Disseram que era mais fácil morrer de seca do que de . Deu no que deu’, critica lavrador

Após perderem as casas no domingo, em um tremor de 4,9 graus na escala Richter - que matou uma menina de 5 anos e feriu outras seis pessoas -, os moradores de , a 663 quilômetros de , não escondiam ontem a revolta com as informações prestadas pelos técnicos do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (), que estiveram na região em outubro. “O pessoal falou que não tinha perigo. Que era mais fácil morrer de seca do que de . Acalmaram a gente e deu no que deu”, disse o lavrador José Carlos de Jesus, de 37 anos, que era obrigado a fazer uma mudança completa de casa ontem.

O diretor do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (), Lucas Vieira Barros, admitiu que os técnicos foram surpreendidos com a ocorrência do tremor de 4,9 graus na escala Richter. “Pela história sísmica do lugar, era pouco provável um de magnitude 5 aqui”, disse, salientando que o episódio é um forte indício de que a falha sísmica na região é maior do que a estimada anteriormente pelos pesquisadores.

Isso pode resultar em novos tremores. “Se futuramente vier a acontecer um de igual magnitude, novamente será a maior afetada”, completou o diretor. “Hoje (ontem) deu um novo tremor às 6 horas, mas não foi tão forte. Mas estamos com medo”, disse o trabalhador rural Manuelino Rodrigues da Rocha, de 47 anos. Outros moradores relataram pelo menos três pequenos abalos.

Barros e uma equipe de cinco técnicos desembarcaram ontem na cidade mineira para uma avaliação mais criteriosa, com base nos dados das estações sismológicas instaladas em outubro. “Nós, que trabalhamos com isso, não esperávamos. Dificilmente temos controle das coisas que a natureza nos reserva. Os terremotos não são previsíveis.”

Em maio, um tremor de 3,5 graus na escala Richter foi registrado em Araçá, distrito de Januária, que fica próximo dos povoados de e Vargem Grande, na vizinha . Não foram registrados danos materiais ou vítimas, mas o abalo assustou os moradores da localidade, que deixaram as casas com medo de desabamentos. Na época, os pesquisadores da acreditavam que esse teria sido o “maior sismo” já registrado na região.

Segundo Barros, a ocorrência de novos pequenos tremores em “não é de se estranhar”. “A terra não se acomoda de uma vez toda e vai se acomodando ao longo do tempo”, explicou.

Os técnicos da já descartam que o tremor tenha origem no colapso de grutas da área do Vale do Peruaçu . “Acreditamos que aqui haja uma falha geológica ativa, com dimensão de 4 a 5 quilômetros. As características do sismos de colapso de caverna não estão presentes até agora”, disse Barros.O Est. de

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