Set
28
Foi com “perplexidade” e “surpresa” que o Movimento dos Sem-Terra (MST) recebeu a notícia da decisão da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), de promover a cabo mais de 80 soldados que participaram do massacre de trabalhadores rurais em Eldorado do Carajás, no sudeste paraense, ocorrido em abril de 1996. Os líderes do movimento avaliam que a promoção incentiva atos de violência no campo.
“É uma manifestação extremamente perigosa”, disse Ulisses Manaças, da coordenação nacional do MST. “A decisão irresponsável do governo premia a impunidade”. Ele observou que a Justiça do Pará aceitou pedidos de prisão preventiva contra líderes de sem-terra e mandou o movimento pagar indenização por danos que teriam sido causados à Vale, segunda maior mineradora do mundo. “O problema é que a decisão da governadora ocorre num momento em que o MST sofre um processo de criminalização”, disse Manacás.
Manaças relata que, na semana passada, líderes do movimento se reuniram com representantes do governo do Estado, mas não foram informados de que Ana Júlia iria promover os soldados - os militares ainda respondem na Justiça pelos assassinatos. A governadora alterou uma lei que só permitia a promoção de oficiais que respondem processos judiciais.
“Ela promoveu agentes do Estado que promoveram crime“, disse o líder sem-terra. “Não é o MST quem condenou os assassinos, mas a sociedade brasileira”. O massacre de Carajás ocorreu Foi na curva do “S”, num trecho da rodovia que liga Marabá a Eldorado, quando 155 policiais do Pará atiraram num grupo de sem-terra que obstruía a estrada. A ação resultou na morte de 19 pessoas e dezenas de feridos. O episódio tornou-se um dos principais símbolos da nova rede de movimentos sociais e dos agentes que subiram ao poder com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003.
Todos os oficiais e militares de baixa patente que participaram da ação liderada pelo coronel Mário Pantoja e pelo major José Maria Pereira de Oliveira estão em liberdade. Para Ulisses Manaças, a situação é contraditória. Em abril Ana Júlia assinou lei concedendo pensões especiais para 22 dos 69 mutilados no massacre. “Essa promoção de soldados é a cara do governo do Estado, formado inclusive pelo grupo do deputado do PMDB Jáder Barbalho”, disse. “Os soldados e oficiais deveriam estar na cadeia.”
Em nota, o governo paraense argumentou que os soldados não foram condenados pela Justiça. A promoção deles pode dar fôlego a outro grupo de militares de baixa patente, no caso do Exército, que reivindica reparação do governo federal.
Set
17
Um grupo de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou na manhã de hoje a praça de pedágio no quilômetro 704 da BR-277, em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná. As cancelas foram liberadas pelos sem-terra e os motoristas passaram sem pagar a tarifa. Segundo o MST, a manifestação não tem prazo para encerrar. Eles pretendem fazer pressão para que a Justiça não determine o retorno de oito famílias ao Assentamento Antonio Tavares, onde vivem outras 80 famílias.
De acordo com o movimento, essas famílias permitiam que suas terras fossem utilizadas para traficantes de drogas ocultarem maconha. Elas foram afastadas temporariamente, mas a situação será analisada no fim da tarde de hoje. A concessionária Ecocataratas informou que já está tomando as medidas judiciais para obter a reintegração de posse.AE
Jul
24
Cerca de 600 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam hoje o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Porto Alegre para pedir que o governo federal apresse o assentamento de mil das 2,5 mil famílias acampadas à beira de estradas no Rio Grande do Sul. A decisão de acampar nos corredores do edifício de oito andares, localizado na região central da capital gaúcha, foi o último ato de uma manifestação que havia começado ao amanhecer, quando o grupo deixou o ginásio do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas (RS) e iniciou uma caminhada de 12 quilômetros, até a sede do Incra.
O deslocamento dos trabalhadores rurais sem-terra provocou um congestionamento de cerca de dez quilômetros no trecho mais movimentado da Rodovia BR-116 no Estado. Na entrada da capital, o grupo foi revistado pela Brigada Militar, que não encontrou armas entre os manifestantes. O superintendente regional do Incra, Mozar Dietrich, afirmou a uma comissão dos sem-terra que o prazo para o assentamento de mil famílias, segundo acordo fechado em novembro e vencido em abril, teve de ser prorrogado até setembro porque o instituto encontrou dificuldades para desapropriar e adquirir terras no Estado.
Os trabalhadores consideraram a informação “repetitiva” porque sabiam dela, de reuniões anteriores, e anunciaram que ocupariam o edifício. Os que estavam no pátio entraram e estenderam os colchonetes nos corredores da sede. Funcionários do Incra afirmaram acreditar que o trabalho não será interrompido. Assim como em invasões anteriores, os sem-terra ficaram nos corredores e prometem não bloquear o acesso às salas.
“Ficaremos aqui para pressionar o governo federal a oferecer garantias de que vai acelerar os assentamentos no Estado”, disse o líder Gilson Rodrigo de Almeida, da coordenação estadual do MST. Na caminhada, os manifestantes também protestaram contra o que qualificam de “criminalização do movimento social” no Rio Grande do Sul. Os sem-terra queixam-se da ata de uma reunião do Conselho Superior do Ministério Público, que pediu o encaminhamento de uma ação de dissolução do movimento à Justiça.AE
Abr
17
Cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram hoje a agência regional do Banco do Brasil (BB) no centro de Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo. A ação visava a reivindicar a ampliação do crédito para a reforma agrária, segundo o líder do MST Joaquim da Silva, da direção estadual do movimento. Os sem-terra, provenientes de assentamentos e acampamentos de Iperó, Itapetininga e Itapeva, cidades da região, chegaram em três ônibus e vários carros. A agência regional tinha iniciado o atendimento ao público quando ocorreu a invasão.
Os manifestantes instalaram faixas e cartazes no pavimento térreo. A bandeira vermelha do movimento foi içada num mastro improvisado. Durante 20 minutos, o acesso à agência foi bloqueado. A Polícia Militar (PM) interveio e houve um princípio de confronto entre trabalhadores rurais e policiais, logo contornado pelos líderes.
Os manifestantes liberaram a entrada dos clientes. De acordo com Silva, as famílias querem acesso mais fácil aos financiamentos para custeio da produção e investimento na infra-estrutura dos lotes. “Para o dinheiro sair do banco, é uma burocracia sem fim”, disse. Os trabalhadores pediam também a renegociação das dívidas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e ingresso aos projetos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de compra da produção dos assentamentos.
“Nosso objetivo também é chamar a atenção do governo federal para que mais famílias sejam assentadas”, disse o líder do MST. À tarde, os sem-terra desocuparam o banco e saíram em passeata pela Rua XV de Novembro, uma das principais da cidade. A Praça Fernando Prestes foi ocupada pelos manifestantes. Na frente da Catedral, eles fizeram uma encenação para lembrar as vítimas do massacre de Eldorado de Carajás, que hoje completava 12 anos. O trânsito ficou prejudicado e houve congestionamento em toda a região central.
Abr
17
Cerca de 150 manifestantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam hoje a fazenda Saltinho, no município de Americana, em São Paulo, utilizada pela Usina Ester para o plantio de cana-de-açúcar. Segundo informações da Polícia Militar, a região foi cercada e os acessos estão bloqueados. De acordo com o MST, em 2006, um procurador do Estado da região de Campinas notificou judicialmente a imobiliária Jaguari, que administra a Saltinho, alegando que a área é de propriedade do Estado.
“Depois disso, o processo foi passado para a Procuradoria Geral do Estado e está parado nessa instância desde então”, informou o MST, em nota. Ainda segundo o movimento, a fazenda já foi ocupada duas vezes e, nos pedidos de reintegração de posse, a usina nunca conseguiu comprovar o arrendamento de toda a área, de 8,5 mil hectares.
Mar
29
Cerca de 1,6 mil famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocupam, desde ontem (28), três aéreas nos municípios de Mauá, Embu Guaçu e Campinas - há cerca de aproximadamente 400 famílias em cada uma das aéreas, afirmou o coordenador estadual de São Paulo do MTST, Jota Batista.
Ele informou à Agência Estado que não houve confronto físico entre as famílias e a Polícia Militar, mas relatou que o clima é de tensão psicológica nas áreas.
De acordo com Jota, não há até agora pedido de reintegração de posse em nenhuma das áreas e ações de despejo só podem ser realizadas com autorização judicial, já que o prazo de configuração de flagrante já venceu.
O coordenador de São Paulo do MTST, também articulador nacional do movimento, disse que as famílias pretendem continuar nas áreas ocupadas e também querem uma reunião com o governo federal para discutir a destinação de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Ele vê avanços nas políticas sociais do atual governo, mas disse que as ocupações são um sinal da escassez de recursos para famílias sem moradia. A área ocupada em Mauá, segundo Jota, pertence à família Fleury.AE
Mar
19
O diretor de Meio Ambiente e de Projetos Institucionais da Companhia Vale do Rio Doce, Walter Cover, afirmou que os protestos e invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) às instalações da empresa têm como objetivo chamar atenção da imprensa.
“A Vale é uma grande empresa. Isso (os atos do MST) garante exposição certa na mídia para o movimento”, afirmou o executivo. “Esses atos, na verdade, são apenas para chamar atenção da imprensa”, disse.
Ele rebateu as declarações de um dos dirigentes do MST, João Pedro Stedile, que classificou como “medida desesperada” a liminar concedida ontem pela Justiça do Rio à Vale - que proíbe a entidade e Stedile de incitarem ou provocarem ações que causem prejuízo às instalações da empresa, ou em interrupção de atividades da mineradora.
Para o executivo, a liminar foi “uma decisão emblemática da Justiça”, e que segue rigorosamente a lei. “A Vale não tem nenhum tipo de resistência a manifestações ou ações de cunho ideológico que sejam pacíficas”, disse, acrescentando que as ações do MST são violentas e geram depredação das instalações da empresa.
Na avaliação do diretor, o MST precisa chamar atenção da mídia por ter perdido várias “bandeiras ideológicas” nos últimos anos, como a questão da reforma agrária e a reestatização da Vale. Por isso, a organização teria recorrido às ações contra a mineradora. Cover afirmou ainda que as ações do MST podem estar encobrindo as ações de outras entidades, visto que as atividades da organização, quando promovem incursões nas instalações da Vale ou na Estrada de Ferro Carajás (EFC), no Pará, demandam montante de recursos acima das possibilidades do movimento. Ele preferiu não citar nomes sobre quais organizações poderiam estar por trás das ações do MST.
O executivo confirmou ainda que um dos motivos pelos quais a Vale pediu a liminar na Justiça foi o anúncio, por meio da imprensa e de panfletagem, de uma grande manifestação do MST nas instalações da EFC para o início de abril. Ele informou que a empresa não pretende reforçar medidas de segurança tendo em vista a possibilidade de novas invasões. “O papel de manter a ordem, a segurança e evitar a depredação é do Estado”, afirmou.
Mar
10
O diretor-executivo de Assuntos Corporativos e Energia da Vale, Tito Martins, chamou hoje de “bandidos” os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que nos últimos dias fizeram duas ações contra a empresa.
Ele ainda disse que não haverá negociação e que o MST usa a empresa para obter visibilidade política para as reivindicações. “Eles querem atingir a Vale para dar cunho político a um movimento que não reconhecemos como legítimo.
Não admitimos (negociar com o MST), porque discordamos desses atos de banditismo e não negociamos com bandidos.”
O diretor-executivo afirmou ainda que irá processar as lideranças nacionais e estaduais do movimento. Hoje, cerca de 800 sem-terra bloquearam a estrada de ferro Vitória-Minas, na altura do município mineiro de Resplendor. Cerca de 2.500 pessoas usam a ferrovia diariamente e, com a paralisação, 300 mil toneladas de minério de ferro deixaram de ser transportadas. No final do dia, os manifestantes liberaram os trilhos.
No sábado, cerca de 600 camponeses invadiram uma unidade da Ferro Gusa Carajás, empresa da Vale no Maranhão. Eles exigiam a paralisação de 71 fornos que prejudicaria a saúde de 1.800 assentados nas proximidades.
O diretor do Departamento de Tecnologia e Assistência Técnica em Ferrosos, Pedro Gutemberg, admitiu que há fumaça e que a Vale tem dois protótipos em estudo que poderiam reduzi-la em até 90%.
“Tem fumaça, mas se não tivéssemos condições de funcionar, admitiríamos fechar”, disse Tito Martins, acrescentando que a empresa “não tem nenhuma operação que não seja licenciada” e tem “dupla atenção” com os aspectos ambientais.
Mar
7
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informou, por meio de nota, que as mulheres da Via Campesina, ligada ao MST, ocuparam uma unidade de pesquisa biotecnológica da empresa americana Monsanto e destruíram um viveiro e o campo experimental de milho transgênico, em Santa Cruz das Palmeiras, no interior de São Paulo, hoje pela manhã.A Via Campesina, um braço do MST, protesta contra a liberação de duas variedades de milho transgênico pelo Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS). A nota do MST informa que “o governo Lula cedeu às pressões das empresas do agronegócio e liberou, em fevereiro, o plantio e comercialização das variedades Guardian (da Monsanto) e Libertlink (da alemã Bayer)”.
O MST aponta ainda que a manifestação de hoje faz parte da Jornada Nacional de Lutas da Via Campesina, que já mobilizou cinco estados contra o agronegócio, nas últimas 48 horas.
Mar
1
Mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que se intitulam Acampamento da Terra Che Guevara, invadiram na madrugada de hoje a Fazenda Haras Rosa do Sul, na região de Itatiba, interior de São Paulo.
A fazenda de 300 hectares, segundo o MST, não cumpre sua função social, pois está abandonada e improdutiva. Funcionário da fazenda, que não quis se identificar, não falou sobre a invasão e afirmou apenas que ali não há mais criação de cavalo puro sangue.
O grupo ligado ao MST age há tempos na região e já havia denunciado fazendas em Belém, Franco da Rocha e Valinhos como improdutivas. Os invasores da Fazenda Haras Rosa do Sul exigem uma vistoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no local.AE