Lan houses e outros centros de acesso à oferecem um serviço que pode causar prejuízo a terceiros e são os responsáveis judicialmente caso algum usuário pratique uma conduta ilícita.

Com esse entendimento, inédito no País, o juiz Ulysses de Oliveira Gonçalves Júnior, da 39ª Vara Cível de , obrigou a Maifa Café Ltda., na zona leste da cidade, a indenizar em R$ 10 mil uma administradora de empresas ofendida por um de seus clientes.

O Maifa oferecia acesso à em computadores fixos e também a possibilidade de conexão sem fio para clientes do café. Durante a do caso, descobriu-se que o endereço ( protocol) da conexão do agressor era do local, ou seja, o e-mail foi enviado de um computador que usava o sistema da .

Todos os usuários dos fixos eram obrigados a preencher cadastro de identificação, como manda lei estadual. Ocorre que, como o e-mail não foi enviado de nenhuma máquina fixa, concluiu-se que partiu de laptop que usou a rede sem fio.

Decepcionada em não poder identificar o autor dos e-mails em que era acusada de ser desonesta, má profissional e em que sua família era ofendida, a administradora de empresas decidiu processar a . “Quem disponibiliza terminais de ou rede sem fio para uso de assume o risco do uso indevido desse sistema para lesar direito de outrem, exemplo do que sucede no caso dos autos”, afirmou o juiz, com base no Código Civil.

“Considero a decisão muito importante, porque dá mais segurança a todos que usam a ”, afirmou o advogado da administradora, Renato Opice Blum, especialista em Direito da .

“A decisão surpreendeu e nós vamos recorrer”, rebateu o advogado do Maifa Café, Marcel Leonardi, professor de Responsabilidade Civil na da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Eu poderia até entender se o juiz dissesse que a foi negligente e deveria se responsabilizar pelo prejuízo, mas usar a teoria do risco (o argumento do Código Civil), com todo o respeito, foi um exagero”.

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