Jan
21
A identificação de uma nova bactéria (Staphylococcus aureus) e sua associação aos gays causou pânico e revolta em muitos homossexuais em todo o mundo . Em comunicado o CDC (Departamento de Controle de Doenças dos EUA) afirmou que, ao contrário do que vem sendo divulgado, a contaminação pela MRSA USA 300 não atinge apenas gays.
Na nota, o CDC também ressaltou que a pesquisa feita pela equipe do doutor Binh Diep, da Universidade da Califórnia, que apontou a disseminação da bactéria majoritariamente em gays, foi realizada apenas em áreas com reconhecida predominância GLS e, assim sendo, seus resultados não refletem a real situação no que diz respeito ao contágio.
“A ocorrência do MRSA foi identificada majoritariamente em homossexuais, mas também foi encontrada em homens heterossexuais. O grupo estudado tem características que facilitam a disseminação da bactéria devido ao contato com a pele”, explicou o comunicado.
A pesquisa em questão será publicada na edição de fevereiro da revista “Annals of Internal Medicine” e tem por objetivo principal, segundo Diep, alertar sobre a possível disseminação da bactéria por toda a população estadunidense.
“Como a bactéria pode ser transmitida por contato com a pele, estamos preocupados com uma possível propagação na população geral”, relatou o médico.
Ainda segundo o estudo, já foram registrados casos da infecção em São Francisco, Boston e Nova Iorque. “A incidência geral da infecção resistente a remédios múltiplos em São Francisco foi de 26 casos por cada 100 mil pessoas. A incidência foi mais alta em oito áreas de código postal contíguas, onde há uma proporção mais alta de casais masculinos homossexuais”.
O CDC desmente a conclusão da pesquisa: “MRSA é transmitida geralmente pelo contato da pele em diversas atividades, inclusive o sexo. Não há provas que a MRSA seja transmitida exclusivamente por meio do sexo”.
O que é?
A Sarm é uma bactéria comumente associada a infecções hospitalares, mas existem casos de infecções fora do âmbito hospitalar. Caso ocorra na pele, pode causar ferida e inchaço. Se penetrar o corpo, pode causar pneumonia, doenças cardíacas e septicemia. A transmissão pode se dar pelo toque. Há registros de infecções nos glúteos e nos genitais.
A bactéria não é nova. Era freqüente em infecções hospitalares e tende a ocorrer em pessoas mais debilitadas como idosos e doentes em cuidados especiais. Segundo explicou a médica Cristina Costa, coordenadora do Programa de Infecções Hospitalares Multirresistentes da Direcção-Geral da Saúde, ao jornal Correio da Manhã, de Portugal, a população gay por ser “imunodeprimida e com mais lesões cutâneas”, está mais propícia ao contágio
Jan
17
A comunidade científica está preocupada com a propagação de uma bactéria resistente a antibióticos e capaz de provocar pneumonia letal.
Trata-se de uma nova forma de MRSA, um tipo de Staphylococcus aureus imune às drogas mais usadas. Um estudo publicado na revista “Annals of Internal Medicine”, baseado em registros de hospitais das cidades de São Francisco e Boston, analisa a possibilidade de um surto entre a comunidade gay nos Estados Unidos se espalhar pelo restante da população.
Conhecida como MRSA USA300, a variante da bactéria já foi identificada no Brasil. A infecção ocorre principalmente quando existem lesões na pele. Mas pesquisadores sugerem que o sexo anal, que pode causar lesões na mucosa, seria uma via mais eficiente de transmissão, o que explicaria os casos identificados entre homossexuais nos EUA.
“A bactéria MRSA tem pelo menos 12 variantes principais. Há três anos, conseguimos justamente USA300 no nosso laboratório”, conta a microbiologista Agnes Marie Sá Figueiredo, diretora do Instituto de Microbiologia da UFRJ. “Se conseguimos identificá-la sem procurar muito, certamente devem existir outros casos pelo país. Mas para saber isso com precisão, teríamos que fazer um levantamento mais amplo”.
No passado, a MRSA era comum apenas em infecções hospitalares, mas desde os anos 90 passou a ser registrada também fora dos hospitais. A bactéria é encontrada, por exemplo, na pele e na narina de algumas pessoas sem causar doença. Às vezes, no entanto, pode provocar infecções graves no sangue e no coração, além de pneumonia com necrose no tecido dos pulmões. Em 2005, cerca de 19 mil pessoas morreram nos EUA por infecções causadas pela MRSA.
Além dos homossexuais, a variante da bactéria teria como grupos mais vulneráveis usuários de drogas injetáveis e praticantes de lutas e outros esportes em que há contato direto, porque o microorganismo se espalha por meio de lesões. No bairro de Castro, em São Francisco, que tem uma das maiores comunidades gays dos EUA, um em cada 588 residentes estaria contaminado pela variação da bactéria, segundo o estudo. No restante da cidade, o índice cai para uma em 3.800 pessoas.
“Como a bactéria se espalha de forma casual, ela pode se tornar uma ameaça à toda a população”, diz o médico Bihn Diep, do Hospital Geral de São Francisco,e um dos autores da pesquisa.
Hospitais eram o foco inicial
Agnes diz que os homossexuais das duas cidades americanas podem estar entre os mais afetados pelas infecções por causa de uma possível associação com a Aids.
“Se a pessoa já está com o seu sistema imunológico comprometido, há grandes chances de ela ser afetada pela bactéria. Por isso, a MRSA era mais comum nos pacientes hospitalares. Temos que ter cuidado para não disseminarmos o preconceito”, frisa ela.
De acordo com Diep, a melhor forma de evitar o contágio é lavar o corpo com água e sabão após as relações sexuais.
“Mas o ideal mesmo é que as pessoas usem preservativo. Isso evitaria o contato com a bactéria e também o HIV”, ressalta Agnes.
Os cientistas salientam que a MRSA USA 300 não é uma nova Aids e que a maior parte dos casos pode ser tratada através de antibióticos específicos e tratamento hospitalar nos casos graves. Mas as infecções, dizem, não devem ser subestimadas.
“Temos que conhecer mais sobre essa bactéria e como ela se dissemina - conta Agnes. “Não podemos fazer qualquer controle sem conhecermos o problema”.