O governo brasileiro conseguiu ganhar tempo para contornar as pressões do Paraguai pela mudança no Tratado de . Ao final de um encontro de de 2h30 de duração no Palácio do Planalto, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo concordaram em criar uma “mesa de negociação”, dentro de dez dias, para tratar das seis demandas apresentadas pelo novo governo paraguaio.

Todas as queixas versam sobre o aumento da receita do Paraguai com a venda do excedente de elétrica para o , algo que o Palácio do Planalto pretende atender sem recair em aumento nas tarifas no mercado doméstico. Descrita como “fraternal”, entretanto, a reunião cimentou ainda mais as posições divergentes entre os dois lados.

O Paraguai exige do um preço justo pela , a nomeação para os cargos de diretor-financeiro e administrativo de e a transferência da dívida da com o governo brasileiro para o mercado. O governo brasileiro acenou com a possibilidade de antecipar a compra de elétrica do Paraguai do período pós- 2023, quando terminará a vigência do tratado, e com o alongamento da dívida de com o Tesouro Nacional e a Eletrobrás, que elevaria o pagamento do pela comprada do Paraguai.

“Os senhores conhecem as posições dos presidentes e dos governos dos dois países. Não houve mudança nessas posições”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no fim do encontro. “Vamos ver o que pode resultar da mesa de negociações. Podem surgir idéias criativas e boas soluções que superem uma posição ideológica”, completou.AE

“O Paraguai entrou apenas com a água”, declarou hoje o presidente da de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ao voltar a defender a manutenção das tarifas da hidrelétrica de , contra a reivindicação do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, de rever o preço da comprada pelo .

“É importante entender que, no fundo, neste processo todo, o Paraguai entrou apenas com a água e que metade do rio é do Paraguai e metade é do ”, afirmou Tolmasquim, depois de participar de audiência pública na Comissão de Minas e da Câmara dos Deputados. “A foi construída com a alavancagem de recursos (endividamento) obtidos pelo e com o ‘know-how’ (conhecimento) do ”, acrescentou.

O presidente da EPE lembrou que custou US$ 12 bilhões e que no esquema financeiro o Paraguai participou apenas com US$ 50 milhões. O restante, segundo ele, foi financiado pelo , que teve de levantar capital emprestado nos mercados interno e externo. “O Paraguai ganhou um empreendimento que hoje vale cerca de US$ 60 bilhões. Então, metade do empreendimento equivale a algumas vezes o PIB (Produto Interno Bruto) do Paraguai, sendo que a contribuição dele para o processo foi o fato de estar na fronteira com o ”, assinalou. AE

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