Set
14
Brasília - Logo após a votação que garantiu a preservação do seu mandato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), começou a telefonar para líderes de partidos de oposição. Renan planeja tentar iniciar um processo de reaproximação com setores que defenderam sua cassação, como DEM e PSDB, e assim viabilizar politicamente sua permanência na presidência do Senado, ameaçada pela pressão da opinião pública e pela ação dos partidos de oposição que cobram sua saída.A primeira tentativa de Renan, entretanto, foi frustrada. Depois de ligar sem sucesso três vezes para o telefone celular do líder do DEM no Senado, José Agripino Maia, Renan procurou um contato telefônico diretamente com seu gabinete, por volta das 19h30 de ontem. A conversa não durou sequer um minuto, esbarrando na resistência de Agripino em abrir um canal amplo de diálogo.
Na conversa, Renan disse para Agripino que “a gente precisa conversar, para a coisa ficar mais calma, para o trabalho voltar”. Agripino, porém, rejeitou a aproximação. “Não, o momento está muito tumultuado. As coisas estão sem condição”, respondeu. Renan insistiu no assunto: “Precisamos mesmo conversar para o clima ficar melhor”. E Agripino se fechou novamente: “Está muito tumultuado. Muito confuso. Esse assunto precisa ser resolvido antes”, alertou. “Mas a gente precisa se encontrar, conversar”, insistiu o presidente do Senado.
Diante da persistência de Renan, Agripino avisou que teria uma reunião no dia seguinte com os partidos de oposição no Senado, quando discutiriam a questão da absolvição de Renan e sua permanência no comando da Casa. “Vou me encontrar amanhã (hoje) com o PSDB para discutir esse assunto e lhe comunicarei o que decidimos”, afirmou o senador dos Democratas. “Então, até logo e um abraço”, disse Renan, encerrando a ligação.
No fim da tarde de hoje, Agripino ocupou a tribuna do plenário do Senado para confirmar a realização da conversa por telefone com Renan e para dizer que usaria o discurso para comunicar ao presidente da Casa a decisão tomada pelos partidos de oposição, que vão dificultar a tramitação de propostas de interesse do governo e não mais participarão de reunião de líderes que tenham a presença de Renan. Na prática, disse que não aceitam sua manutenção no comando dos trabalhos da Casa. (Marcelo de Moraes)
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