Indiciados pela morte de Isabella Nardoni, de 5 anos, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina, ficarão no mínimo três meses detidos caso a Justiça conceda a prisão preventiva pedida pela polícia no relatório final do inquérito, encaminhado na quarta-feira ao Ministério Público Estadual (MPE). O advogado criminalista Celso Sanchez Vilardi, coordenador do curso de Direito Penal da Fundação Getúlio Vargas (FGV), frisa que este é o prazo legal. No entanto, admite que a prisão pode se estender por prazo indeterminado, até que termine o julgamento do casal.

Sempre na hipótese de uma decisão judicial determinando a preventiva, Nardoni e Anna Carolina deverão ficar presos em uma delegacia, centro de detenção provisória (CDP) ou presídio, de acordo com as vagas disponíveis. Se não houver lugar em um presídio, eles ficam detidos em um CDP. Se não houver no CDP, em uma delegacia. Por ter formação em nível superior, Nardoni tem direito a prisão especial, diferente de sua mulher, Anna Carolina, que ficará em cela comum.

O processo judicial deve levar no mínimo dois anos, acredita Vilardi. “Apesar de o prazo da preventiva ser de três meses, os tribunais estendem esse período até a conclusão do processo”, afirma o advogado. “O julgamento desse caso, tão complexo, deve levar ao menos dois anos.”

Vilardi pondera, no entanto, que dificilmente o casal ficará por todo esse período. “Existe essa possibilidade, mas creio que não é cabível”, diz. “Como eles, em liberdade, colaboram com as investigações, não há motivo concreto para a preventiva.”

O promotor do caso, Francisco Cembranelli, dará no início da próxima semana seu parecer sobre o caso, decidindo se apresenta denúncia contra Nardoni e Anna Carolina e se pede a prisão preventiva do casal. Em seu pedido, a delegada do 9º Distrito Policial, Renata Helena Pontes, argumentou que o casal pode atrapalhar a se permanecer livre.

Segundo Vilardi, três motivos justificam uma preventiva: risco de fuga, ocultação de provas e ameaça à ordem pública. Na opinião do advogado, Cembranelli e o juiz do 2º Tribunal do Júri, Maurício Fossen - que dará a palavra final sobre a preventiva -, poderão concordar com o pedido de prisão com base na ordem pública. “É uma justificativa subjetiva e imprecisa, que abarca muitos argumentos, mas possivelmente será a escolhida.”

Liberdade

Assim que a ordem de prisão for expedida pela Justiça, os advogados de defesa dos Nardoni pretendem pedir habeas-corpus, para que o casal responda ao processo em liberdade. No entanto, um dos três defensores de Nardoni e Anna Carolina, Marco Polo Levorin, disse na quarta-feira não acreditar na decretação da preventiva. “Não há requisitos autorizadores para a prisão”, afirmou. “Mas, se for essa a decisão da Justiça, eles se apresentarão e a defesa pedirá habeas-corpus.”

O casal já ficou provisoriamente em delegacias da capital paulista por nove dias, de 3 a 11 de abril. A polícia pedira 30 dias de detenção, mas um habeas-corpus foi concedido pelo desembargador Caio Canguçu de Almeida, do Tribunal de Justiça de (TJ-). Para o desembargador, Nardoni e Anna Carolina não poderiam ser mantidos presos porque não se furtaram a prestar declarações à polícia, não destruíram provas, não induziram testemunhas e se apresentaram espontaneamente horas depois de ser decretada a prisão.AE

Sem motivo oficialmente registrado e sem mandado judicial, o secretário-geral do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ariel de Castro Alves, pediu que o Conselho Tutelar de Guarulhos mandasse um representante até a casa de Alexandre Jatobá, pai de Anna Carolina e sogro de Alexandre Nardoni, verificar como estão os filhos do casal, Cauã e Pietro. Anteontem, a conselheira destacada para a missão não passou da portaria.

Alves tomou a providência supondo que os meninos estão em “situação de risco” por conviverem com “pais acusados de um crime bárbaro e hediondo”. Na visita feita anteontem, a conselheira falou com o pai da Isabella pelo interfone e não foi autorizada a subir.

O secretário sustenta que impedir o do Conselho é crime e ameaça pedir a abertura de inquérito. No entanto, cinco conselheiras se reunirão na segunda-feira para decidir se tentarão nova visita ou se enviarão ofício ao Condepe, relatando a tentativa frustrada. Entre as atribuições dos conselheiros tutelares, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), não consta a visita a residências. Especialistas ouvidos pela reportagem afirmaram que não é crime se negar a receber um conselheiro tutelar, se ele não estiver amparado por um mandado judicial.AE

O inquérito policial sobre a morte da menina Isabella Nardoni deverá ser finalizado até amanhã, quando a polícia deve acusar formalmente o pai de Isabella, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, como autores do assassinato. Em seguida, o inquérito seguirá para o promotor Francisco Cembranelli, que oferecerá a denúncia (acusação formal) e pedirá à Justiça a prisão preventiva do casal. Eles foram indiciados por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, uso de meio cruel e sem possibilidade de defesa). Com a reconstituição ocorrida ontem, última peça a ser anexada ao inquérito, a polícia deve mostrar que seria impossível alguém invadir o apartamento, jogar a menina pela janela e sair sem ser visto.

A foi presidida pelo delegado Calixto Calil Filho, titular do 9º DP. Os policiais ouviram cerca de 65 depoimentos, entre os indiciados, familiares, amigos, vizinhos e testemunhas. O próximo passo será o Ministério Público avaliar o inquérito e denunciar o casal à Justiça ou pedir o arquivamento da .

Casal acompanha reconstituição - Ontem, a primeira versão era a de que o casal acompanhou a reconstituição pela TV na casa da mãe de Anna Carolina, em Guarulhos, na Grande . Outra versão dizia que Alexandre estaria na casa de seu pai, Antônio, separado de Anna Carolina. Pela manhã, a irmã de Alexandre, Cristiane, foi com uma Pajero ao supermercado. Às 15h45, a Pajero deixou novamente a casa. Não houve qualquer declaração da família à imprensa.AE

Depois de mais de sete horas de , interrompidas apenas para um rápido lanche de meia hora, os peritos da Polícia Civil de terminaram, às 17h20, a reconstituição da morte da menina Isabella Nardoni, ocorrida na noite do dia 29 de março. O foi concentrado no Residencial London, zona norte de , onde a garota foi atirada do 6º andar, do apartamento do pai e da madrasta, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

Apesar do fim dos trabalhos, os peritos ainda estão reunidos no local, trocando informações sobre as simulações realizadas hoje. Em uma das últimas etapas da reconstituição do crime, um casal que reside no edifício ao lado acompanhou os peritos. Os dois teriam ouvido a eventual discussão do casal, no dia do crime, e foram até o edifício London para saber o que havia acontecido.

Os peritos da Polícia Civil reconstituíram por mais de uma hora o momento em que a menina Isabella Nardoni, de cinco anos, foi encontrada no jardim do prédio onde o pai e a madrasta moravam. Com a ajuda de testemunhas, os profissionais reconstituíram o momento em que o corpo foi achado, o momento em que o vizinho do primeiro andar ligou para o resgate e a hora em que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina, chegaram ao local. Além do morador do primeiro andar, outra testemunha que ajudou os peritos nessa fase da reconstituição do crime foi o porteiro do edifício, que na noite do crime interfonou para este morador para avisar sobre o ocorrido.

A testemunha do primeiro andar afirmou para a perícia que Anna Carolina Jatobá, assim que chegou ao local em que Isabella estava caída, não se aproximou do corpo da menina. Ele disse também que a madrasta de Isabella chegou ao térreo do edifício gritando ao porteiro que o prédio não tinha segurança. O vizinho informou, ainda, que, logo que viu o corpo da garota, entrou rapidamente, pegou o telefone (para ligar para o resgate) e voltou para a sacada. E que o único lugar por onde um possível assaltante poderia sair do edifício seria pela portaria da frente.AE

Os peritos que estão fazendo a reconstituição da morte da menina Isabella Nardoni deram uma pausa nos trabalhos, por volta das 13h40, para fazer um lanche. Os peritos já cobriram várias etapas da reconstituição, tais como o trajeto do pai e da madrasta, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, ao chegarem ao prédio na noite do dia 29 de março, a subida ao apartamento, o que ocorreu no local e o momento em que a menina foi atirada da janela do 6º andar.

A previsão de que os trabalhos fossem encerrados por volta das 14 horas não se confirmou, pois os peritos terão ainda que fazer a medição sonora dos gritos de uma criança que teria pedido socorro e da eventual briga do casal e também a reconstituição do local da queda, no jardim do Residencial London, na zona norte de . Além disso, os peritos analisarão também o que ocorreu em seguida, como o chamado do resgate pelo vizinho do primeiro andar.

Boneca

Ao contrário do que a Secretaria de Segurança Pública informou anteriormente, a boneca articulada que está sendo utilizada na reconstituição da morte de Isabella custou cerca de R$ 2 mil e não US$ 2,5 mil. A retificação foi feita aos repórteres que fazem a cobertura do dos peritos no local pela própria assessoria da secretaria.AE

Os peritos que fazem a reconstituição da morte de Isabella Nardoni já estão no apartamento 62, do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, no Residencial London. Às 10h35, dois peritos do Instituto de Criminalística (IC) apareceram na varanda do apartamento, abriram a janela de onde a menina Isabella foi jogada no dia 29 de março e examinaram a rede de proteção da varanda, já que a rede do quarto foi retirada para análise da perícia.

Enquanto parte da perícia está no apartamento do casal, um fotógrafo do Instituto de Criminalística registra imagens da fachada e do pátio onde Isabella caiu. As cinco testemunhas convocadas para a reconstituição do crime já estão no local, até mesmo porque são moradores do edifício, mas ainda não participam dos procedimentos executados pela perícia.

A CET (Companhia de Engenharia do Tráfego) interditou por volta da meia-noite deste domingo (27) a rua Santa Leocádia, na Vila Isolina Mazzei (zona norte de ), para a reconstituição da morte da menina Isabella Nardoni, 5, que acontece hoje.

Isabella foi jogada do sexto andar do edifício London no final da noite de 29 de março. A reconstituição está marcada para começar às 9h e pode se estender por até dez horas.

A partir das 7h do domingo o espaço aéreo ficará bloqueado em um raio de 1,5 km do prédio. Na noite de sexta-feira (25) a Aeronáutica emitiu o Notan (Notice to Airmen, aviso aos navegantes, em português) proibindo o vôo de helicópteros, balões e aviões das 7h às 22h.

Policiais civis e militares estão no local para controlar o acesso de pessoas. Só têm direito a circular na rua moradores e prestadores de serviço e seus respectivos veículos.

O esquema montado pela polícia prevê ainda bolsões para que as pessoas acompanhem o da perícia. Eles ficarão a 60 metros do ponto onde estará montada a área reservada aos jornalistas, um próximo à rua Mandaguari e à avenida General Ataliba Leonel.

A polícia cadastrou moradores para facilitar o acesso à rua e evitar que outras pessoas tenham acesso ao local. Caso as pessoas tentem furar o bloqueio, podem ser encaminhadas a delegacias de polícia da região e responder por desacato a autoridade.

Reconstituição

Os responsáveis pela do caso consideram fundamental a reconstituição. Através dela, por exemplo, será possível confirmar a tese defendida pela Polícia Civil, a de homicídio praticado pelo pai da garota.

O fechamento do espaço aéreo é necessário, segundo a Polícia Civil, para não prejudicar a reconstituição dos fatos que resultaram na morte da garota, asfixiada e jogada do sexto andar do prédio enquanto passava o fim de semana com o pai, Alexandre Nardoni, e com a madrasta, Anna Carolina Jatobá –indiciados pela polícia por homicídio doloso (com intenção) com três agravantes: motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O casal nega envolvimento no crime.

Nardoni e Jatobá não irão participar da encenação por recomendação dos advogados de defesa. Com isso, policiais civis com portes físicos parecidos com os do casal farão a reconstituição.

A expectativa é de que o inquérito que investiga as circunstâncias em que ocorreu a morte da garota seja concluído no prazo de 30 dias, que vencem na próxima terça-feira (29).

Apenas o edifício London e parte de um prédio vizinho serão utilizados na reconstituição. Fatos anteriores da chegada do casal ao estacionamento do edifício –entre eles compras em um hipermercado– e a visita do casal à casa dos pais de Anna Carolina, em Guarulhos (Grande ), não serão refeitos.

A encenação começará dentro do estacionamento do prédio. Após a saída do estacionamento será utilizado um dos elevadores que levam ao sexto andar, onde está localizado o apartamento. Serão gravadas imagens da saída do elevador até a porta do apartamento, sala e quarto, principais cenas do crime. De lá, o elevador é novamente utilizado até o acesso ao jardim do prédio parte da rua defronte ao edifício.

Para simular a presença dos filhos do casal, serão utilizados bonecos, assim como foi feito pela Polícia Técnico-Científica para simular a morte de Isabella durante o recolhimento de materiais que resultaram nos laudos.

Em determinados momentos, nem mesmo os delegados responsáveis pelo caso estarão presentes devido ao exíguo espaço de alguns locais. A prioridade é para os peritos e equipamentos que eles utilizarão.Folha

A rua do edifício London, na zona norte de , onde será feita a reconstituição da morte da menina Isabella Nardoni, 5 anos, vai ser fechada no final do dia. No momento o trânsito é normal na região e a polícia já cadastrou todos os moradores próximos e do prédio para impedir a entrada de curiosos. Por orientação dos advogados, o pai da menina, Alexandre Nardoni, e sua mulher Anna Carolina Jatobá não devem comparecer à reconstituição.

A reconstituição está prevista para começar às 9 horas e deve terminar dez horas depois. O objetivo das autoridades, com base nos laudos periciais, é comprovar o indiciamento de Alexandre e Anna Carolina como principais envolvidos no caso. O casal alega a existência de uma terceira pessoa na cena do crime. Na próxima semana, já com os resultados da reconstituição, a polícia poderá solicitar nova prisão do casal.AE

A Polícia continua a insistir no fechamento do espaço aéreo durante a reconstituição do assassinato de Isabella Nardoni, de 5 anos, na zona norte da capital paulista, neste domingo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) entrou hoje com uma representação na Justiça para que a Aeronáutica autorizasse o bloqueio do espaço aéreo em um raio de 3 km no entorno do Edifício London, após a recusa da Aeronáutica.

O pedido foi feito junto ao juiz do 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana, Mauro Fossen. O prédio fica em uma rua do bairro do Carandiru e o deve durar o dia inteiro de domingo.

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