita não se confirmou.
O documento foi encontrado nesta quarta-feira (10) em uma casa abandonada, na Rua Darcy Vargas, na Favela do Jacarezinho, no Jacaré, subúrbio do Rio, na localidade Pontilhão, onde também foram apreendidos mais de 300 quilos de , divididos em 207 pacotes de aproximadamente 1,5 kg, e dois revólveres calibre 38. A operação foi realizada por 32 homens do 3º BPM (Méier) comandados pelo tenente-coronel Marco Alexandre. Houve troca de tiros, mas ninguém foi .

Conteúdo asqueroso, diz secretário

Na avaliação do secretário Beltrame, a descoberta do documento revela o poder financeiro e bélico da maior facção do tráfico de que atua no , além de demonstrar uma grande articulação entre os grupos de traficantes que ocupam as favelas. “Mexemos no ponto nevrálgico deles. Esse documento é um elemento importante de ”, disse. “É um conteúdo afrontante, asqueroso”, desabafou.

De acordo com as contas do documento, foi arrecadado em agosto R$ 168.960 que, somados ao que restara do mês anterior (R$ 181.956), chegava ao saldo de R$ 350.916. Algumas páginas do documento não foram divulgadas pela polícia sob o argumento de que prejudicaria as investigações. Haveria ainda, nos papéis, uma espécie de aviso aos chefes do tráfico de algumas favelas, que não estariam contribuindo com a caixinha da facção. Nomes e valores de pagamentos feitos a advogados são discriminados.

Documento pede apoio para invadir favelas

Na carta, há ainda um pedido de apoio aos aliados para a retomada de favelas que teriam sido tomadas por quadrilhas rivais, como Vigário Geral. “Nós mandamos um toque em Catanduvas (…), mandaram a caixinha se empenhar com tudo na guerra de VG (…) pois lá foi o berço de muitos amigos e não vamos perder aquilo lá assim. Venho agradecer a todos (…) que estão nos fortalecendo com amigos e com peças (armas) para vencer essa guerra”, diz um dos trechos.

Segundo o tenente-coronel Marco Alexandre, a casa foi localizada a partir de investigações do Serviço Reservado do batalhão e denúncias anônimas.

G1

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