Jan
24
O governador José Serra disse hoje que até o final do mês, conhecerá o valor e mandará pagar a indenização à família do menor Carlos Rodrigues Júnior, de 15 anos, morto por policiais militares na madrugada de 15 de dezembro, no interior de sua própria casa, no bairro Mary Dota, em Bauru (SP).
Os seis policiais invadiram seu quarto e o eletrocutaram na tentativa de fazê-lo confessar ser o autor do furto da moto de um mototaxista encontrada no quintal.
“A indenização não vai devolver a vida ao jovem e a felicidade para a família, mas é o mínimo que o Estado pode fazer porque, no caso, teve responsabilidade na ação de policiais militares que não honraram a sua farda”, disse.”Nós vamos pagar já (a indenização) e depois, se a justiça determinar valor maior, a gente cobre e, se for para baixo, a gente mantém aquilo que pagamos” - afirmou Serra, que elogiou a Policia Militar paulista, como “a melhor do Brasil”.
Os seis policiais estão recolhidos ao presídio Romão Gomes, com a prisão preventiva decretada pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Bauru. Nos depoimentos prestados à polícia, eles trocam acusações. O tenente Roger Vitiver e o soldado Emerson Ferreira dizem que não presenciaram a tortura que matou o menor, mas o cabo Gérson Gonzaga da Silva e os soldados Maurício Augusto Delasta e Juliano Arcângelo Bonini apontam os dois como os autores da violência.
Jan
12
O delegado Marcelo Haddad, da Seccional de Polícia de Bauru, indiciou, por homicídio doloso, tortura e abuso de autoridade, os seis policiais militares suspeitos de, na madrugada de 15 de dezembro, matarem o menor Carlos Rodrigues Júnior, de 15 anos, que teria participado do roubo de uma moto.
O inquérito, que pede a prisão preventiva dos seis acusados conclui que cinco deles entraram no quarto da vítima e aplicaram-lhe choques, e outro permaneceu na sala da pequena casa tomando conta da mãe e da irmã, e que todos participaram da morte.
O juiz Benedito Antonio Okuno, da 1ª Vara Criminal de Bauru, que já decretou a prisão temporária dos envolvidos, que vence no próximo dia 20, deverá, nos próximos dias, decidir quanto à prisão preventiva. As apurações policiais concluíram que Carlos Rodrigues Júnior foi um dos autores do assalto ao mototaxista Adriano Diegos. Sua participação foi confirmada pelo reconhecimento do cadáver de Carlos e de seu comparsa, um menor de 17 anos, morador da mesma rua, detido dias após a ocorrência.
Ainda existem dúvidas quanto ao tijolo de 300 gramas de maconha que os policiais dizem ter encontrado no guarda-roupa da vítima e a mãe diz desconhecer, sob a argumentação de que limpou o local horas antes da ocorrência e nada ali encontrou.
O delegado Donizetti Pinezi disse que, além das apurações em relação ao crime dos policiais, ainda está em andamento um inquérito sobre as depredações ocorridas na avenida Marcos de Paula Raphael, durante o protesto contra morte de Carlos Rodrigues Júnior. Imagens de TV e dos jornais foram requisitadas para a identificação dos manifestantes que quebraram orelhões, placas de trânsito, luminosos e outros bens públicos e particulares. Os identificados serão indiciados.