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Mais de 40 carros foram apreendidos pela polícia, com autorização da Justiça, na oficina Really Auto Center, no bairro Rebouças, em Curitiba, na manhã desta quinta-feira (17). A oficina prestava serviços de mecânica, entre outros, para a revendedora Emily Car - acusada de aplicar um golpe milionário que teria rendido mais de R$ 1 milhão aos donos da loja.
A relação entre a Really e Emily Car, no entanto, vai além da prestação de serviços. É um negócio de família. O dono da oficina é Augusto Cláudio Corrêa - irmão de Brás Alves Corrêa. Brás, que é apontado pela polícia como o idealizador do golpe, é noivo de Emília Budinieviski. Ela, que dá nome à revendedora, é sócia da Emily Car ao lado do irmão Luis Carlos Budinieviski. “Todos na verdade são testa de ferro do Brás. É ele que comandava esse golpe”, explica a delegada Selma Braga, do 2º Distrito de Polícia Civil.
Foragidos
Todos (Emília, Luis, Brás e Augusto) tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça e já são considerados foragidos. Além deles, o diretor financeiro da Emily Car, Daniel Tavares, também teve a prisão decretada e está sendo procurado pela polícia. “Fomos aos endereços deles e eles não foram encontrados. São, portanto, considerados foragidos da Justiça”, explicou Selma.
Com mais esta apreensão, já passam de 120 os carros recolhidos da Emily Car. “Cerca de 30 carros foram entregues aos donos, porque não tinham sido revendidos pela empresa, e mais de 80 está no pátio aguardando o desfecho do caso”, disse Selma. Quando aos veículos revendidos pela Emily Car, a delegada aconselha: “infelizmente as pessoas de bem que compraram carros nessa loja ficaram no prejuízo e devem procurar a Justiça para tentar reaver o dinheiro”.
A delegada descarta por enquanto que novas revendedoras de carro tenham aplicado o mesmo golpe. “Acredito que não, mas se alguma pessoa que comprou carro em qualquer revendedora e não recebeu o documento de transferência deve desconfiar. Se for preciso procure a polícia”, contou.
As investigações apontaram para mais um setor suspeito de envolvimento no golpe da Emily Car - as financeiras. Para não atrapalhar as investigações, a delegada preferiu não adiantar as financeiras supostamente envolvidas e nem qual seria a participação delas no golpe, mas informou que já encontrou indícios. “Com os documentos apreendidos, verificamos, por exemplo, que para um mesmo carro há dois financiamentos”, comentou.
O advogado Antônio Carlos Schurmiak, que representa os donos da Emily Car, disse por telefone que a cliente está se empenhando neste momento em regularizar os documentos dos carros revendidos. “A prioridade é solucionar o caso da maioria dos clientes da loja, que diz respeito à problemas na documentação. Depois será visto os casos mais complicados, que são minoria”, explicou o advogado. Os casos mais complicados que Schurmiak se refere são aqueles em que a revendedora vendeu o carro financiado e não repassou o dinheiro ao antigo dono do veículo para a quitação dos débitos.
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