Os pesquisadores usaram a planta para como “fábrica” - ou incubadora - de um anticorpo químico capaz de combater linfoma folicular de célula-B, um tipo de câncer do grupo de linfomas não-Hodgkin.

As células deste tipo de câncer possuem uma característica peculiar: se reproduzem criando clones idênticos que carregam o mesmo anticorpo na sua superfície exterior. Essa “marca” é peculiar a este tipo de câncer e não é encontrada em células saudáveis.

A estratégia da criada a partir da folha do tabaco é injetar os anticorpos do câncer no paciente diagnosticado com a doença, estimulando o seu sistema imunológico para reconhecer e destruir as células do linfoma.

A está na fase inicial de testes e foi utilizada em apenas 16 pacientes para testar os efeitos colaterais dos anticorpos produzidos pelas plantas. O resultado da primeira fase foi publicado nesta semana na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Fábrica

Para fazer a planta produzir a , os cientistas isolam a célula ígena do paciente em laboratório, extraem o gene responsável pela produção do anticorpo e o injetam no chamado “vírus do mosaico do tabaco” – um parasita que ataca as células das plantas e se reproduz rapidamente.

Os cientistas então infectam a planta com o vírus e as células afetadas começam a produzir grandes quantidades do anticorpo. Depois de alguns dias, os anticorpos são extraídos das folhas do tabaco e injetados no paciente.

Segundo os pesquisadores, são necessárias apenas algumas plantas para produzir a quantidade de necessária para tratar um paciente.

No entanto, cada pessoa produz um tipo diferente de anticorpo e, por isso, cada paciente precisaria de uma personalizada.

De acordo com o estudo, o processo de produção da em plantas é vantajoso porque não sai caro e é rápido.

“É uma tecnologia bem bacana e é muito irônico um tratamento para câncer feito com base em tabaco. Isso me chamou a atenção”, disse Ronald Levy, que lidera a equipe de cientistas.

Para o professor Charles Arntzen, da Universidade do Arizona, a velocidade do processo de produção da poderia levar os pacientes a esperar por sua personalizada em vez de tentar outro tipo de tratamento.

Um porta-voz da Research UK, entidade beneficente britânica de fomento a pesquisas sobre câncer, afirmou que são necessárias mais pesquisas para avaliar o efeito real da .

“Enquanto esses resultados são potencialmente muito empolgantes, os testes foram feitos em pequena escala, estão em estágio inicial e não avaliaram se a realmente reduz o tamanho dos tumores”, afirmou o porta-voz.

“Esse estudo oferece uma boa base, mas uma pesquisa maior será necessária para testar o sucesso dos anticorpos produzidos pelas plantas em combater o linfoma não-Hodgkin”, concluiu.BBC

Comentários

Comentar



Clicky Web Analytics