Mar
5
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou multas com valor total que ultrapassou R$ 3 milhões em Tailândia, no Pará, até ontem, segundo balanço divulgado hoje pela Polícia Federal (PF). Durante a Operação Arco de Fogo, iniciada no dia 25 na cidade para conter o desmatamento da Amazônia, a PF apreendeu 4,9 mil m³ de madeira, 845 metros de carvão, 13 motosserras, dois tratores, um caminhão e equipamentos de serraria. Nove estabelecimentos também foram interditados.A PF instaurou dois inquéritos e seis termos circunstanciados, voltados para a apuração de crimes menores. Durante a ação, que também conta com agentes da Força Nacional de Segurança (FNS), 415 carvoarias terminaram derrubadas.
Sessenta delas foram destruídas pelos próprios donos, que, com isso, pretendiam evitar problemas com a fiscalização.
Estima-se que esses fornos consumiam mais de 11.600 árvores de porte médio em um mês. Segundo a PF, as madeiras mais encontradas são das espécies ipê, angelim vermelho, maçaranduba, melanciero, guajará, louro, taxi, pequiá e tatajuba.
Jan
26
Folha Online Um dia depois de o governo federal anunciar a suspensão da licença para desmatar em 36 municípios, que concentram 50% do desmatamento na Amazônia, tratores continuaram derrubando árvores em áreas de Alta Floresta e Paranaíta (MT, a 830 km de Cuiabá), revela reportagem publicada neste sábado na Folha de S.Paulo .
A reportagem da Folha sobrevoou, em um monomotor, partes de floresta derrubadas para abrir caminho à agricultura e à pecuária. A reportagem constatou que o ritmo da devastação não parece ter sido alterado pelo anúncio das recentes medidas de controle e que as medidas adotadas podem ter chegado tarde demais.
O método da devastação começa com madeireiros derrubando com motosserra árvores selecionadas, que depois vão se transformar em madeiras nobres. Em seguida, vêm os tratores, que derrubam as árvores remanescentes e que, depois, serão queimadas, para limpar a área que será usada pelo gado.
O ambientalista Laurent Micol, que atua na região pela organização não-governamental ICV (Instituto Centro de Vida), afirmou que a recuperação financeira do agronegócio é a hipótese mais provável para explicar o avanço sobre novas áreas. “Desmatamento é investimento por parte do produtor rural. E ele só pode fazer isso se estiver capitalizado.”
Após o sobrevôo, a reportagem procurou o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente, em Brasília. As assessorias dos dois órgãos não encontraram ninguém para comentar o caso até as 19h40. Em Alta Floresta, na sede do Ibama, também ninguém atendeu o telefone.
Jan
25
Diante do aumento da área desmatada na Amazônia de agosto a dezembro de 2007, o governo anunciou ontem que os bancos oficiais estão proibidos de financiar máquinas e plantio de safra das propriedades que tenham feito derrubada ilegal da floresta. Haverá também o bloqueio das fazendas envolvidas no crime ambiental. E vão responder solidariamente os que comprarem ou transportarem produtos de quem derrubou a mata.Após reunião emergencial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, divulgou uma lista de 36 municípios campeões em desmatamento - 19 em Mato Grosso, 12 no Pará, 4 em Rondônia e 1 no Amazonas. A Polícia Federal iniciará no dia 21 uma operação nesses locais. O Ministério da Agricultura também enviará equipes com a determinação de visitar as áreas desmatadas.
No ano passado, o governo estima ter bloqueado 234 mil hectares de propriedades envolvidas em desmatamentos ilegais. Marina disse que decreto assinado pelo presidente no dia 21 de dezembro vai tornar mais ágil o processo de embargo das terras.
Uma portaria regulamentando o decreto deve ser publicada hoje no Diário Oficial, com detalhes de bloqueios e regras de proibição de créditos. Também está proibida autorização de desmate nos 36 municípios da lista de maior derrubada. O campeão é São Félix do Xingu, seguido de Cumaru do Norte, no Pará. O desmatamento em Marcelândia, Querência e Colniza, em Mato Grosso, também foi alto.
Jan
25
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao reclamar da falta de empenho de governadores aliados no combate ao desmatamento causou constrangimento no Palácio do Planalto. Logo após a entrevista dela para falar do problema na Amazônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou assessores dizerem à imprensa que não era hora de acusações, mas de tomar providências.Lula acompanhou parte da entrevista no gabinete um piso acima do local onde estava a ministra. Marina Silva havia começado a entrevista criticando o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), e de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido), de retirarem policiais militares de ações integradas de combate ao desmatamento. “Estamos vivendo um momento atípico, um período de estiagem longa, um período eleitoral, onde temos muita dificuldade de operar com os agentes locais”, disse Marina.
“É só verificar o que aconteceu em Rondônia, onde estávamos com uma operação com a policia ambiental do Estado, os agentes da Polícia Federal e o Ibama”, completou. “E o governador deu uma ordem unida para que os 45 policiais militares nos deixassem completamente à deriva, numa operação que eles deveriam nos dar suporte.”
Contravenção
Ela observou que a decisão de Cassol, que teria ocorrido anteontem, tem acontecido em outras situações, inclusive em Mato Grosso. No decorrer da entrevista, Marina foi questionada sobre o fato de os três estados com maiores índices de desmatamento - Mato Grosso, Pará e Rondônia - serem governados por aliados do Planalto. Blairo Maggi chegou a indicar um ministro para a pasta da Agricultura e mantém boas relações com governo.
“Num processo republicano você não opera com essa lógica de que a contravenção é de aliado ou de não aliado, a contravenção deve ser combatida com igual rigor para todos”, se limitou a dizer a ministra. A ministra e os assessores não abordaram a questão da grilagem de terras públicas, considerada por especialistas como uma das principais causas do desmatamento irregular na Amazônia.
Jan
24
O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, anunciou hoje em entrevista no Palácio do Planalto, ao lado da ministra Marina Silva, que nos 36 municípios da Amazônia com maiores índices de desmatamento estão proibidas emissões de novas autorizações de derrubada da mata e que o embargo de propriedades em que ocorrerem desmatamentos ilegais será obrigatório.
Segundo o secretário, nos últimos três anos houve redução de 59% no desmatamento. Apesar do desmatamento “nunca visto” registrado em novembro e dezembro do ano passado, ele assegurou que “não está havendo aumento de desmatamento na Amazônia, isso não aconteceu”.
Ele assegurou que o desmatamento recorde de novembro e dezembro é “localizado” e que o sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) permite o acompanhamento em tempo real justamente para verificar esses episódios e “impedir que tendências isoladas permaneçam”.
Segundo Capobianco, “não há como afirmar que as medidas (adotadas pelo governo) não dão resultado”, pois houve redução do desmatamento em três anos consecutivos.
“No ano passado, foi o melhor índice de desmatamento desde 1991, quando tínhamos muito menos população na Amazônia e a capacidade de integração era muito menor. O desafio é que nós possamos, em 31 de julho de 2008, comemorar o 4º ano de redução. Isso exigirá um esforço redobrado.
Jan
24
O Ministério do Meio Ambiente promete divulgar nesta sexta-feira (25) o nome de aproximadamente 30 municípios que vão integrar uma lista suja dos maiores responsáveis pelo desmatamento na Amazônia. “Estamos em fase de finalização”, afirmou a ministra Marina Silva.Nos municípios que estiverem na lista, o governo vai promover um recadastramento de todos os imóveis rurais, por georreferenciamento.
Aqueles em que for constatada derrubada ilegal de floresta, serão alvo de embargo, ou seja, não poderão vender sua produção nem terão acesso a crédito. Também será penalizado quem comprar ou transportar produtos adquiridos junto aos embargados.
“A intenção é exatamente reforçar a fiscalização em uma região responsável por cerca de 40% a 50% do desmatamento na Amazônia”, ressaltou Silva.
Jan
23
Dados preliminares divulgados hoje (23) pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam um desmatamento na região amazônica de 3.235 quilômetros quadrados entre agosto e dezembro de 2007.
Os órgãos não falam em crescimento percentual pela indisponibilidade de informações completas do mesmo período de anos anteriores. Mas segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o número representa uma tendência “preocupante” de aumento.
“O governo não quer pagar para ver. Não vamos aguardar a sorte, e sim, trabalhar para fazer frente a esse processo”, disse a ministra.
A maior parte dos desmatamentos detectados no período se concentrou em três estados: Mato Grosso (53,7% do total desmatado), Pará (17,8%) e Rondônia (16%).
Segundo Marina, os números serão debatidos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva amanhã (24), às 9h, em reunião no Palácio do Planalto.
No encontro, que terá participação de outros ministros, serão discutidas as medidas para fortalecer a fiscalização nos locais considerados mais críticos.
De acordo com o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, municípios como São Felix do Xingu e Cumaru do Norte, ambos no Pará, e Comiza, em Mato Grosso, são cidades que tradicionalmente apresentam altos índices de desmatamento.