Set
11
Por conta da exploração da camada do pré-sal, localizada abaixo do leito marinho, o Brasil poderá se tornar uma “economia petrolífera” a partir de 2020, quando o País deverá exportar 1,4 milhão de barris de petróleo por dia, obtendo uma receita naquele ano de US$ 37 bilhões a US$ 63 bilhões, dependendo do preço do barril. As simulações foram apresentadas ontem pelo economista Antonio Barros de Castro, assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante palestra no seminário comemorativo dos 200 anos do Ministério da Fazenda. Em 2025, as exportações poderão chegar a 3,3 milhões de barris por dia, com receitas entre US$ 93 bilhões e US$ 158 bilhões.
Para evitar os efeitos negativos da excessiva entrada de dólares no País, principalmente uma supervalorização do real, e permitir que a indústria nacional tenha tempo para se adaptar à nova realidade econômica criada pelo pré-sal, Castro defendeu o controle pelo governo da velocidade de exploração do petróleo. O economista coordenador do grupo de Petróleo, Gás e Etanol do BNDES, citou três razões que fortaleceriam a sua tese.
Em primeiro lugar, lembrou que serão necessários vultosos investimentos para explorar o pré-sal. A segunda razão é que a indústria naval brasileira precisa de tempo para se tornar capaz de fornecer os navios, embarcações e plataformas que serão utilizadas na exploração do pré-sal. A terceira razão apontada por Castro diz respeito às adaptações do setor industrial brasileiro à nova realidade econômica, o que levará algum tempo. “São três fortíssimas razões para segurar a velocidade de produção do pré-sal”, afirmou o economista.AE
Ago
26
O faturamento bruto do setor agropecuário poderá atingir R$ 288,6 bilhões em 2008, o que representa crescimento de 28,95% sobre o ano anterior. A estimativa foi divulgada hoje pelo superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta. De acordo com ele, o crescimento é resultado tanto da expansão da produção, em especial da safra de grãos, como do aumento verificado nos preços.
A CNA também divulgou o resultado das exportações agrícolas em julho. Os embarques no mês somaram R$ 7,9 bilhões. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, as vendas de produtos agrícolas renderam US$ 41,7 bilhões, valor que supera em 30% o total das exportações do setor no mesmo período do ano passado. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, a CNA informou que o crescimento foi de 4,96% no acumulado de janeiro a maio deste ano.
O segmento de insumos cresceu 2,39% e o da produção primária, dentro das porteiras das fazendas, 1,9% em maio, resultados que representam mais que o dobro da variação em igual período de 2007. No acumulado do ano (até maio), o PIB dos insumos apresenta taxa de crescimento de 10,37% e a produção primária soma 8,04%. “Na prática, tais resultados não demonstram ganhos de rentabilidade para o produtor, que aumentou sua produção mas enfrenta elevação dos preços dos insumos e, conseqüentemente, dos custos de produção”, afirmou Cotta, em entrevista coletiva na sede da CNA, em Brasília.AE
Jan
30
O bife brasileiro vai ser provisoriamente banido dos pratos portugueses e europeus, depois da suspensão pela União Européia (UE) das importações de carne bovina do Brasil, anunciada em Bruxelas.
A UE decidiu suspender a partir de amanhã (31) a importação de carne devido à insuficiência de garantias sanitárias e de qualidade dadas pelo maior país sul-americano, anunciou fonte oficial na capital belga.
Brasília tinha sido avisada em dezembro de 2007 de que, a partir de 31 de janeiro deste ano, a importação de carne bovina seria suspensa, caso não fosse exclusivamente proveniente de pastos selecionados que respeitassem as regras sanitárias em vigor na UE.
As autoridades brasileiras propuseram um conjunto de 2.600 propriedades, que não foram aceitas pelas instâncias comunitárias, de acordo com o comissário europeu para a Saúde, Markos Kyprianou.
A mesma fonte precisou que a suspensão das importações é temporária, mas, para ser levantada, cada uma das propriedades constantes da lista das autoridades brasileiras terá de ser alvo de uma cuidadosa inspeção e verificação da documentação legal.
Em novembro de 2007, veterinários europeus que visitaram o Brasil identificaram “várias deficiências graves nos sistemas de verificação e nas condições sanitárias”, especificamente em três estados brasileiros atingidos por um surto de febre aftosa.
Um princípio defendido pela União Européia é de que os animais têm de fazer uma quarentena antes de ser abatidos.
Os animais oriundos de certas explorações deverão cumprir uma quarentena de 90 dias num território aprovado pela UE, a que se soma um outro período de 40 dias na exploração antes do abate, num total de 130 dias.
A listagem das explorações será estabelecida com base na informação fornecida pelas autoridades brasileiras competentes e a UE reserva-se o direito de fazer inspeções, através dos seus serviços veterinários.
O Brasil é o primeiro exportador mundial de carne bovina, com 2,3 milhões de toneladas por ano (US$ 4,5 bilhões em 2007), um terço do total mundial. Mas o conflito com a UE já se arrasta há dois anos, depois de o alarme ter sido dado pelo Reino Unido e pela Irlanda.
O britânico Neil Parish, presidente da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, que anda há pelo menos um ano e meio empenhado na suspensão da importação de carne bovina brasileira, precisamente devido ao surto de febre aftosa, saudou a decisão comunitária, que classificou de “sinal dado ao governo” de Luiz Inácio Lula da Silva.
Padraig Walshe, presidente da Federação dos Agricultores Irlandeses (IFA), condenou as autoridades brasileiras por terem feito “ouvidos de mercador” à UE.
E concluiu que “o Brasil não está à altura de controlar o surto de febre aftosa, os movimentos dos animais e a sua verificação, nem de cumprir os necessários requisitos sanitários”.