Jun
27
O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) novamente salgado, combinado com a alta do petróleo e o ambiente externo tenso, reforçam o nervosismo no mercado futuro de juros, que começa a questionar se o Banco Central poderá, realmente, manter o ritmo de aperto monetário diante do atual cenário.
As taxas dos contratos de depósito interfinanceiro (DIs) vêm ampliando a alta. Mas, desta vez, operadores consideram que a curva de juros assume um nível mais alto porque, de fato, o mercado está vislumbrando o risco de o BC ter de adotar uma nova estratégia de política monetária. “Embora o BC afirme que a alta da inflação já estava no cenário, o mercado vai testar a convicção do BC”, afirma um operador. Nos dois últimos encontros, o Comitê de Política Monetária (Copom), elevou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,50 ponto porcentual cada, para os atuais 12,25% ao ano.
Lá fora, a aversão ao risco segue pesando sobre os negócios. E o petróleo alimenta o medo da inflação global. Ontem, o barril bateu a inédita marca de US$ 140,00 durante a sessão de negócios e hoje a matéria-prima (commodity) já é negociada acima deste nível na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês).
Por aqui, as notícias também não amenizam. O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) mostrou nova aceleração em junho, eliminando por completo a percepção de que a inflação poderia, enfim, ingressar em um período de acomodação. A taxa subiu 1,98% este mês, ante alta de 1,61% em maio. Foi a maior taxa para esse índice de inflação desde fevereiro de 2003, quando subiu 2,28%.
Por causa da constatação de que a inflação continua em uma trajetória ascendente - o que já havia sido mostrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de junho, nesta semana -, e de que o petróleo e as commodities estão longe de dar um refresco, o mercado começa a considerar que o BC vai ter de ajustar seu passo. Investidores já apostam em uma alta de 0,75 ponto porcentual na Selic nas próximas reuniões do ano, inclusive na de julho. “O mercado mudou de patamar, porque enxerga uma nova piora no balanço de riscos”, afirma um operador.
Após abertura dos negócios na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o DI com vencimento em janeiro de 2010 avançava para 15,01% ao ano, de 14,98% ao ano ontem; o DI com vencimento em janeiro de 2009 subia de 13,30% ao ano para 13,32% ao ano.
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