Jul
28
A Petrobras inaugura amanhã sua primeira usina de biodiesel. A unidade, instalada em Candeias (BA), na Região Metropolitana de Salvador, custou R$ 101 milhões e terá capacidade de produção de 57 milhões de litros do combustível por ano. A fábrica é a primeira de três que a estatal pretende inaugurar até o fim do ano. As unidades de Quixadá (CE) e de Montes Claros (MG) devem começar a operar já em agosto. “Temos uma meta ousada de produção de biodiesel”, afirma o presidente da recém-criada Petrobras Biocombustível - cuja diretoria será anunciada amanhã - Alan Kardec. “Almejamos chegar a 2012 com a produção anual de 940 milhões de litros”. As três primeiras usinas devem produzir, por ano, 170 milhões de litros de biodiesel.
A Petrobras Biocombustível terá sede no Rio e foi criada, de acordo com Kardec, para unificar os trabalhos que a estatal realiza na área. “A empresa nasce com dois apelos fortíssimos: o ambiental, na medida em que colabora com a redução dos gases que provocam efeito estufa, e o empresarial, baseado no aumento da demanda mundial por biocombustíveis”, disse.
Para a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, a produção de biodiesel tem também a preocupação de criar empregos e renda no campo. “A fábrica deve ter 58% de sua matéria-prima vinda de plantações de agricultura familiar”, afirma. Segundo a empresa, 28.922 agricultores de 264 municípios de Bahia e Sergipe estão plantando girassol e mamona para a unidade. A Petrobras forneceu 205,2 toneladas de sementes para garantir a produção.
“As primeiras remessas de oleaginosas vindas da agricultura familiar devem chegar entre outubro e novembro”, afirma Maria das Graças. “Até lá, vamos usar matérias-primas da agricultura intensiva. Já compramos 6 mil toneladas de óleos vegetais para o início da produção.”
Gordura Animal e Resíduos
Para não depender somente da produção de oleaginosas, porém, a usina de Candeias foi projetada para operar também com gorduras animais e com resíduos de fritura de alimentos. “Isso é importante para minimizar o efeito perverso da volatilidade das cotações das matérias-primas, como a soja, no preço do biodiesel”, diz a diretora. “Em tecnologia, não existe nenhuma planta como esta de Candeias no País. A usina vai produzir biodiesel tão puro quanto um bom uísque escocês.”
Entre as inovações tecnológicas apontadas por Maria das Graças está o sistema de automação, que monitora, em tempo real, 1,2 mil variáveis do processo de fabricação do biodiesel, da chegada da matéria-prima à saída da produção da unidade. “A curva de aprendizado sobre a produção de biodiesel ainda está no início”, afirma. “Quanto mais estudarmos e pesquisarmos sobre ela, mais desenvolveremos novas tecnologias, que vão poder fazer diminuir os preços do combustível, que ainda é mais caro que o diesel de petróleo.”AE
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Jul
7
Apesar dos esforços do governo brasileiro para convencer a comunidade internacional do contrário, os biocombustíveis continuam na lista dos vilões da alta nos preços mundiais de alimentos. Indagados pelos jornalistas ao final do primeiro dia da reunião do G8, tanto o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, quanto o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, atribuíram parte da culpa pela inflação alimentar aos combustíveis
“Diversos fatores afetaram os preços, mas não há dúvida de que os biocombustíveis estão entre eles”, disse Zoellick, que fez questão, no entanto, de diferenciar os combustíveis produzidos com cana-de-açúcar, como o etanol brasileiro, dos que são feitos com cereais e vegetais. O ex-secretário de comércio dos Estados Unidos lembrou que cerca de três quartos do crescimento da produção de milho nos últimos três anos foi para a produção de etanol nos Estados Unidos.
Documento divulgado pelo Banco Mundial na semana passada para embasar os debates da cúpula do G8 – grupo dos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia – já mencionava o uso do óleo de cereais e vegetais para a produção de combustíveis como uma das causas da disparada de preços. Segundo dados do Banco Mundial, os preços dos grãos mais que dobraram desde 2006. Apenas neste ano, a alta acumulada é de 60%.
O estudo diz que, nos últimos três anos, cinco milhões de hectares de terras aráveis que poderiam ter sido usados para plantação de trigo foram destinadas à produção de colza e girassol para biocombustíveis – de acordo com o Banco Mundial, isso ocorreu nos principais países produtores de trigo, incluindo Canadá, membros da União Européia e Rússia.
O documento reconhece, no entanto, que a produção brasileira do etanol à base de cana não levou a altas substanciais” no preço do açúcar. O Banco Mundial também compara o custo das diferentes produções. Enquanto o etanol da cana-de-açúcar custava US$ 0,90 o galão em 2007, contra um custo de US$ 1,70 por galão do etanol de milho produzido pelos Estados Unidos e US$ 4 por galão do biodiesel produzido pelos americanos e europeus.
Zoellick sugeriu a revisão dos programas americanos e europeus de subsídios à produção de biocombustíveis e a redução das tarifas impostas a esse tipo de produto.
Ban Ki-Moon concordou com os argumentos de Zoellick, mas ponderou que não há dados sobre o exato impacto dos biocombustíveis na crise mundial de alimentos. “Acredito que são necessários mais estudos e mais pesquisa sobre os biocombustíveis de segunda geração”, disse o representante da ONU, lembrando que o governo brasileiro promoverá conferência internacional sobre o tema em novembro.
Uma das missões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Hokkaido será, justamente, tentar isentar de culpa a produção de biocombustíveis. A exemplo do que fez na semana passada durante a Cúpula do Mercosul, na Argentina, Lula deve jogar a culpa na especulação financeira e cobrar dos países do G8 que parem de comprar safras ainda nem plantadas nos chamados mercados futuros.
Mai
15
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva toma hoje (15) café da manhã com o presidente do governo espanhol (cargo equivalente ao de primeiro-ministro), José Luis Rodríguez Zapatero, às 8h30, no Palácio da Alvorada.
No encontro, serão discutidos temas como maior cooperação entre instituições de pesquisa científica dos dois países, as relações consulares Brasil-Espanha, comércio e investimentos, o andamento da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), a reforma do sistema das Nações Unidas e cooperação no setor de biocombustíveis.
Logo após, Lula segue para o Palácio do Planalto, onde despacha com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins (11h). Na seqüência (11h30), reúne-se com o primeiro-ministro da Finlândia, Matti Vanhanen, com quem vai discutir a implementação do comércio bilateral, mudanças climáticas, a cooperação na área florestal e em ciência e tecnologia, e o programa brasileiro de biocombustíveis.
Esses temas foram tratados ontem (14) em reuniões de trabalho de Vanhanen com os ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge; da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende; e de Minas e Energia, Edison Lobão.
Ainda hoje, no Itamaraty, o representante finlandês será homenageado com um almoço oferecido pelo vice-presidente da República, José Alencar.
À tarde, não estão previstos compromissos oficiais na agenda do presidente já que, às 15h, embarca para Lima, no Peru, para participar da 5ª Reunião de Cúpula América Latina e Caribe-União Européia (ALC-UE), que terá a presença de chefes de Estado e de Governo dos dois continentes.
Mai
7
O debate sobre biocombustíveis não ficará de fora da 3ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA) que vai discutir, de hoje (7) a sábado os impactos das mudanças climáticas no Brasil. “Biocombustíveis são o tema do dia”, avalia o coordenador nacional da CNMA e secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Hamilton Pereira.
“A temática dos biocombustíveis não apareceu nas outras conferências, mas vai aparecer de forma muito forte este ano, no sentido de termos uma posição acerca de que caminho o Brasil deve trilhar em relação a isso”, acrescenta o diretor do Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental do MMA, Pedro Ivo Batista.
O governo brasileiro defende o uso de biocombustíveis como estratégia mundial de redução da emissão de dióxido de carbono (gás carbônico), um dos gases de efeito estufa considerados causadores do aquecimento global. No entanto, o avanço das lavouras de matérias-primas da agroenergia na Amazônia e no cerrado é um dos questionamentos freqüentemente apontados por ambientalistas.
A conferência, segundo Batista, também discutirá outros temas polêmicos, “que sempre são trazidos para os debates”, como o projeto de transposição do Rio São Francisco e a construção da Usina Nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro.
Na avaliação do coordenador nacional da CNMA, Hamilton Pereira, os problemas ambientais nas grandes cidades também estarão entre as prioridades da plenária. “Temos que tratar do fenômeno das emissões [de gases de efeito estufa] nos grandes centro urbanos, que já concentram mais de 80% da população brasileira”, afirma.
Cerca de 2 mil representantes de governos, empresários e da sociedade civil partciparão da conferência. A reunião será aberta oficialmente hoje, às 19h, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Luana Lourenço
Da Agência Brasil
Mai
5
Em uma entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal francês Le Monde, De Schutter disse que a busca cega por biocombustíveis está contribuindo para uma crise mundial dos alimentos que ameaça 100 milhões de pessoas nos países mais pobres do mundo.
“As metas ambiciosas para a produção de biocombustíveis estabelecidas pelos Estados Unidos e pela União Européia são irresponsáveis”, disse De Schutter.
“Estou pedindo o congelamento de todos os investimentos nesse setor.”
De Schutter disse que a atual crise dos alimentos é “uma grande violação dos direitos básicos” e pediu a realização de uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para debater o combate ao aumento dos preços internacionais e a escassez de alimentos.
O relator disse também que é preciso reprimir a ação de especuladores que, segundo ele, aumenta ainda mais o preço de commodities como trigo e arroz.
Distúrbios
Segundo a correspondente da BBC na ONU, Laura Trevelyan, apesar das críticas, De Schutter não foi tão longe quanto seu antecessor, Jean Ziegler, que condenou os biocombustíveis como um “crime contra a humanidade” e defendeu uma moratória imediata na produção.
Os biocombustíveis, como o etanol (que é o destaque da política externa do governo brasileiro), são promovidos como uma alternativa ecologicamente correta aos combustíveis fósseis no combate ao aquecimento global e como uma opção econômica para países pobres da África e América Central.
No entanto, o uso de biocombustíveis como alternativa energética enfrenta crescente resistência no exterior e o tema vem provocando polêmica. Um dos argumentos dos opositores é que a produção de biocombustíveis tende competir com a de alimentos.
Nos últimos meses, a alta mundial dos preços dos alimentos provocou revoltas populares em diversos países, incluindo a queda do primeiro-ministro do Haiti, Jacques Edouard Alexis, no mês passado.
De Schutter disse ser imperdoável que a comunidade internacional não tenha prevenido os distúrbios provocados pelo aumento nos preços dos alimentos.
“Nada foi feito para impedir a especulação de matérias-primas, apesar de ser previsível que os investidores iriam se voltar para esses mercados”, disse De Schutter.
“Nós estamos pagando por 20 anos de erros.”
BBC
Mar
13
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, têm encontro hoje (13), ao meio-dia, com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice. De acordo com a agenda, o principal assunto será a cooperação na área de biocombustíveis, como desdobramento dos acordos assinados pelos presidentes dos dois países.
A paz no Oriente Médio é outro assunto a ser tratado. Temas regionais também entrarão na pauta do encontro de Lula com Condoleezza.
Antes, às 11h, Brasil e Estados Unidos firmam, no Palácio do Itamaraty, protocolo para a realização de um Plano de Ação Conjunto para a Eliminação da Discriminação Étnico-Racial e a Promoção da Igualdade. O documento será assinado pelo ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, e pela secretária norte-americana.
Segundo a assesoria de comunicação da Seppir, o convênio trata da melhoria e ampliação de programa de intercâmbio entre alunos brasileiros e universidades “historicamente negras” dos Estados Unidos, como as de Chicago e Columbia, chamadas assim por estarem entre as primeiras a abrir vagas para negros no país.