HIV - Pilula de combate à Aids estará disponível no mercado até o fim de 2008
Notícia em 20 Dezembro,2007
O Brasil está desenvolvendo uma pílula única - que combina três drogas já existentes e produzidas no país - para o tratamento de pacientes infectados pelo HIV, vírus causador da Aids. A dose fixa combinada, como é chamada, está entrando na fase final de testes e estará disponível no mercado até o fim de 2008. Segundo Orival Silveira, chefe da unidade de assistência e tratamento do Programa Nacional de DST e Aids, a ingestão de um único comprimido por dia facilita a adesão ao tratamento.
Vai ser um grande avanço. Hoje um dos principais limites do controle da Aids no mundo para as pessoas já infectadas é a resistência do HIV. E um dos fatores determinantes é a adesão. O número de pílulas interfere nesse processo. É demonstrado pelos trabalhos que foram feitos no mundo, que acima da ingestão de mais de dois comprimidos por dia dificulta a adesão - explica Orival Silveira.
Nos últimos anos, o número de pílulas do chamado coquetel anti-Aids tem sido reduzido. Ainda assim, não é fácil para os pacientes seguir o tratamento contra o HIV. Quando os remédios foram lançados, em 1996, pacientes infectados tinham que ingerir até 30 comprimidos com o estômago vazio em diferentes horários ao longo do dia. Atualmente, 17 drogas compõem o chamado coquetel anti-Aids - sendo oito de fabricação nacional e nove importadas.
Segundo Orival, o medicamento, que está sendo desenvolvido pelo laboratório de Farmanguinhos, da Fiocruz, é similar ao produzido em outros países, como a África do Sul. As três drogas que serão usadas na combinação - AZT (zidovudina), 3CT (lamivudina) e nevirapina - já são produzidas separadamente no Brasil - sendo que já está disponível um comprimido que reúne o AZT e o 3CT.
- Como vai ser uma produção nacional de medicamentos, vai baratear o custo. Mas ainda não há previsão de preço - esclarece Orival.
Atualmente, 180 mil pacientes estão em tratamento no Brasil. A maior parte do orçamento do Programa Nacional de DST e Aids é usada na compra de medicamentos. O Ministério da Saúde oferece acesso universal e gratuito ao tratamento da Aids.
Comprimido único aprovado na Europa não pode ser produzido no BrasilJá o medicamento Atripla - aprovado esta semana pela Comissão Européia - não teria como ser produzido no Brasil. O comprimido - que reúne as substâncias efavirenz, tenofovir e emtricitabina - foi licenciado nos Estados Unidos em julho do ano passado, e agora foi dado a metade dos pacientes recém-diagnosticados no país.
- O tenofovir (viread) e a emtricitabina (entriva) estão sob patente, a gente não pode produzir. Por questão de propriedade intelectual e custo/benefício, optamos pela outra droga - explica Orival.
Apesar dos avanços nas formas de tratamento, o especialista destaca a importância da prevenção.
- Caiu a conscientização pública em relação à Aids. A prevenção ainda tem que ser observada independente de ter tratamento ou não. Pois ainda temos um limite, o vírus é mutante e desenvolve resistência. Se para alguns pacientes, leva sete anos, para alguns leva dois. E aí não vai ter mais dose única para tomar e poder esgotar possibilidade - ressalva.
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