O terminal marítimo Inácio Barbosa de propriedade da Cia. do Rio Doce e localizado em (SE), criou um processo inédito para carregamento de cargas a granel em navios, que permite o armazenamento em embarcações com o porão fechado.

Pelo nova tecnologia, ao se aproximarem dos navios, as cargas são transferidas das correias transportadas para um tubo flexível que despejam as mercadorias nos porões, por meio dos seus portões de visita.
O novo procedimento, que começou a ser usado regularmente, resultou no ganho de dois importantes benefícios segundo Ernâni Dória, o chefe do terminal. Um foi o de permitir o carregamento sob quaisquer condições climáticas inclusive chuvas pesadas.

O outro foi o aumento da velocidade no carregamento que passou de 13 mil toneladas por dia para 21 mil toneladas. “Antes, ficávamos parados até 20 dias por ano, por causa das chuvas”, declarou.
O principal produto utilizado é o cimento que, segundo informou, se espalha naturalmente pelo porão como se fosse talco. Segundo o executivo, os navios de cimento, que necessitavam de até 11 dias para serem carregados, incluindo as paralisações por causa das chuvas, hoje precisam de apenas dois, numa importante economia, já que o custo de estadia para essas embarcações é de US$30 mil a cada 24 horas.

A redução dos custos, segundo informou viabilizou a exportação para os Estados Unidos e Canadá de um milhão de toneladas de cimento produzido pelo grupo Votorantim em Sergipe.
O executivo informou, ainda, que com a tecnologia que vem sendo testada há quatro anos e agora definitivamente implantada, o terminal é hoje o único porto do que faz o carregamento a granel de cimento em embarcações como porão fechado.

A velocidade também é inédita. A é proprietária do terminal desde sua inauguração em 1994, que foi construído para escoar a produção da sua jazida de potássio, localizada naquele estado nordestino.
O executivo informou também que o terminal, que é o único do estado, está sendo beneficiado com a adoção da tecnologia, pois abriu espaço para a atracação de novos navios e, sobretudo da redução de sua permanência no porto. O terminal movimenta cerca de um 1,6 milhões de toneladas de carga nos dois sentidos, com destaque para a importação de trigo, fertilizantes e coque e exportação de cimento e potássio. Foi percebida também a atração de novos clientes, que estão economizando na estadia das embarcações.
A pretende, agora, testar a tecnologia com o embarque de soja no porto de Tubarão em Vitória, capital do Espírito Santo. Embora seja também carga a granel, a soja não se espalha no naturalmente pelo porão, como ocorre com o cimento, segundo Dórea.

A tarefa será espalhar a carga corretamente, para evitar que o navio navegue desequilibrado. Alguns soluções são examinadas ainda teoricamente, mas a tem interesse na solução, já que o Porto de Tubarão responde por cerca de 20% de toda a soja que é exportada pelo País.Gazeta Mercantil

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