Abr
3
A Volkswagen anunciará um recall para os 477 mil carros da linha Fox vendidos no País, cumprindo determinação do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça. A convocação é para corrigir defeito no sistema de ampliação do porta-malas, que provocou mutilações em dedos de pelo menos oito consumidores. A empresa também negocia indenizações com essas vítimas e já fechou acordo com cinco delas, que receberão entre R$ 65 mil e R$ 90 mil.
A Volkswagen tem dez dias para informar seus procedimentos ao DPDC, mas acatará o recall envolvendo as versões Fox, CrossFox e SpaceFox. Desde o início das denúncias feitas por consumidores, que se acentuaram em fevereiro, a montadora se recusava a admitir a necessidade do recall e alegava que os consumidores não tinham lido o manual com instruções de como proceder para abaixar o banco traseiro e ampliar o porta-malas.
Para fazer o rebatimento do banco, o consumidor precisava puxar uma alça flexível que fica embaixo do banco traseiro para afastar ou aproximar o assento. Nos casos em que ocorreram os acidentes, os usuários encaixaram o dedo em uma argola metálica instalada para dar suporte à alça. Quando a argola é usada como apoio, uma mola é destravada, pressionando o dedo do usuário, numa ação parecida ao de uma guilhotina.
A empresa poderia ser multada em até R$ 3 milhões por ter colocado no mercado veículos que trazem risco à saúde e à segurança do consumidor, mas, na nota divulgada ontem, o DPDC não cita multas.
Após as denúncias, a empresa iniciou uma convocação informal, apenas em algumas localidades do País, sugerindo, a quem achasse necessário, levar o carro à concessionária para instalação de um anel de borracha para evitar o contato direto com a argola que provocou os incidentes. Mas o DPDC considerou essa medida insuficiente. Em nota divulgada ontem, a Volks não cita a palavra recall. Diz que “reafirma sua inteira disposição de definir solução que atenda às autoridades e aos usuários do Fox, especificamente no que se refere ao sistema de ampliação do porta-malas”.
A montadora informou ter colocado à disposição do público um site (www.vw.com.br/bancodofox) com informações sobre a operação de ampliação do porta-malas do carro. Também abriu uma linha direta para esclarecimentos (0800-019 8866), disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h, e aos sábados, das 8h às 14 horas.
INDENIZAÇÃO
“A Volkswagen lamenta os acidentes que ocorreram na operação do banco e, mesmo antes de qualquer decisão oficial, vem buscando junto aos clientes envolvidos melhores soluções para cada um dos casos. Dessa forma, dos oito clientes que recorreram à Justiça, a empresa chegou a acordo indenizatório com cinco”, diz o comunicado da montadora.
O DPDC decidiu pelo recall ontem, após reunião em Brasília com os Ministérios Públicos de São Paulo, Santa Catarina e Bahia, o Ministério Público Federal e o Procon de São Paulo, que investigaram as denúncias.
Segundo o DPDC, foi proposto pelos órgãos o “ajustamento de conduta à Volkswagen, incluindo a obrigatoriedade de recall” - convocação dos donos para fazer o reparo necessário e evitar novos danos. A empresa também deverá promover o recall em anúncios na televisão, rádio e jornais, além de enviar correspondências a todos os donos de modelos Fox fabricados a partir de 2003.
O DPDC sabia do problema desde julho de 2006. A entidade investigava o caso a pedido do presidente Lula que, naquele ano, recebeu carta do químico Gustavo Funada, o primeiro a ter o dedo decepado, em 2004. Em fevereiro, com a publicidade que o caso passou a ter, o órgão abriu investigação.
Até agora, foram produzidos 829 mil Fox, dos quais 477 mil foram vendidos no País e os demais exportados. A Volks diz que o sistema de ampliação do porta-malas dos modelos exportados é diferente do modelo nacional.
Mar
30
Com a presença de aproximadamente 130 pessoas, familiares e amigos das vítimas dos vôos 1907 da Gol e 3054, da TAM, realizaram uma manifestação pacífica no Aeroporto Salgado Filho, na tarde deste sábado.A maioria, vestida com sacos de lixo preto, representando como os corpos de seus familiares foram entregues pela Aeronáutica, era de parentes do acidente da Gol, que aconteceu há 18 meses, em Mato Grosso:
“Não queremos dinheiro e sim mostrar ao Brasil que, mesmo com muitas promessas, nada foi resolvido. Continuamos sem soluções”, reclamou Rosane Gutjahr, de 50 anos, esposa do empresário Rolf Ferdinando Gutjahr, uma as 154 vítimas do vôo da Gol.
No ato, todos cantaram e, após fecharem o check-in das duas empresas, foi lida a carta aberta da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, que vestiam camisas do movimento.
Christopher Haddad, pai da menina Rebecca, que faria 15 anos amanhã (dia 30), não se conforma com a impunidade dos culpados: “Até agora ninguém sabe, oficialmente, o que aconteceu nos dois vôos.
Essa impunidade pode provocar a qualquer momento outro acidente, sem saber se o avião foi corretamente vistoriado”.
Dez
21
Trinta e dois acordos de indenização foram fechados até agora - e 26 foram pagos - entre a companhia aérea TAM e os parentes das 199 pessoas que morreram no acidente com o Airbus A320 da empresa. Há cinco meses, o avião se chocou com um prédio da TAM Read more