Mai
17
A Progus Consultoria & Assessoria, empresa capitaneada por Marcos Vieira Mantovani, preso pela Polícia Federal durante a Operação Santa Tereza, apresenta como produto a redução de 40% no tempo para operar um financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo documento da consultoria - que utilizava os serviços de João Pedro de Moura, lobista e amigo do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força -, a espera cai de 390 para 235 dias.
Mantovani, considerado pela PF consultor da quadrilha que teria desviado recursos do BNDES, teria o apoio de Moura e do então assessor do deputado Roberto Santiago (PV), José Brito de França, exonerado do cargo.
De acordo com os federais, Moura percorreu cerca de 200 prefeituras dando como referência sua amizade com Paulinho, além de circular ao lado do então conselheiro de administração do BNDES, Ricardo Tosto. Ao mesmo tempo, Brito fazia mais contatos com outras prefeituras.
No leque de opções aberto por Moura e Brito, Francisco Morato (SP) tornou-se alvo da Progus. De acordo com a PF, Mantovani fez “tratativas para um financiamento” para iluminação urbana da cidade, com obras da Citéluz Ltda. A PF suspeita que o negócio seria uma nova investida, como a que resultou em cobrança de propina na operação de Praia Grande.AE
Abr
29
O empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama e acusado de ser o pivô de uma quadrilha que fraudava licitações em vários Estados do País, descoberta pela Operação Navalha, da Polícia Federal, no ano passado, compareceu hoje à sede da PF em Salvador (BA). Ele deveria ser ouvido por três deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Gautama, que apura irregularidades em obras realizadas pela construtora no Distrito Federal. Os deputados Bispo Renato Andrade (PR), Júnior Bruneli (DEM) e Cabo Patrício (PT), porém, não conseguiram tirar nenhuma palavra do empresário.
Veras chegou à PF pouco antes das 9h30, horário marcado para o depoimento, acompanhado do advogado Marcelo Leal de Oliveira e portando o habeas-corpus que lhe garantia o direito de não responder às perguntas dos deputados. Desde a chegada, nada disseram - nem durante os mais de 60 minutos de interrogatório. “Tínhamos a expectativa que ele esclarecesse alguns fatos, mas ele não quis colaborar”, afirmou Cabo Patrício. “Temos elementos suficientes, porém, para denunciar o empresário ao Ministério Público”, acrescentou Andrade.
De acordo com ele, o esquema montado pela Gautama no Distrito Federal causou desvios de verbas públicas de “pelo menos R$ 3,5 milhões”. As irregularidades foram detectadas na contratação de obras de macrodrenagem da Bacia do Rio Preto, por parte do Ministério da Integração Nacional, que liberou R$ 145 milhões para a intervenção. De acordo com Cabo Patrício, os trabalhos da CPI serão encerrados no próximo dia 12.
Além de Veras, prestaram depoimento dois funcionários da Gautama, Florêncio Melo e Gil Jacó, apontados pela CPI como os responsáveis pelos pagamentos de propina para que a construtora vencesse os contratos. Ambos também estavam amparados por habeas-corpus e recusaram-se a responder à maioria das perguntas. Melo, porém, abriu uma exceção: em determinado momento do interrogatório, admitiu que foi a Brasília algumas vezes e que, na capital federal, se encontrava com o ex-deputado Pedro Passos (PMDB), também investigado pela CPI. Passos renunciou ao ser acusado de participação no esquema.
Mar
25
O juiz federal Guilherme Pinho Machado determinou o seqüestro das contas bancárias, veículos e imóveis do prefeito de Canoas, Marcos Ronchetti (PSDB), dos secretários Marcos Zandonai e Francisco Fraga e dos proprietários das empresas SP Alimentos e Gourmaitre.
O bloqueio foi pedido pelo Ministério Público Federal, que move ação de improbidade administrativa contra a prefeitura e os empresários por irregularidades em contratos para distribuição de merenda escolar.
Pareceres dos Tribunais de Contas do Estado e da União indicam superfaturamento e existência de fraude na licitação, pela imposição de exigências que impossibilitariam a disputa do contrato por outras empresas.
O magistrado entendeu que o bloqueio de bens se impõe até que o caso seja definitivamente julgado. Os indícios atuais apontam um prejuízo de aproximadamente 5 milhões aos cofres do município. Foram tornados indisponíveis cerca de 6 milhões de reais em veículos e imóveis em nome dos acusados, além de valores depositados em bancos.