Jul
23
O tão sonhado carro novo pode se transformar em dor de cabeça, quando a única alternativa passa a ser se desfazer dele. Foi o que aconteceu com o diagramador Bruno Carli. Ele perdeu o emprego e ficou com 48 prestações do veículo que hoje vale, no máximo, R$ 25 mil. Mesmo depois de pagar 12 parcelas, para quitá-lo, ele precisa de mais de R$ 27 mil. “Eu corro o risco de perder o carro e ainda ficar com a dívida”, diz.
Segundo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), de janeiro a junho deste ano 1,3 milhão de veículos de passeio e comerciais leves em todo o país foram comprados por meio de Crédito Direto ao Consumidor (20,95%) ou via leasing (38,09%).
Os planos de financiamento são longos, as taxas de juros são anunciadas como as melhores do mercado e as parcelas são pequenas. Mas o consumidor precisa ter cuidado e analisar bem, porque quando o veículo sai da concessionária vai desvalorizar e, a dívida, aumentar.
“O pessoal usou um, dois anos o veículo, não consegue mais pagar a prestação porque esse carro chegou a ponto de exigir manutenção, novo licenciamento, aí são ofertados no mercado”, diz George Assad Chahade, presidente da Associação dos Revendedores de Veículos Automotores no Estado de São Paulo (Assovesp).
A associação constatou que, no último ano, mais de 36%, ou seja, cerca de 70 mil carros, que chegaram às revendas para troca, tinham prestações a pagar. Além disso, 50% deles – cerca de 35 mil carros – valiam menos do que os proprietários deviam.
Na opinião do economista Nelson Barrizzelli, a saída para quem estiver com dificuldade para quitar o financiamento é negociar. “O indivíduo teria que vender o carro e mais alguma coisa para ficar livre da dívida. Mas eu acho que os bancos e financeiras estão sempre dispostos a negociar porque é melhor negociar do criar bola de neve”.
Para a Fenabrave, número de pessoas com parcelas em atraso é pequeno e não chega a 40%. Ainda assim, eles reforçam o lembrete: o consumidor tem que fazer uma criteriosa conta antes de assumir um financiamento de longo prazo.
“Faça uma avaliação primeiro de sua possibilidade de se manter no emprego. Verifique o percentual que a responsabilidade do pagamento está em relação à renda total. Se ele observar esse equilíbrio não tem problema”, diz Sérgio Reze, presidente da Fenabrave.G1