Balão cai em apartamento e fere moradora

Rio - Um balão caiu ontem de madrugada dentro de um apartamento em Copacabana e feriu uma mulher. A massoterapeuta Flávia Regina Nunes Pedro Brandão, 34, sofreu queimaduras nas mãos e na barriga enquanto dormia. A cangalha com fogos explodiu sobre ela. O balão de 1,20 metro ficou preso à janela de Flávia e pegou fogo, no 10º andar do prédio 441 da Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

O marido, os três filhos e a sobrinha da massoterapeuta não se feriram e conseguiram apagar as chamas antes da chegada dos bombeiros, às 5h, impedindo um acidente ainda mais grave. A explosão pôde ser ouvida num raio de 500 metros. Assustados, vizinhos pensaram se tratar de confronto entre traficantes de favelas da região.

“Acordamos com aquele estrondo e vi minha mãe ensangüentada. A sorte é que meu pai apagou o fogo com a toalha, senão poderíamos estar todos muito feridos, sobretudo meu irmão de 5 anos”, lembrou a estudante Fernanda Nunes Brandão, 16.

BALÃO MAL TERIA SUBIDO

A massoterapeuta foi levada por policiais do 19º BPM (Copacabana) para o Hospital Miguel Couto, no Leblon. De lá, ela seguiu para uma clínica particular na Tijuca. “Estou com muita dor. É um crime. Você está em casa, um local que você acha ser seguro, e acorda de noite com uma bomba explodindo em você”, disse Flávia, que está com dificuldades para ouvir devido à explosão.

Bombeiros de Copacabana encontraram o balão preso a um ar-condicionado no 9º andar. Ele era pesado e deve ter caído logo após ser posto no ar. “Devem ter soltado de algum prédio aqui. É um absurdo. Os responsáveis têm ser presos”, afirmou a cunhada da vítima, a também massoterapeuta Danuse Rosa de Lima, 35.

Policiais da 12ª DP (Copa) tentam achar quem o soltou. Culpados responderão por crime ambiental, lesão corporal culposa e incêndio sem intenção e podem e pegar até seis anos de prisão.

QUEDA EM VIADUTO QUASE PROVOCA TRAGÉDIA

Os balões representam perigo até no trânsito. Dia 25, um modelo grande caiu sobre o viaduto que liga a Rua Pinheiro Machado ao Túnel Santa Bárbara, em Laranjeiras, e quase provocou uma tragédia. “Dois jovens pararam o carro onde estavam e atravessaram a pista correndo para pegar o balão. Quase foram atropelados por um ônibus”, relembra o analista de sistemas Paulo César Bastos, 48 anos, que fotografou a cena da janela de seu apartamento. “Aos domingos, isso é comum por aqui”, conta.

Bombeiros mantêm seu avião de combate em alerta nos fins de semana para impedir que balões caiam nas matas, como aconteceu semana passada no Morro Dois Irmãos. O Disque-Denúncia (2253-1177) recebeu em maio 120 queixas sobre baloeiros. No período, 56 balões foram apreendidos. Informações que levarem a apreensão ou prisão poderão valer até R$ 1 mil. Balões já causaram 500 dos cerca de 2.000 incêndios em vegetação só este ano.