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Fevereiro começa negativo na Bovespa

O mês de fevereiro começa de forma negativa na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Às 14h30, alinhado aos mercados externos, o Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, operava em baixa de 0,71%, aos 39.022 pontos.

“Volatilidade ainda é a palavra. Nós ainda vamos coletar dados muito fracos, balanços fracos e, o que é pior, com perspectivas também de fraqueza”, afirmou Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora, sobre as perspectivas de curto prazo.

Segundo ele, dois eventos que poderiam “destravar o mercado” são uma solução um pouco mais definitiva para o sistema financeiro global e as perdas de bancos com crédito e a aprovação do pacote de estímulo econômico de Barack Obama “sem muitos penduricalhos”.

Cenário americano

As Bolsas de Nova York operam em queda nesta segunda, em um mercado preocupado com a economia e com as expectativa das medidas que podem ser adotadas pelas autoridades para enfrentar a crise.

O Dow Jones perdia 0,81%, a 7.935,87 unidades. O Nasdaq ganhava 0,30%, a 1.480,87.

Nesta segunda-feira (2) foram divulgados os gastos com consumo nos EUA, com um aumentaram de 0,3% em 2008, o menor desde a alta de 0,2% em 1991. Também foi anunciado que os gastos em construção tiveram queda recorde de 5,1% no ano passado. Em dezembro, a queda foi de 1,4%, totalizando uma taxa anualizada sazonalmente ajustada de US$ 1,054 trilhão.

Os investidores aguardam ainda uma sinalização mais clara sobre a criação de uma instituição (bad bank) para comprar os ativos podres que estão nas mãos dos bancos. No final da sexta-feira, saíram notícias indicando que o governo protelaria essa nova ajuda ao setor financeiro.

Por aqui, atenção para os papéis do Bradesco, que apresentou lucro de R$ 1,6 bilhão no quarto trimestre do ano passado, fechando o ano com ganho de 7,62 bilhões, 4,9% menor no comparativo anual.

Na Europa, o setor financeiro puxava as vendas, com os investidores temendo uma onda de nacionalizações. As empresas de commodities também perdem valor, refletindo petróleo e metais mais baratos. Em Londres e em Frankfurt, na Alemanha, os indicadores caíam mais de 1%. Na Ásia, a segunda-feira foi de queda para os principais mercados.

Janeiro

Na sexta-feira, último dia de negócios de janeiro, o Ibovespa teve queda de 0,85%, para 39.300 pontos. O giro financeiro no pregão do dia foi de R$ 3,2 bilhões.

Com o resultado, a Bovespa acumulou uma valorização de 3,0% na semana. Ao longo do primeiro mês de 2009, a bolsa nacional registrou ganhos mais elevados, de 4,6%. Trata-se da segunda alta consecutiva da bolsa nacional, que já havia acumulado variação positiva de 2,6% em dezembro.

Pequeno investidor reduz participação em fundo de ações

A parcela de recursos de pequenos investidores aplicada em fundos de ações caiu desde maio, segundo relatório do site financeiro Fortuna. Em 20 de maio, quando o índice Bovespa bateu recorde de alta de pontuação, fechando a 73.516 pontos, o patrimônio dessas aplicações representava 14% das reservas de 516 fundos de varejo oferecidos pelos principais bancos comerciais do País, selecionados pelo Fortuna.

Na última sexta-feira (dia 19), esse porcentual havia caído para 10%, enquanto a fatia destinada aos fundos referenciados DI, de curto prazo e de renda fixa aumentou de 77% para 81%. Já os multimercados e balanceados, que representavam 9% da carteira dos investidores, passaram a corresponder a 8%.

Até fundos DI e de renda fixa registraram saques na semana passada. A mudança do patamar dos fundos de ações, de acordo com o Fortuna, não tem a ver com resgates. O fluxo líquido entre aplicações e saques neste período, aliás, se manteve estável. O problema foi o péssimo retorno conseguido pela aplicação. Só em rentabilidade, os fundos de ações perderam R$ 13,9 bilhões nos quatro meses desde maio.

Em contrapartida, os fundos referenciados DI, de curto prazo e de renda fixa perderam R$ 13,3 bilhões com resgates, apesar de terem registrado ganho de R$ 7,7 bilhões em rentabilidade. Os fundos multimercados e balanceados não renderam praticamente nada no período, mas registraram saques líquidos de R$ 4,5 bilhões, segundo o Fortuna.

Risco

Apesar do rebalanceamento registrado nos últimos meses, com maior participação de DI e renda fixa, a carteira de fundos dos pequenos investidores está mais sujeita a risco agora do que estava em maio. De acordo com a medida de risco “value at risk”, calculada pelo Fortuna, o portfólio de fundos de varejo estava sujeito a uma perda de até 1,78% em um horizonte de investimento de um mês. Mas a elevação da volatilidade desde então faz a carteira do pequeno investidor estar sujeita, hoje, a uma perda de até 3,05%.AE

Goldman Sachs e Morgan Stanley vão se tornar holdings

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) aprovou, na noite de ontem, os pedidos do Goldman Sachs e Morgan Stanley para alterarem seu status para holdings financeiras.

Com a medida, Wall Street deixará de existir na forma como tem sido conhecida há muito tempo – um pequeno grupo de corretoras independentes que compram e vendem títulos, prestam consultoria e são menos reguladas que os bancos tradicionais. As duas instituições de maior prestígio de Wall Street ficarão sob a supervisão estrita dos reguladores bancários nacionais, sujeitando-se a novas exigências de capital, maior fiscalização e muito menor rentabilidade do que têm desfrutado.

A transformação em holding pode ajudar o Morgan Stanley e o Goldman a organizar seus ativos e a se colocar numa posição muito melhor para serem comprados, fundirem-se ou comprarem empresas menores com depósitos garantidos. A mudança também pode permitir que ambos evitem o uso da contabilidade com marcação a mercado – que obriga as empresas a avaliar seus ativos com base no atual preço de mercado. Em vez disso, elas podem classificar os ativos como “mantidos para investimento”, como fazem muitos bancos.AE

Alta do dólar vai pressionar a inflação

A valorização do dólar nos últimos dias – especialmente ontem, quando a moeda americana subiu 3,3% e fechou o dia valendo R$ 1,93 – já traz o risco de impacto sobre os indicadores de custo de vida do País e conseqüente pressão sobre a inflação ainda em 2008. Ontem, na máxima do dia, a moeda americana chegou a valer R$ 1,96. Ao longo do mês de setembro, o dólar acumula alta de 18,2%, e chegou ao maior valor desde setembro de 2007.

“A alta do dólar traz dois impactos importantes: um é a pressão sobre os preços livres, como o dos itens importados, por exemplo. O outro impacto é sobre os preços administrados por índices de inflação como os Índice Gerais de Preços (IGPs), que são referenciais de preços de contratos como aluguéis,seguros e tarifas públicas”, explica o economista Márcio Nakane, coordenador técnico da Tendências Consultoria. Segundo ele, os dois tipos de impacto têm pesos semelhantes sobre a inflação – em média, a cada 10% de elevação do dólar, existe um impacto de 1% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). “Ou seja, primeiro ocorre uma pressão sobre os preços no atacado, no IGP, que depois é repassada para o varejo”, afirma Nakane.

No entanto, ele avisa que esse cálculo é uma simulação e não leva em consideração outras forças em atuação na economia. “Há muitas coisas acontecendo. Ao mesmo tempo que o dólar sobe, há fatores que podem amenizar o impacto inflacionário, como a queda das commodities (matérias-primas) e a elevação dos juros”, observa. De acordo com Nakane, ainda é cedo, no entanto, para prever o comportamento da moeda americana nos próximos dias e seu impacto efetivo sobre a inflação. “A pressão vai existir sim, mas é muito difícil prever o quanto neste momento. O dólar a R$ 1,90 é reflexo dos acontecimentos da semana.” AE

BCs do Japão e da Austrália voltam a injetar dinheiro

Os bancos centrais do Japão e da Austrália voltaram a injetar recursos no mercado financeiro nesta quarta-feira, buscando garantir a liquidez doméstica em meio à turbulência em Wall Street. As medidas complementam as que foram adotadas ontem pelos bancos centrais dos países mais ricos do mundo, que tiveram de injetar US$ 210 bilhões para acalmar os mercados.

O Banco do Japão colocou mais 2 trilhões de ienes (US$ 18,791 bilhões), um dia depois de ter realizado duas injeções num total de 2,5 trilhões de ienes e de divulgar um comunicado manifestando a intenção de ajudar os mercados japoneses a enfrentar a crise financeira dos EUA.

O Banco Central da Austrália, em suas operações diárias, colocou 4,29 bilhões de dólares australianos (US$ 3,447 bilhões) para cobrir um déficit de 2,2 bilhões, o que resultou num injeção líquida de 2,1 bilhões de dólares australianos – a maior desde 30 de junho. Desde segunda-feira, o Banco Central da Austrália já realizou uma injeção líquida de 4,7 bilhões de dólares australianos no mercado.AE

Após superar R$ 1,85, dólar fecha o dia a R$ 1,82

O mercado cambial doméstico continuou sob efeito do processo de desmonte global de investimentos com a crise financeira nos EUA e fechou hoje com o dólar valorizado em relação ao real – mas longe das taxas máximas do dia, quando atingiu R$ 1,855. No mercado interbancário de câmbio, o dólar comercial encerrou em alta de 0,33% a R$ 1,82. Na mínima do dia, foi negociado a R$ 1,8170. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociados nos contratos de liquidação à vista subiu 0,66%e fechou a R$ 1,819. De acordo com informações do mercado, o volume de negócios no câmbio somava aproximadamente US$ 1,489 bilhão, por volta das 16h45.

A decisão do banco central americano (Fed) de manter o juro básico no país em 2% ao ano teve um impacto inicial de alta no câmbio doméstico, por volta das 15h15, quando foi anunciada, mas, em seguida, o dólar retomou o nível em que era negociado antes. De acordo com Hélio Ozaki, gerente de câmbio no Banco Rendimento, de certa forma, existia a expectativa de que haveria um corte de juros nos EUA para aliviar os custos de financiamento. “Como não houve, o mercado deu uma ‘puxada’ nas cotações. Mas, na seqüência, a moeda voltou ao nível anterior à decisão”, notou.

Parte do alívio também foi creditada a rumores de que o BC americano estaria considerando um pacote de crédito para dar suporte financeiro à seguradora American International Group (AIG), a maior dos Estados Unidos. “A decisão do Fed decepcionou o mercado, mas cerca de 30 minutos depois informações sobre uma possível ajuda à AIG proporcionaram algum alívio e o dólar desacelerou a alta em relação ao real”, observou o vice-presidente da tesouraria do banco WestLB no Brasil, Alexandre Ferreira.

O Fed de Nova York recusou-se a comentar reportagens de que a seguradora AIG estaria recebendo algum tipo de ajuda da autoridade monetária, como parte de um esforço para salvar a companhia. Mais cedo, o Fed havia reiterado que as reuniões para discutir o futuro da AIG continuam.

No mercado global de moedas, o dólar se fortaleceu em relação às principais divisas, como o euro, que cedia a US$ 1,4127 às 17 horas, de US$ 1,4299 no final da tarde de ontem.

O Banco Central brasileiro não realizou leilão de compra no mercado à vista – pela quarta sessão consecutiva. Em entrevista ao Jornal da Globo, ontem à noite, o presidente do BC, Henrique Meirelles, explicou que desde 2004 a instituição vinha comprando dólares para aumentar as reservas e, assim, melhorar a resistência do País contra a crise. Mas, recentemente, optou por suspender a compra da moeda americana a fim de não adicionar ainda mais volatilidade ao mercado. Meirelles admitiu, entretanto, que se houver necessidade, o BC poderá vender dólares ao mercado. “Se o BC julgar que isso possa ser importante para manter os mercados funcionando por algum problema de liquidez específica”, afirmou.AE

Lehman Brothers vai declarar falência

AFP-O banco americano de investimentos Lehman Brothers anunciou na madrugada desta segunda-feira que vai se declarar em falência “para proteger seus ativos e maximizar seu valor”.

O gigante financeiro informou em um comunicado que a medida foi autorizada pelo conselho diretor e será levada nesta segunda-feira à Corte de Falências do distrito sul de Nova York.

“Os clientes do Lehman Brothers, incluindo os da subsidiária Neuberger Berman Holdings LLC, podem manter suas operações ou tomar a decisão que considerarem necessária em relação a suas contas”, afirma o gigante das finanças no comunicado.

mk/fp

Bank of America vai comprar o Merril Lynch, diz jornal

O Bank of America comprará o banco de investimento Merril Lynch por cerca de US$ 44 bilhões, segundo ficou acertado pelas instituições ao final de dois dias de negociações, informa “The Wall Street Journal” em sua página de internet.

A iniciativa tem como objetivo enfrentar as conseqüências que pode acarretar a previsível quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, depois que as negociações para uma compra desta entidade fracassaram.

Gigante

Com esta aquisição, o Bank of America, o maior grupo bancário do país, consolida ainda mais sua posição de gigante, reforçada já por uma série de compras anteriores que incluem o banco hipotecário Countrywide Financial.

A compra do Merrill Lynch, estipulada esta noite pelos conselhos de administração de ambas as entidades, lhe permite controlar a maior força de intermediários das bolsas de valores do país e cria uma entidade que terá tentáculos em todos os aspectos do sistema financeiro dos EUA, diz o “Journal”.

O preço de venda representa uma avaliação de US$ 29 por ação e atinge apenas dois terços do valor que o Merrill tinha há um ano. As ações da Merrill foram cotadas na sexta-feira (12), no fechamento em Wall Street, a US$ 17,05.

Inicialmente, o Bank of America tinha proposto comprar o Lehman, possivelmente em colaboração com outras instituições financeiras, mas finalmente se jogou atrás perante a resistência do governo dos EUA em apresentar financiamento.

Os investidores temem que a Merrill seja o banco seguinte a cair após os problemas do Lehman, que poderia ser declarado em quebra hoje mesmo depois que o grupo britânico Barclays renunciou sua compra.

As autoridades econômicas americanas e representantes das principais instituições financeiras dos EUA desenvolviam uma terceira jornada de conversas sobre o futuro do Lehman, o quarto banco de investimento no país e que está em crise por suas perdas no setor imobiliário.

Wall Street está preocupada que a quebra de Lehman, que tem negócios com os principais bancos, possa arrastar todo o sistema financeiro.

O Fed anunciou hoje uma ampliação de seus mecanismos de crédito e uma flexibilização das garantias que está disposta a aceitar como aval para esses créditos em uma tentativa de lançar um sinal de tranqüilidade aos investidores.EFE

País pode ser economia petrolífera

Por conta da exploração da camada do pré-sal, localizada abaixo do leito marinho, o Brasil poderá se tornar uma “economia petrolífera” a partir de 2020, quando o País deverá exportar 1,4 milhão de barris de petróleo por dia, obtendo uma receita naquele ano de US$ 37 bilhões a US$ 63 bilhões, dependendo do preço do barril. As simulações foram apresentadas ontem pelo economista Antonio Barros de Castro, assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante palestra no seminário comemorativo dos 200 anos do Ministério da Fazenda. Em 2025, as exportações poderão chegar a 3,3 milhões de barris por dia, com receitas entre US$ 93 bilhões e US$ 158 bilhões.

Para evitar os efeitos negativos da excessiva entrada de dólares no País, principalmente uma supervalorização do real, e permitir que a indústria nacional tenha tempo para se adaptar à nova realidade econômica criada pelo pré-sal, Castro defendeu o controle pelo governo da velocidade de exploração do petróleo. O economista coordenador do grupo de Petróleo, Gás e Etanol do BNDES, citou três razões que fortaleceriam a sua tese.

Em primeiro lugar, lembrou que serão necessários vultosos investimentos para explorar o pré-sal. A segunda razão é que a indústria naval brasileira precisa de tempo para se tornar capaz de fornecer os navios, embarcações e plataformas que serão utilizadas na exploração do pré-sal. A terceira razão apontada por Castro diz respeito às adaptações do setor industrial brasileiro à nova realidade econômica, o que levará algum tempo. “São três fortíssimas razões para segurar a velocidade de produção do pré-sal”, afirmou o economista.AE

Magnesita compra grupo alemão e é 3ª maior do mundo

A Magnesita anunciou ontem a compra do grupo alemão LWB por 657 milhões euros. O negócio dará origem à terceira maior empresa de refratários do mundo – os refratários são usados nos fornos de siderúrgicas e produtoras de cimento, como a ArcelorMittal, Usiminas, Gerdau e Grupo Votorantim. O movimento vem na esteira do forte crescimento do setor de aço e cimento em todo o mundo, que provocou a alta dos principais insumos dessas indústrias, como carvão e minério de ferro. As líderes mundiais são a belga Vesuvius e o grupo austríaco RHI.

Antes da compra, a Magnesita era a sexta colocada e a LWB era a sétima. Por ser muito pulverizado, o setor produtor de refratários ficou atrás no reajuste de preços, em comparação com os demais insumos. “O pequeno porte dos produtores dificultava as negociações com as siderúrgicas porque eles tinham pouco controle sobre a oferta global”, disse o analista da Santander Corretora, Felipe Reis. Segundo ele, a união da Magnesita com a LWB dará maior poder de barganha para essas empresas reajustarem os preços. No Brasil, as principais concorrentes da Magnesita são a Saint-Gobain e a Vesuvius.

A operação, que deve gerar sinergias de 25 milhões de euros a partir de 2009, atende a um pleito antigo dos clientes da Magnesita no Brasil que têm operação no exterior, como a Gerdau e a ArcelorMittal. “Esse foi um dos motivadores da compra, além da forte complementaridade”, disse Reis. Outra vantagem é que as empresas poderão fazer uma integração vertical em produtos de magnesita e dolomita, segundo o analista da Link Investimentos, Leonardo Alves. A empresa brasileira tem maior produção de magnesita, enquanto a LWB é grande produtora de dolomita.AE

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