A luta aparentemente interminável para impedir que o invada as células humanas ganhou um aliado de peso: moléculas específicas de RNA (composto “primo” do DNA), que bloquearam com sucesso a entrada do vírus da no organismo de camundongos. O teste, relatado por uma equipe de pesquisadores, torna mais próxima a esperança de uma estratégia inovadora contra o parasita.

O está na mais recente edição da “Cell”, uma das principais revistas científicas do . A equipe capitaneada por Premlata Shankar, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Texas Tech (EUA), desenvolveu uma forma inovadora de testar a abordagem de forma realista sem precisar recorrer a pacientes humanos. Os cientistas recorreram a camundongos “humanizados”.

Não, não se trata de algum horror mutante, mas apenas de roedores com uma mutação especial que lhes permite abrigar populações transplantadas de células humanas do sangue. Com isso, os bichos se tornam um modelo ideal para estudar a infecção por , já que seu organismo passa a abrigar as cruciais células T humanas. São essas células do nosso sistema de defesa que mais sofrem com o , sendo invadidas pelo vírus da .

Cola de anticorpos

Os camundongos imunizados receberam doses especialmente preparadas de siRNAs (”pequenos RNAs de interferência”, na sigla inglesa). Parece complicado, mas o que essas pequenas moléculas aparentadas ao DNA fazem é, em essência, “desligar” genes sem interferir diretamente neles.

Nesse ponto, os pesquisadores precisaram resolver outro problema técnico: como “entregar” os siRNAs às células que poderiam ser infectadas pelo . A solução envolveu grudar nas moléculas um anticorpo específico das células T, de forma que a mistura toda se grudaria ao alvo. Os siRNAs carregavam uma mistura de dois elementos: um trecho que desligaria um dos principais receptores do vírus nas células T e outro que inutilizaria genes essenciais para o funcionamento do . Se o vírus da fosse um carro, a primeira medida equivaleria a fechar a porta da garagem na frente dele; já a segunda seria parecida com arrancar o motor do carro, caso ele conseguisse entrar.

Para todos os efeitos, a coisa funcionou: o foi impedido de se multiplicar pela medida. Agora, os pesquisadores precisarão de mais testes para refinar a fórmula e poder testá-la em seres humanos. G1

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