O entregador de pizzas Péricles Luiz Freire Vieira, de 22 anos, foi morto a tiros na pizzaria onde trabalhava, na Estrada do Corredor, no Jardim Panamericano, Zona Norte de , no fim da noite de domingo por um homem encapuzado. Parentes de Vieira acreditam que ele possa ter sido assassinado por um policial militar do 18 Batalhão, com quem a vítima se desentendeu um dia antes do crime.

A família do entregador já tinha prestado queixa de ameaça de morte contra o mesmo policial no começo do ano passado.

Na tarde de 4 de março de 2007, dois PMs pararam Péricles na Estrada de Taipas, no Jaraguá, e teriam começado a ofendê-lo. Um dos , que já foi identificado pela Corregedoria da PM, teria xingado e ameaçado o entregador. “Foi você que tentou me matar. Você pensava que eu morri, mas eu tô vivo. E vou matar você”, ameaçou o PM, segundo relato da vítima um dia depois no 74 DP (Parada de Taipas).

Segundo parentes de Péricles, o PM havia confundido o entregador com um assaltante que havia baleado o policial durante um assalto.

O outro PM começou a fazer fotos de Péricles com um celular. Na ocasião, a família de Péricles procurou a Corregedoria da Polícia Militar, que sugeriu que fosse registrado uma queixa na delegacia. A família do entregador resolveu procurar o policial para explicar-lhe que havia um mal-entendido. “O PM parou de pegar no pé do Péricles até o último sábado”, contou um dos tios da vítima, referindo-se a uma briga entre o entregador e o PM.

Novo desentendimento

Péricles e o filho de 4 anos chegavam de moto em casa no sábado, quando foram abordados pelo mesmo PM do desentendimento ocorrido em 2007 e um outro soldado, a cerca de 500 metros da pizzaria. O PM apontou sua arma para o entregador, que estapeou a mão do policial para virar a arma do outro lado. Segundo parentes de Péricles, o soldado jogou spray de pimenta no rosto do entregador. “O Péricles viu que iam jogar gás pimenta no filho dele e partiu para a briga”, disse um dos tios.

Péricles foi levado para o 74 DP, acusado de desobediência, resistência e por dirigir sem habilitação. Na ocasião, o entregador foi liberado após depor, mas a moto, que era de um amigo, foi apreendida. Segundo a família do entregador, o soldado voltou a fazer ameaças de morte.Oglobo

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