Enquanto produtivos têm direito a 20 assessores em seus gabinetes, Jorônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB), que está acusado de comandar milícia, nomeou 29 funcionários. Sem contar o salá de nove servidores efetivos da Casa lotados em seu gabinete, ele já torrou dos cofres públicos R$ 1,2 milhão nestes oito meses. Uma filha do parlamentar, que estava lotada em outro órgão da Câmara, só foi exonerada ontem, por conta da proibição de nepotismo determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Nos últimos dias, a Casa demitiu 15 parentes.

Jerominho tinha como chefe de gabinete a cunhada Vera Lúcia Rabello da Silva, mulher do deputado estadual Natalino (ex-DEM), também . Ela recebia R$ 10.911,93, sem contar os benefícios. Em seu lugar, ele nomeou, mesmo na cadeia, Adercy Ribeiro da Silva. Ainda está lotado Bernardo Teixeira Cruz, irmão de Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, também em Bangu 8.

Ao todo, seu gabinete consome quase R$ 102 mil em salários e mais R$ 40 mil em outras despesas. Desde o início do ano, foram R$ 814 mil em salários e R$ 325 mil em gratificações. Jerominho tirou quatro meses de licença não- remunerada para não ser cassado por faltas, mas recebeu salá durante o restante do tempo.

Exonerações
Conforme noticiou ontem o ‘Informe do Dia’, os 50 receberam ofício pedindo a exoneração dos parentes. Um dos que cumpriram a decisão foi Alberto Salles (PSC) que demitiu a mãe. “Não há pessoa de maior confiança para mim, mas tive que cumprir a decisão da Justiça”, lamentou.

Outro que cumpriu a determinação a contragosto foi Carlo Caiado (DEM), que exonerou o irmão: “Ele trabalhava comigo desde o início do mandato e veio por causa da competência, mas determinação judicial não se discute”. Cristiane demitiu a irmã. Luiz Carlos Ramos garante que exonerou os dois filhos, mas aguarda publicação em ‘Diá Oficial’. Já Chiquinho Brazão (PMDB) e a Pastora Márcia Teixeira, cada um com quatro parentes, ainda não atenderam à ordem.

Um dos motivos para o vereador Jerominho ainda não ter perdido o mandato na Câmara Municipal do é o fato de até hoje a Casa não ter Código nem Comissão de Ética, conforme O Dia mostrou em reportagem publicada em 17 de agosto. Desde 1988, quatro projetos já foram apresentados, mas nenhum deles conseguiu aprovação em plená.

De 42 ouvidos por O Dia, 41 se disseram a favor da criação do código, mas nem todos concordam integralmente com proposta que tramita no momento na Casa, assinada por 24 parlamentares, encabeçados por Teresa Bergher (PSDB). O texto saiu de pauta para apresentação de emendas, mas, por conta da campanha eleitoral pela reeleição, não tem havido quórum para votá-lo. Também foi proposta a criação da Corregedoria da Câmara, por Andrea Gouvêa Vieira (PSDB).

A falta de Código de Ética foi criticada pelo diretor-executivo da ONG Transparência , Cláudio Abramo. A permanência tão longa de vereador e a falta de normas para a cassação também foram condenadas pelo presidente da Ordem dos Advogados do (OAB) do , Wadih Damous.

O Dia

Comentários

Comentar



Clicky Web Analytics