SÃO PAULO, 7 de março de 2008 - As principais bolsas acionárias da Ásia encerraram a semana em queda, afetadas pela forte desvalorização do dólar no mercado de divisas , pelas contínuas preocupações sobre uma recessão nos Estados Unidos e por novas notícias negativas, envolvendo o mercado de crédito subprime ou de alto risco.

O índice Nikkei 225 de Tóquio caiu 3,27%, para 12.782,80 pontos, registrando seu menor nível em seis semanas. No acumulado do ano, o indicador nipônico apresenta desempenho negativo de 16,49%. Em Seul, o índice Kospi recuou 2,36%, para 1.657,38 pontos. O indicador referencial Hang Seng de Hong Kong perdeu 3,60%, para 22.501,33 pontos. Já na China, o índice Xangai Composto apontou baixa de 1,39%, para 4.300,52 pontos.

A situação econômica nos Estados Unidos e no Japão - as duas maiores economias do - preocupa os investidores e analistas da Ásia, elevando as incertezas sobre os rumos da economia mundial. Ontem, os resultados negativos em Wall Street e a possibilidade do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) reduzir a taxa básica de juros em sua próxima reunião colaborou para a forte desvalorização do dólar no mercado de divisas .

A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a 102,43 ienes, contra 103,56 ienes observados no encerramento da última sessão. Foi a maior queda do dólar ante o iene em três anos. Em Tóquio, as companhias exportadoras foram as mais prejudicadas, já que seus produtos tornam-se menos competitivos no exterior devido a um dólar fraco. Entre as empresas automotivas, as ações da Toyota, Honda e Mazda caíram 1,63%, 4,17% e 5,37%, respectivamente. Já no setor de tecnologia, os papéis da Canon diminuíram 2,37%, enquanto os da Sony perderam 5,14%.

Ainda em Tóquio, os investidores nipônicos acompanharam a decisão unânime entre os nove membros do Comitê Monetário do Banco do Japão (BoJ, central) de manter inalterada a taxa básica de juros em 0,5% ao ano, após o término de uma reunião de dois dias. Esta foi a última decisão de Toshihiko Fukui como governador do BoJ, que abandona a liderança da autoridade monetária japonesa após cinco anos no cargo. Toshiro Muto, ex-vice-ministro das Finanças e atual vice-governador do BoJ, foi indicado hoje pelo primeiro-ministro nipônico, Yasuo Fukuda, para suceder Fukui. Em Seul, o Banco da Coréia do Sul (BoK, central) também optou por manter inalterada a taxa básica de juros, atualmente fixada em 5% ao ano, pelo sétimo mês consecutivo.

A decisão ocorreu em meio às preocupações com a inflação e as incertezas sobre uma possível desaceleração da economia mundial. Destaque na Ásia para as ações do setor financeiro, prejudicadas pela notícia de que o Citigroup planeja reduzir seus ativos de hipoteca residencial em US$ 45 bilhões nos próximos 12 meses. Além disso, o banco norte-americano pretende também cortar o montante de novos empréstimos a serem mantidos no portfólio em mais de 50%.

A informação fez ressurgir os temores dos investidores sobre os efeitos da no mercado de crédito. Entre as instituições financeiras, os papéis do australiano Macquarie Group recuaram 3,34%. Já os títulos dos japoneses Mizuho Financial e Mitsubishi UFJ Financial diminuíram 5,80% e 4,22%, respectivamente. Em Seul, as ações do HSBC Holdings apontaram baixa de 2,02%.

No mercado de commodities, o barril de petróleo norte-americano registrou um novo recorde nas negociações eletrônicas da Ásia, cotado próximo de US$ 106. Apesar do avanço, as companhias petrolíferas registraram desempenho negativo. Os papéis da japonesa Inpex Holdings subiram 1,61%, enquanto os da australiana Woodside Petroleum aumentaram 0,58%. Para hoje, os analistas e investidores asiáticos aguardam pela divulgação de dados do mercado de norte-americano (Payroll). O indicador é visto como termômetro da economia dos EUA e poderá sinalizar a possibilidade de uma recessão no país.

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