Jun
24
Salvador - Já chegam a 152 os feridos por fogos de artifício em Cruz das Almas (BA), a 146 quilômetros a sudoeste de Salvador. A cidade, que tem na guerra de espadas (artefatos feitos com tocos de bambu recheados com pólvora e limalha de aço) a maior tradição nas comemorações juninas, contabilizava 152 queimados entre o dia 13 - festa de Santo Antônio - e a noite de hoje, Dia de São João.
Apenas entre a noite de ontem e a manhã de hoje, período de maior concentração de casos, 80 pessoas ficaram feridas, mas a expectativa da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) é que o saldo final dos festejos, que será divulgado amanhã, seja menor que o de 2007, quando houve 305 casos de queimaduras durante as comemorações no município.
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Set
9
Juíza de Cruz das Almas (BA) é suspeita de ligação com Gustavo Durán.
Ela já o absolveu após polícia encontrar cocaína em fazenda.
O Tribunal de Justiça da Bahia decidiu investigar o envolvimento de uma juíza com um dos maiores traficantes de drogas que já atuaram no Brasil. Gravações da Polícia Federal revelaram uma proximidade suspeita entre a juíza Olga Regina Santiago Guimarães, de Cruz das Almas (Bahia), e o colombiano Gustavo Durán Batista, preso no mês passado.
Olga é suspeita de envolvimento com o traficante colombiano, que foi preso no Uruguai com 500 kg de cocaína. A droga era do cartel colombiano de Juan Carlos Ramirez Abadia, o Chupeta, capturado em São Paulo também no mês passado.
Gustavo Durán já foi réu de Olga em Juazeiro. Em uma fazenda de frutas do colombiano, a polícia encontrou, em 2001, cocaína e dezenas de caixas com fundo falso. Processado, Gustavo Durán foi absolvido pela juíza Olga Guimarães.
A descoberta de drogas na fazenda provocou uma grande investigação internacional. Gustavo Durán Bautista é acusado de mandar para a Europa mais de 5 toneladas de cocaína em caixas de frutas. Essa mesma investigação - que recentemente levou à prisão do traficante - apontou que ele e a juíza Olga, atual diretora do Fórum de Cruz das Almas, mantiveram muitos contatos até pouco tempo atrás.
Interceptações autorizadas pela Justica Federal flagraram diversas ligações da juíza e do marido dela, Baldoíno Santana, para o traficante. O Jornal Nacional teve acesso às transcrições dos telefonemas.
Numa ligação, a juíza diz que “esteve na lá Polícia Federal e que estava tudo OK com as fichas de antecedentes”. Durán responde: “Ah, que bom”, e completa: “Tá bom doutora, amanhã eu vou colocar aquele negócio que o senhor Balduíno me falou”. Olga finaliza: “Tá certo, muito obrigado e boa sorte!”.
As interceptações flagraram o pagamento de dinheiro. O marido da juíza telefona para o traficante e diz que não caiu nenhum depósito na conta. Durán se compromete a depositar na manhã seguinte.
Em outra ligação, o traficante informa Balduíno que “só conseguiu depositar R$ 14,8 mil porque está meio apertado”. O marido da juíza agradece o que Durán fez por ele.
As investigações comprovaram que no mês de junho Olga e o marido dela foram visitar a família do traficante em uma casa no Morumbi, na Zona Sul de São Paulo. O encontro foi confirmado pela filha mais velha do colombiano em depoimento à Polícia Federal. Ela disse que o pai e a juíza conversaram reservadamente e que não foi a primeira vez que eles estiveram juntos.
A juíza foi procurada insistentemente pela reportagem, que recorreu até a Associação dos Magistrados da Bahia e ao Tribunal de Justiça, em Salvador, mas nem ela nem o marido quiseram atender a reportagem.
O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Benito Figueiredo, abriu inquérito criminal para apurar as ligações de Olga com o traficante colombiano.
“O julgamento será com isenção sem nenhum protecionismo, nem político nem pessoal. Isso eu tenho absoluta segurança”, disse.
Lidivaldo Britto, procurador-geral da Bahia, acha que se trata de uma situação bastante delicada. “Acho que seria razoável o afastamento dela para que o tribunal pudesse apurar todos os fatos”.
G1