Ago
20
O entregador de pizzas Péricles Luiz Freire Vieira, de 22 anos, foi morto a tiros na pizzaria onde trabalhava, na Estrada do Corredor, no Jardim Panamericano, Zona Norte de São Paulo, no fim da noite de domingo por um homem encapuzado. Parentes de Vieira acreditam que ele possa ter sido assassinado por um policial militar do 18 Batalhão, com quem a vítima se desentendeu um dia antes do crime.
A família do entregador já tinha prestado queixa de ameaça de morte contra o mesmo policial no começo do ano passado.
Na tarde de 4 de março de 2007, dois PMs pararam Péricles na Estrada de Taipas, no Jaraguá, e teriam começado a ofendê-lo. Um dos policiais, que já foi identificado pela Corregedoria da PM, teria xingado e ameaçado o entregador. “Foi você que tentou me matar. Você pensava que eu morri, mas eu tô vivo. E vou matar você”, ameaçou o PM, segundo relato da vítima um dia depois no 74 DP (Parada de Taipas).
Segundo parentes de Péricles, o PM havia confundido o entregador com um assaltante que havia baleado o policial durante um assalto.
O outro PM começou a fazer fotos de Péricles com um celular. Na ocasião, a família de Péricles procurou a Corregedoria da Polícia Militar, que sugeriu que fosse registrado uma queixa na delegacia. A família do entregador resolveu procurar o policial para explicar-lhe que havia um mal-entendido. “O PM parou de pegar no pé do Péricles até o último sábado”, contou um dos tios da vítima, referindo-se a uma briga entre o entregador e o PM.
Novo desentendimento
Péricles e o filho de 4 anos chegavam de moto em casa no sábado, quando foram abordados pelo mesmo PM do desentendimento ocorrido em 2007 e um outro soldado, a cerca de 500 metros da pizzaria. O PM apontou sua arma para o entregador, que estapeou a mão do policial para virar a arma do outro lado. Segundo parentes de Péricles, o soldado jogou spray de pimenta no rosto do entregador. “O Péricles viu que iam jogar gás pimenta no filho dele e partiu para a briga”, disse um dos tios.
Péricles foi levado para o 74 DP, acusado de desobediência, resistência e por dirigir sem habilitação. Na ocasião, o entregador foi liberado após depor, mas a moto, que era de um amigo, foi apreendida. Segundo a família do entregador, o soldado voltou a fazer ameaças de morte.Oglobo
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