Fev
17
O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e a Corregedoria da Polícia Militar prenderam ontem quatro PMs do 18º Batalhão, localizado na zona norte. Os policiais tiveram a prisão por 30 dias decretada por um juiz do 2º Tribunal do Júri. Segundo o DHPP, eles são suspeitos de, em 24 de maio, terem cometido uma chacina num bar do Jaraguá, zona norte, e matado dois homens com ficha criminal para encobrir o crime.A força-tarefa deteve o sargento José Rivanildo da Silva Sá, de 38 anos, e os soldados Ricardo Gonçalves de Moraes, de 38, Eliabe Antonio de Mello, de 32, e Luzinário Moreira do Nascimento, de 32, todos da Força Tática do 18º Batalhão. Segundo o DHPP, ainda não há indícios de envolvimento deles na execução, em 16 de janeiro, do coronel José Hermínio Rodrigues, comandante da PM na zona norte, mas isso será investigado. O DHPP apreendeu armas particulares e da PM usadas pelos quatro.
Os PMs detidos são suspeitos do assassinato de Charles Wagner Felício, de 32 anos, e Cleiton de Souza, de 25. Na versão dos militares, no dia 24, pouco depois das 20 horas, Charles e Cleiton executaram três pessoas no Jaraguá, foram perseguidos e morreram durante tiroteio.
A versão apurada pelo DHPP é bem diferente. “A suspeita principal é esta: que (os PMs) teriam abordado esses dois presidiários (na verdade, ex-presidiários), depois teriam feito o ataque ao bar e simulado a resistência seguida de morte”, disse o delegado Marcos Carneiro Lima.
O DHPP levantou provas de que os dois acusados já estavam presos horas antes da chacina. Isso porque, sem os PMs verem, Charles usou um celular para tirar fotos dele e de Cleiton num carro, ao lado do qual aparece uma Blazer igual às da Força Tática. As imagens foram feitas às 16h51 e 16h52 do dia 24. Charles escondeu na cueca o celular, só encontrado quando ele foi levado ao Hospital de Taipas, onde morreu.
Além disso, a mulher de Charles, Maricleide da Silva Felício, de 32 anos, afirmou ter visto quando o marido e o parceiro foram detidos pelos policiais, às 15h30 do dia 24, na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, Freguesia do Ó. Ela reconheceu o sargento Rivanildo como o homem que colocou Charles e Cleiton no compartimento de presos de uma Blazer. E disse que o soldado Ricardo assumiu a direção do Corsa, que estava registrado no nome do marido. Charles tinha cumprido pena de 13 anos de prisão por tráfico de drogas e estava solto havia 3 anos. Condenado por roubo, Cleiton estava em liberdade condicional.
‘Justiça’
“Eu quero justiça, mas estou apavorada. O meu marido e o Cleiton foram vítimas. ‘Tô’ com medo até de atender telefone”, afirmou ontem Maricleide. Testemunha-chave do caso, desde o primeiro dia ela tinha procurado a polícia para denunciar os PMs. “Não me deram crédito, né? Primeiro eu era mulher de vagabundo, depois diziam que eu não valia nada, que o que eu queria era arrumar ‘pros polícia’. O que me deixa triste é que o coronel teve de morrer ‘pra’ essas pessoas acreditarem em mim”, afirmou.
O oficial citado por ela é o coronel Hermínio. Ele investigava a atuação de um grupo de extermínio formado por PMs e foi morto com tiros da mesma pistola calibre 380 usada na execução de seis pessoas, em 29 de junho, na Água Fria. Testemunhas afirmaram que o atirador que matou o coronel calçava coturnos, levantando a suspeita de que seja um PM.
Os quatro detidos foram levados ao DHPP às 14h20. Estavam com roupas civis e sem algemas. Além das prisões, o DHPP pediu mandados de busca. Foram revistadas residências dos policiais - Luzinário era o único que estava em casa quando os investigadores chegaram - e até seus armários no quartel.
O advogado Antônio Carlos Ferreira de Toledo foi ao DHPP para defender o soldado Luzinário. Ele disse que o PM é vizinho do sargento Helber Antônio de Freitas, preso em janeiro sob a acusação de matar a mãe de um traficante e de receptação de cheques roubados. Freitas está sendo investigado pela morte do coronel. “Ele (Luzinário) está bem tranqüilo, porque não fez nada de errado.”AE
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