Set
3
O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, disse na quarta-feira ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, que lamenta o fato da União Européia não ter culpado a Geórgia pelo início do conflito na região, informou o Kremlin.
Medvedev disse ao presidente francês por telefone que notou que os líderes da UE, reunidos em uma cúpula de emergência, tomaram uma decisão “geralmente balanceada” sobre a Geórgia, segundo um comunicado do Kremlin.
“Ao mesmo tempo, (Medvedev) mostrou-se descontente com o documento final da cúpula, que não incluía o reconhecimento de que a Geórgia foi a primeira causa da crise na Ossétia do Sul e na Abkházia”, disse o comunicado.
Abr
6
O conflito que já matou e desalojou de suas casas milhões de pessoas, inspirou protestos raivosos de ONGs e celebridades e preocupa países vizinhos acaba de completar cinco anos.
E, por maior que seja a semelhança, não estamos falando do Iraque, e sim de Darfur, no Sudão. Mais de 200 mil mortes, inúmeros acordos de paz fracassados e dezenas de manifestações depois, o conflito em Darfur continua longe do fim.
Para quem observa de fora, a cena envolve uma missão de paz apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) que ainda demorará meses para entrar com força na região, dois terços da população de 6,5 milhões à mercê de ajuda humanitária e diplomatas discutindo sobre o conceito de genocídio.
Quem presencia o conflito de perto, como a brasileira Silvia Yasuda, relata como as pequenas tragédias do dia-a-dia formam a pior crise humana da atualidade.
Quando começou, em fevereiro de 2003, o conflito envolvia basicamente muçulmanos negros de Darfur que se rebelaram contra o governo, alegando que Cartum os estava negligenciando ao favorecer os muçulmanos de etnia árabe. Agora, com dezenas de milícias combatendo até fora das fronteiras do país, a situação é bem mais intrincada. E, assim como os rebeldes e os refugiados, os entraves também se multiplicam a cada mês.
Para especialistas em Sudão, cinco dos principais obstáculos para uma solução do conflito são: sua origem, a fragmentação das milícias, os refugiados, o impasse com a comunidade internacional e a ação da China no país. Seja nos Bálcãs ou na África, a origem de boa parte das disputas está na formação do país.
No Sudão, não é diferente. Após ser colonizado pelos britânicos, foi repartido pela elite muçulmana árabe, que queria impor leis islâmicas. “Eles seguraram o país unido à força, com o velho jogo imperial do dividir para governar”, diz Richard Dowden, diretor do Royal African Society, da Universidade de Londres.
Dowden explica que, quando um acordo de paz pôs fim à guerra civil entre norte e sul, outras partes do Sudão, como Darfur, se sentiram excluídas do governo e decidiram lutar. Uma política agrícola equivocada e fortes secas empobreceram Darfur e exacerbaram a disputa. “Quando rebeldes atacaram as tropas do governo, em 2003, Cartum respondeu enviando janjaweeds (milícias árabes tribais) para destruir o inimigo.”
Responsáveis pelas maiores atrocidades cometidas em Darfur, os janjaweeds passaram a incendiar vilas, seqüestrar, estuprar e matar milhares de civis e houve a multiplicação das milícias. “O fracasso das negociações de paz provocou uma incrível fragmentação dos rebeldes”, diz Dowden.
O número de milícias cresceu tanto que incomoda até o governo, que fomenta essa divisão. Os mais de 2,5 milhões de sudaneses desalojados pela guerra são outro obstáculo apontado pelos especialistas. Entre os refugiados, 280 mil estão no Chade.
A crônica falta de entendimento entre Cartum e ONU, União Européia e EUA também emperra o processo de paz. “O governo sudanês não confia na comunidade internacional e acredita que há uma conspiração liderada pelos americanos para derrubá-lo. Diante disso, não vê razão para aceitar acordos ou tréguas”, disse De Waal. A desconfiança e o desinteresse do governo sudanês em relação aos órgãos internacionais também prejudicam a ajuda humanitária no país.
A última peça do xadrez em Darfur é a China, principal parceiro comercial do Sudão e seu maior investidor estrangeiro. Pequim compra cerca de 60% da produção de petróleo do Sudão, estimada em 500 mil barris por dia, e afirma que isso está impulsionando o crescimento do país. Mas, em troca do petróleo, Pequim vende armas para Cartum, muitas das quais acabam nas mãos dos janjaweeds. Um relatório da Anistia Internacional aponta que, em 2005, o Sudão comprou dos chineses armas, aviões e peças de reposição no valor de US$ 83 milhões. Com essa “parceria”, os sudaneses ganham a confiança necessária para desafiar a ONU e os EUA.AE
Out
7
Internacional - América do Sul
Há uma semana, o governo peruano anunciou que apresentará em novembro uma denúncia contra o Chile na Corte Internacional de Justiça, em Haia, na Holanda. O Peru insiste em redesenhar sua fronteira marítima com o vizinho, reacendendo a hostilidade latente entre os dois países e escancarando os distúrbios de um continente que esconde muito mais conflitos do que se imagina.
‘A disputa entre Chile e Peru é um retrato da principal contradição da América Latina, um continente que fala em integração, mas ainda não definiu questões básicas como as fronteiras de seus Estados’, afirmou por telefone ao Estado a chilena Ximena Fuente Torrijo, professora de direito internacional da Universidade do Chile. Contenciosos como esse, segundo ela, levam em média de quatro a seis anos para serem julgados em Haia.
A birra do Peru com o Chile é um resquício da Guerra do Pacífico (1879-1883) e envolve também a Bolívia. O conflito pela exploração de recursos naturais no Deserto do Atacama terminou com os chilenos tomando o porto de Antofagasta dos bolivianos e invadindo as cidades peruanas de Arica, Tacna e Lima.
O Chile devolveu Lima e Tacna, mas ficou com Arica e Antofagasta. Desde então, Bolívia e Chile vivem às turras. La Paz não mantém relações diplomáticas com Santiago e exige uma saída para o mar, reivindicação que se transformou em base fundamental da política externa boliviana. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Out
4
Seul - O líder da Coréia do Norte, Kim Jong Il, e o presidente da Coréia do Sul, Roh Moo-hyun, assinaram, nesta quinta-feira, um pacto de reconciliação com o objetivo de finalmente alcançar um tratado de paz que substitua o cessar-fogo que colocou fim a Guerra da Coréia. Os líderes assinaram o documento após três dias de reunião de cúpula em Pyongyang, a capital norte-coreana. Os dois países “concordaram em cooperar para colocar fim às hostilidades militares e assegurar a paz, além de diminuir as tensões na península da coreana”. Mas progressos substanciais irão requerer a participação dos EUA e da China, que também participaram do conflito. A Coréia do Norte nunca assinou o armistício de 1953 que colocaria fim à guerra. Os dois países prometeram incentivar transações econômicas, abrir um serviço regular de transporte de cargas pelas linhas de trem restauradas que cruzam seus limites territoriais e criar uma zona de pesca conjunta na fronteira marítima. (AE-AP)