O serviço secreto e os diplomatas americanos estão convencidos de que a líder da oposição Benazir Bhutto morreu com um tiro na cabeça e que o Governo do Paquistão não teve ligação alguma com o , o qual atribuem a um paquistanês radical, informa hoje o “Wall Street Journal”.
As fontes da inteligência e da diplomacia americanas consultadas pelo jornal nova-iorquino rejeitam a versão inicial do Governo paquistanês de que Bhutto morreu ao bater com a cabeça numa barra de ferro do automóvel no qual estava.

“Já é quase um consenso que (Bhutto) foi baleada”, disse à publicação “um funcionário americano que trabalha no Paquistão”.

Na terça-feira, o Governo do presidente Pervez Musharraf também abandonou a tese de que Bhutto bateu a cabeça no teto do carro depois de perder o equilíbrio com a explosão de uma bomba.

No momento, o Governo paquistanês tem reservas quanto a apresentar novas explicações antes do fim das investigações. Além disso, rejeita as acusações de encobrimento, cumplicidade e participação direta feitas pela oposição.

As fontes americanas citadas pelo “Wall Street Journal” concordam com a tese do Governo paquistanês de que o mandante do seria Baitula Mehsud, um líder tribal do Waziristão do Sul (na fronteira com o Afeganistão) ligado à Al Qaeda e aos talibãs.

Uma equipe de especialistas da Scotland Yard convidada pelas autoridades paquistanesas inicia hoje uma do , que, além de Bhutto, matou outras 23 pessoas.

No entanto, o Partido Popular do Paquistão (PPP), ao qual pertencia a ex-primeira-ministra assassinada, pede que a ONU se encarregue das investigações.

A Secretaria-Geral da ONU disse que é o Poder Executivo do Paquistão que deve solicitar a ajuda da organização.

Em artigo publicado hoje no “Washington Post”, o viúvo de Bhutto e novo co-presidente do PPP, Asif Ali Zardari, ao pedir novamente a intervenção da ONU, acusa o regime de Musharraf de abrigar alguns dos responsáveis pela morte de sua esposa.

“Não podemos permitir que o assassinato (de Bhutto) dê poder a seus assassinos. É preciso fazer com que os responsáveis - dentro e fora do Governo - prestem contas”, escreveu Zardari.

“Faço uma pedido às Nações Unidas para que iniciem uma completa das circunstâncias, dos fatos e do encobrimento do assassinato da minha esposa, seguindo o modelo da da morte do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri”, morto num a bomba em Beirute em 14 de fevereiro de 2005.

“Convoco os amigos da democracia no Ocidente, principalmente os Estados Unidos e o Reino Unido, a apoiarem o pedido de uma independente”, acrescentou Zardari.

“Uma conduzida pelo Governo do Paquistão não terá nenhuma credibilidade, nem em meu país nem em lugar nenhum. Não se deixa a raposa no comando do galinheiro”, argumentou.

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