A Sílvia Calabresi Lima, de 42 anos, que atua nos setores de construção e confecção e mantinha, há dois anos, uma menina em cativeiro dentro de seu apartamento no elegante Setor Marista, um bairro nobre de , foi presa hoje em flagrante, sob a acusação de e cárcere privado. A menina, que tem 12 anos, foi adotada, irregularmente, por Sílvia em 2006 e, aparentemente, mantinha boas relações com a mãe biológica, que trabalhou para a como doméstica.”Ela me afogava no tanque, apertava a minha língua com alicate, enforcava com fio, e me deixava amarrada na área de serviço”, disse a menina. A prisão de Sílvia foi feita pela delegada Adriana Accorsi, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). “Nunca vi um caso assim”, afirmou Adriana, que apreendeu na residência instrumentos como alicate de unha, que teriam sido usados para ferir a menina na língua, costas, mãos e pés. “Ela (a ) foi denunciada por vizinhos”, disse.

Além de Sílvia, no apartamento, moravam três filhos dela - todos meninos, um deles menor, de 6 anos - e o marido, o engenheiro civil Marco Antônio Calabresi Lima. Todos eles, com exceção do menor, poderão responder a inquérito por omissão, segunda a polícia, pois sabiam das sessões de mas não impediram. Um dos filhos da é estudante de engenharia. Mas, afirmou, todos temiam a agressividade da mãe.

A polícia, no entanto, prendeu a empregada da casa, Vanísia, que se defendeu: “Ela me mandava amarrar a menina e passar pimenta nela”, disse, na delegacia. Na hora da invasão do apartamento, a menina foi encontrada com o olho roxo e apresentava um corte na língua. A garota, segundo a mãe biológica, foi dada em adoção para, assim, ter uma família, estudar e “crescer na vida”. O que ela não sabia era do preço das conquistas: “Nunca imaginei que a d. Sílvia faria uma coisa dessas”, disse. Segundo a polícia, a adoção foi irregular e, por isso, a menor foi conduzida a um abrigo do Conselho Tutelar.

Na , descobriu-se, por exemplo, que desde 2007, a garota não freqüentava a escola. “É impossível não se comover com o caso da menina”, afirmou a delegada. “Não é um caso comum, mas, infelizmente, nós (da polícia) acreditamos que existam outras situações como essas, de adoções irregulares seguidas de maus-tratos”, alertou.

Clicky Web Analytics