Caracas - Os partidos aliados ao presidente da , Hugo Chávez, poderão perder pelo menos dez governos regionais nas eleições previstas para novembro, que irá definir os novos governadores, prefeitos e conselhos legislativos. De acordo com o sociólogo da Universidade Central da Javier Biardeau, a aliança política de Chávez está enfraquecida desde a derrota no referendo sobre a reforma constitucional, em dezembro do ano passado.

“Essas eleições serão complicadas porque a aliança política de Chávez está debilitada, do ponto de vista da força política e do ponto de vista social, pois há uma perda de apoio frente a algumas candidaturas que não traduzem as demandas e aspirações das bases em cada uma das regiões e municípios”, analisa.

Biardeau estima que cerca de 40% dos eleitores chavistas não compareceram às urnas na votação do referendo. Ele prevê que, se isso acontecer novamente, a derrota será inevitável. “Se não houver um efetivo processo de mobilização, Chávez pode perder entre dez  e 12 governos, o que significa uma derrota política se analisarmos que no cenário anterior, ele controlava basicamente 23 dos 27 governos do país”, avalia.

O sociólogo rejeita a idéia de que Chávez esteja apresentando uma mudança em seu discurso sobre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia () para obter melhores resultados nas eleições. Ele garante que há um mal-entendido, e que o presidente venezuelano sempre defendeu que a via da luta armada não é o melhor caminho para que as cheguem ao poder, mas sim uma saída política negociável.

“É possível que Chávez esteja dando mais ênfase, neste momento, à necessidade de que as declarem politicamente que a via armada está completamente bloqueada para obter os objetivos políticos”, explica.Agência

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, informou ontem que uma procurada guerrilheira das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia () se entregou à polícia secreta DAS, no noroeste do país. “Faz muito tempo que estávamos atrás dessa mulher”, disse Santos. “Sempre havia escapado e desta vez o DAS e o Exército fizeram a operação para que ela se entregasse, explicou o ministro à rádio RCN.

Identificada como Eldaneyis Mosquera e mais conhecida pelo codinome “Karina”, a rebelde se entregou na tarde de domingo na zona rural do município de Argelia, no departamento (Estado) de Antioquia, 150 quilômetros a noroeste de Bogotá, indicaram funcionários da DAS. O general Juan Pablo Rodríguez, comandante da IV Brigada do Exército, com jurisdição na região de Antioquia, disse que a guerrilheira foi levada em uma operação com dois helicópteros, na zona rural, e transportada para a sede da Brigada.

Imagens de emissoras locais, de Medellín, capital de Antioquia, mostraram a guerrilheira, uma mulher robusta e morena, vestida com calças, casaco escuro e um colete à prova de balas com as insígnias da DAS. Santos afirmou que, junto com a rebelde, entregou-se também Abelardo Montes, outro insurgente que, segundo informações, era companheiro e chefe de segurança de Eldaneyis.AE

Seis soldados colombianos morreram terça-feira quando caminhavam por um campo minado durante a perseguição a uma coluna de guerrilheiros esquerdistas, informou o Exército. Outros cinco soldados ficaram feridos nas explosões, que ocorreram numa região localizada a 245 quilômetros ao sul de Bogotá, disputada por rebeldes esquerdistas, paramilitares de direita e forças de segurança.

O Exército responsabilizou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia () pela colocação das minas terrestres no local. O porta-voz do Exército, sargento Luis Enrique Hernandez, disse que ainda aguarda maiores detalhes sobre o ataque, mas confirmou que os combates continuam na região. A Colômbia registra uma das maiores taxas de mortos e feridos por minas terrestres do .

Um guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (), detido na semana passada, confirmou ontem que o estado de saúde da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt é muito delicado. Heiver Uriel Rodríguez Cruz, considerado como o médico da cúpula da guerrilha, levou à Justiça colombiana uma ficha clínica de Ingrid. De acordo com ele, Ingrid teria gastrite crônica com refluxo do esôfago, malária, síndrome do cólon irritável e dor aguda em uma região do abdome.

A revelação foi feita na noite de sexta-feira pela rede de televisão Caracol. Rodríguez Cruz disse à Justiça ter examinado a refém recentemente, sem especificar a data. Reféns libertados e testemunhas que tiveram contato com ela já haviam informado que Ingrid, seqüestrada em 2002, sofria de hepatite B e leishmaniose.

Com base nessas informações, a França enviou à Colômbia, na quinta-feira, operação humanitária para levar atendimento médico a Ingrid, que também tem cidadania francesa. No entanto, as não autorizaram a missão e não permitiram que os franceses se deslocassem até San José del Guaviare, onde acredita-se que Ingrid esteja.

Enquanto a missão permanece em Bogotá à espera de um sinal verde da guerrilha, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, se disse pronto para viajar para a fronteira da com a Colômbia com seu colega venezuelano, Hugo Chávez. “Se houver essa esperança, os dois irão ao encontro de Ingrid”, garantiu o chanceler da França, Bernard Kouchner. Com informações de agências internacionais.

O chefe de polícia da Colômbia, Oscar Naranjo, disse hoje que outros documentos recuperados de um laptop de um líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia () mostram que os rebeldes, aparentemente, estavam interessados em comprar .

“Quando eles mencionam negociações por 50 quilos de , isto significa que as estão dando grandes passos no do terrorismo para se tornarem um agressor global. Não estamos falando de guerrilha doméstica, mas de terrorismo transnacional”, disse, sem dar mais detalhes.

Essas e outras supostas ligações entre as e os presidentes da , Hugo Chávez, e do , Rafael Correa, foram repudiados pelos respectivos governos. “Estamos acostumados as mentiras do governo colombiano”, disse o vice-presidente da , Ramon Carrizalez, rejeitando as acusações de financiamento para os rebeldes.

“Tudo que eles disserem não tem importância. Eles podem inventar qualquer coisa agora para tentarem escapar daquela violação do território equatoriano que eles cometeram”, acrescentou.

Raúl Reyes, o segundo homem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (), foi morto pelo Exército colombiano com mais 16 guerrilheiros, segundo afirmou hoje o ministro da Defesa do país, Juan Manuel Santos.

O ministro da afirmou que Reyes foi morto dentro do território equatoriano, a 1.800 metros da fronteira com a Colômbia. Santos alegou, porém, que o ataque partiu do território colombiano e que o presidente equatoriano, Rafael Correa, foi informado da operação.

Aeronaves da inteligência teriam detectado uma comunicação por satélite feita pelo líder rebelde, que permitiu a sua localização exata. Segundo Santos, a Força Aérea colombiana atacou o acampamento sem violar o espaço aéreo do . Após o ataque, militares colombianos entraram no país vizinho para garantir a segurança da área e neutralizar o inimigo até a chegada de autoridades equatorianas.

O ministro da Defesa afirmou que os corpos de Reyes, de Guillermo Enrique Torres, conhecido como Julián Conrado, e de outros 15 guerrilheiros foram levados para o lado colombiano para evitar que a guerrilha tentasse recuperá-los. Um soldado também foi morto na operação.

A morte do líder guerrilheiro, considerado o rosto público e um dos principais porta-vozes da facção, é uma das principais vitórias da política de segurança do presidente colombiano, Álvaro , que conta com o apoio dos Estados Unidos e mantém desde 2002 uma ofensiva contra as .

Reyes, cujo verdadeiro nome era Luis Edgar Devia, foi um antigo dirigente sindical que entrou para a guerrilha colombiana há quase três décadas e cuja recompensa por informações que ajudassem em sua captura ou morte era de mais de US$ 2,7 milhões.

Freqüentemente, Reyes era mencionado como um provável substituto de Manuel Marulanda Vélez, o Tirofijo, número um do grupo.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu hoje que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertem a colombiana Ingrid Betancourt - que também tem nacionalidade francesa -, e disse estar disposto a ir pessoalmente buscá-la, se fosse a condição exigida pela guerrilha.

Sarkozy fez este pedido às a partir da África do Sul, onde realiza uma visita oficial, um dia depois de dois ex-parlamentares colombianos, libertados nesta quarta-feira pela guerrilha, afirmarem que Betancourt está “muito mal”.

São testemunhos “arrasadores” sobre “uma crueldade e uma barbárie”, afirmou o chefe de Estado francês, cujas declarações foram retransmitidas por emissoras em Paris.

“As têm que saber e entender que o martírio que impõem a Ingrid Betancourt é um martírio que infligem à França“, disse.

Ao solicitar que a guerrilha liberte Betancourt sem demora, Sarkozy disse que é “uma questão de vida ou morte”, “uma questão de urgência humanitária”.

“Não podem deixar esta mulher morrer”, disse Sarkozy.

Acrescentou que, “como deseja” o presidente venezuelano, Hugo Chávez, está “disposto a ir pessoalmente à fronteira da com a Colômbia buscar Ingrid Betancourt, se fosse uma condição imposta pelas ”.

A da Colômbia disse que já está em contato com o grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia () em uma tentativa de garantir a libertação de mais reféns em poder dos guerrilheiros.

O presidente da Conferência Episcopal da Colômbia (CEC), Luis Augusto Castro, disse que está mantendo contatos “discretos” com os rebeldes para que eles concordem com uma visita de representantes da Cruz Vermelha a mais de 40 reféns, incluindo a ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt.

O governo oferece às um encontro em uma zona neutra para discutir o acordo para a libertação.

Segundo as autoridades colombianas, o local teria cerca de 150 quilômetros quadrados, de preferência em área rural pouco povoada e sem postos militares ou policiais.

Reféns libertadas

Na segunda-feira, o presidente Álvaro se reuniu, ao lado do alto comissário para Paz da Presidência, Luis Carlos Restrepo, e de outros representantes do governo, com as reféns libertadas Consuelo González e Clara Rojas.

Durante a reunião, eles discutiram possíveis locais para o encontro com as .

Restrepo sugeriu ainda que o lugar pode ser decidido em um encontro com o “chanceler” das , Rodrigo Granda.

As libertaram as duas reféns na semana passada. A ex-parlamentar Consuelo González apresentou cartas de alguns dos reféns que deixou para trás, no cativeiro, e que revelam o sofrimento físico e mental deles.

Desde o final de 2006, quando decidiu encerrar a mediação do presidente venezuelano Hugo Chávez com as , autorizou a do país a entrar em contato com o grupo guerrilheiro.

A advogada e ex-refém das (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Clara Rojas, declarou-se a “mulher mais feliz do “, ao rever seu filho Emmanuel, 3, após três anos separados.

As cenas do reencontro –que ocorreu em local não identificado em Bogotá– foram divulgadas em vídeo pelo Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF).

“Eu me sinto a mulher mais feliz do e mais orgulhosa com o meu bebê. Ele está divino, tem um olhar lindo”, disse Rojas, emocionada.

A custódia do garoto foi concedida a ela provisoriamente, até que os trâmites para a guarda permanente se encerrem, provavelmente no prazo de duas semanas.

A diretora do ICBF, Elvira Forero, explicou que Rojas e Emmanuel passarão por “sessões de conhecimento” para que o menino forme vínculos com a família e tenha a “qualidade de vida que merece”.

Ao detalhar seu encontro com o menino, Rojas disse, em voz pausada, que tem sido “uma sensação maravilhosa”.

Rojas voltou a pedir compreensão dos meios de comunicação e de todo o . “Venho em um processo forte de esgotamento. Então, quero pedir para ficar tranqüila”, afirmou.

Ela disse que sua mãe, Clara González de Rojas, Emmanuel e ela própria passarão por tratamentos médicos, e precisam descansar “uns dias, semanas ou meses”.

Mais uma vez, Rojas agradeceu a “todos os concidadãos, compatriotas e amigos do ” pelo bem que fizeram a ela e a seu filho.

Emmanuel ainda sofre seqüelas de seu tempo em cativeiro. Uma fratura em um braço durante o nascimento ainda o impede de fechar a mão. Emmanuel sofreria ainda problemas psicomotores. Ele foi entregue a um orfanato com malária, leishmaniose e diarréia aguda.

O garoto é fruto de uma relação consentida entre Rojas e um guerrilheiro.

Na última quarta-feira, Rojas foi libertada com a ex-congressista Consuelo González depois de mais de cinco anos em poder das . A operação de resgate das duas reféns foi conduzido pelo governo da .

O presidente da , Hugo Chávez, disse neste domingo que ainda aguarda informações das (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) sobre a libertação de dois reféns que os rebeldes prometeram entregar a ele nas últimas semanas.

“Nós continuamos esperando novos contatos para a libertação de Clara (Rojas) e Consuelo (Gonzalez)” disse o presidente em seu programa semanal de TV, Alô Presidente.

Chávez manifestou satisfação com o fato de ter-se descoberto que o filho de Clara Rojas, Emmanuel – que seria um dos libertados pela guerrilha – foi encontrado em um orfanato, mas evitou fazer comentários sobre os últimos acontecimentos no caso.

“Mais importante que qualquer versão, enfoque ou discurso político, o mais bonito e importante é que Emmanuel está livre,” disse.

Na sexta-feira, um exame de DNA indicou que um menino encontrado em um orfanato em Bogotá era Emmanuel, confirmando a hipótese do presidente da Colômbia, Álvaro , que acusou as de atrasarem a entrega dos reféns porque não tinham a criança em seu poder.

Horas depois, a guerrilha confirmou que há meses Emmanuel havia sido entregue a uma família em Bogotá.

Emmanuel continua no orfanato e poderia ser entregue à família da refém nos próximos dias.

Reforma ministerial

Também no programa, Chávez confirmou a troca do vice-presidente e dos titulares em 12 Ministérios.

Ramón Carrizales, que representa a aliança com o setor empresarial, assume a Vice-Presidência no lugar de Jorge Rodríguez, considerado por alguns setores chavistas como um dos responsáveis pelo fracasso da campanha do referendo de 2 de dezembro.

O presidente venezuelano disse que, com as mudanças, espera ver “uma gestão eficiente”.

“Necessitamos de eficiência. Fazer as coisas previstas e fazer bem”, afirmou Chávez, criticando a incapacidade de encontrar soluções para problemas como a coleta de lixo e a insegurança.

“Hoje, dia de Reis, deve ser o dia dos três Rs (…) reflexão, retificação e ‘reimpulso’ revolucionário”, disse.

“Além das palavras, precisamos de fatos concretos, visíveis, palpáveis.”

Classe média

Pela primeira vez em quase nove anos de governo, Chávez se dirigiu à classe média como parte “essencial” de seu projeto político.

“As classes médias são a essência deste projeto. Todos que estamos aqui somos de classe média, de setores populares, mas de classe média do ponto de vista sócio-econômico”, disse.

De olho no desenvolvimento industrial e na economia, que fechou o ano com crescimento de 8,5%, o presidente venezuelano convocou seus partidários a “atacar o sectarismo” e a incluir os empresários venezuelanos no que denominou como Pólo Patriótico.

Chávez também deu inicio à campanha das eleições para governadores e prefeitos, que serão realizadas no final do ano.

O presidente associou uma possível volta da oposição ao governo em alguns Estados à desestabilização do país.

“Se permitissem em Caracas que a Prefeitura fosse tomada pela contra-revolução (oposição), tenham certeza que de imediato se iniciaria uma . E voltariam a tirar a Chávez” disse o presidente, em referência ao golpe de Estado que sofreu em 2002.BBC

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