Ago
8
A luta aparentemente interminável para impedir que o HIV invada as células humanas ganhou um aliado de peso: moléculas específicas de RNA (composto “primo” do DNA), que bloquearam com sucesso a entrada do vírus da Aids no organismo de camundongos. O teste, relatado por uma equipe internacional de pesquisadores, torna mais próxima a esperança de uma estratégia inovadora contra o parasita.
O trabalho está na mais recente edição da “Cell”, uma das principais revistas científicas do mundo. A equipe capitaneada por Premlata Shankar, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Texas Tech (EUA), desenvolveu uma forma inovadora de testar a abordagem de forma realista sem precisar recorrer a pacientes humanos. Os cientistas recorreram a camundongos “humanizados”.
Não, não se trata de algum horror mutante, mas apenas de roedores com uma mutação especial que lhes permite abrigar populações transplantadas de células humanas do sangue. Com isso, os bichos se tornam um modelo ideal para estudar a infecção por HIV, já que seu organismo passa a abrigar as cruciais células T humanas. São essas células do nosso sistema de defesa que mais sofrem com o HIV, sendo invadidas pelo vírus da Aids.
Os camundongos imunizados receberam doses especialmente preparadas de siRNAs (”pequenos RNAs de interferência”, na sigla inglesa). Parece complicado, mas o que essas pequenas moléculas aparentadas ao DNA fazem é, em essência, “desligar” genes sem interferir diretamente neles.
Nesse ponto, os pesquisadores precisaram resolver outro problema técnico: como “entregar” os siRNAs às células que poderiam ser infectadas pelo HIV. A solução envolveu grudar nas moléculas um anticorpo específico das células T, de forma que a mistura toda se grudaria ao alvo. Os siRNAs carregavam uma mistura de dois elementos: um trecho que desligaria um dos principais receptores do vírus nas células T e outro que inutilizaria genes essenciais para o funcionamento do HIV. Se o vírus da Aids fosse um carro, a primeira medida equivaleria a fechar a porta da garagem na frente dele; já a segunda seria parecida com arrancar o motor do carro, caso ele conseguisse entrar.
Para todos os efeitos, a coisa funcionou: o HIV foi impedido de se multiplicar pela medida. Agora, os pesquisadores precisarão de mais testes para refinar a fórmula e poder testá-la em seres humanos. G1
Abr
26
A neutralização de uma proteína humana poderá abrir caminho para o combate mais eficaz ao HIV, causador da aids. Sem ela, o vírus perde os meios para se multiplicar e dar continuidade à infecção do organismo, segundo pesquisa divulgada ontem no website da revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Os cientistas, liderados por Pamela Schwartzberg, do Instituto Nacional de Investigação sobre o Genoma Humano, dos Estados Unidos, conseguiram, em testes laboratoriais em culturas de células, bloquear uma infecção desativando a proteína ITK.
Segundo Pamela, a proteína é essencial na ativação de funções dos leucócitos T necessárias para a replicação do HIV, “incluindo a expressão dos genes do vírus e sua penetração na célula”. Com isso, a equipe demonstrou, na prática, que a neutralização da ITK (interleucina 2, quinase induzida de célula T), reduz drasticamente a capacidade do HIV de se reproduzir no organismo. “A ITK é uma proteína importante para ativar os leucócitos T, uma célula fundamental para o sistema imunológico normal, e um dos alvos principais da infecção por HIV”, explica um dos autores do artigo que descreve a nova técnica, Andrew Henderson, da Universidade Estadual da Pensilvânia.AE
Mar
24
O Ministério da Saúde lança hoje um plano específico de enfrentamento da aids entre gays, travestis e homens que fazem sexo com homens (HSH). As medidas, discutidas ao longo de vários meses, tentam atender a antigas reivindicações de organizações não-governamentais e barrar uma tendência preocupante: o aumento de casos da infecção entre gays jovens. Em 1996, relações homo ou bissexuais respondiam por 24,8% da forma de contaminação entre jovens de 13 a 24 anos. Em 2006, esse percentual havia subido para 41,1%. O número de casos provocados em relações heterossexuais também aumentou no período, mas de forma menos acentuada. Em 1996, ela respondia por 21,5% do total de casos entre 13 e 24 anos. Dez anos depois, esse percentual passou para 32,6%.Além das medidas, serão divulgados cartazes e folhetos feitos para o público gay, que deverá ser distribuído em locais específicos. No cartaz, está estampado a figura de um casal gay se abraçando. Uma versão de folhetos explicativos como se pega ou não aids foi feita para o público gay.
“A população homossexual tem uma vulnerabilidade 11 vezes maior. E não se viu, nos últimos anos, nada voltado para os jovens. O que todos julgam ser indispensável”, afirmou Mário Scheffer, do Grupo pela Vidda. Ele avalia que campanhas gerais de prevenção de aids chegam aos grupos de gays jovens. Mas isso não é suficiente.
“No início da epidemia, havia uma grande militância das ONGs na prevenção em áreas freqüentadas por homossexuais e bissexuais”, afirma. Algo que foi se perdendo com o tempo. “Hoje a doença não mobiliza como antes. Há muito menos voluntários, as ações são diferentes.”
Entre as propostas feitas por ONGs ao Ministério da Saúde, estava o estímulo do governo federal a municípios para que eles desenvolvessem ações de prevenção voltadas para o público gay. O grupo também sugeriu a contratação de agentes de saúde para atividades de prevenção voltadas a gays.
Jan
10
Um portador do vírus HIV obteve na Justiça o direito de receber os remédios Tipranavir e Fuzeon da prefeitura de Santos (SP) e do governo de São Paulo.
A decisão, da 2ª Vara da Fazenda Pública da cidade, foi divulgada pela Defensoria Pública hoje. Segundo a Defensoria, as Secretarias de Saúde da prefeitura e do Estado recusaram-se a entregar os medicamentos por não constarem na lista de fornecimento.
O portador, que está desempregado, não teria renda suficiente para comprá-los.
O tratamento dele prevê o uso mensal de uma caixa do Tripranavir, que custaria, em média, R$ 1,8 mil, e do Fuzeon, cujo valor seria de R$ 1,3 mil. De acordo com o órgão, foram expedidos os mandados de citação e intimação para as secretarias.
Dez
20
O Brasil está desenvolvendo uma pílula única - que combina três drogas já existentes e produzidas no país - para o tratamento de pacientes infectados pelo HIV, vírus causador da Aids. A dose fixa combinada, como é chamada, está entrando na fase final de testes e Read more