Jul
15
O delegado que investiga a morte do administrador de empresas Luiz Carlos Soares da Costa, de 36 anos, José de Moraes Ferreira, disse hoje que o caso foi registrado como latrocínio (roubo seguido de morte) e tentativa de homicídio. Os dois crimes foram atribuídos ao suposto assaltante Jefferson dos Santos Leal, de 18 anos, que está internado no Hospital Geral de Bonsucesso, no Rio, onde se recupera de uma cirurgia no abdome, depois de ter sido atingido por um tiro.
Para Ferreira, a morte de Costa foi um “erro de execução”, que não existe como crime. Na opinião do delegado que investiga a morte dele, foi o roubo ao carro e o seqüestro relâmpago a que o administrador foi submetido que o levou à morte. “Por isso, foi registrado como latrocínio cometido pelo assaltante. A princípio, prevalece a versão dos policiais militares, mas vamos continuar apurando o caso”, disse.
Segundo Ferreira, pelo que se tem apurado do crime até o momento, os quatro policiais militares que atiraram contra o automóvel “em legítima defesa” não devem ser enquadrados em homicídio, mesmo tendo assassinado por engano a vítima do assalto. “Eles não sabiam que, no carro, havia um inocente. Os policiais militares revidaram depois de o assaltante, que dirigia o carro, atirar primeiro. Então, foi uma reação”, entendeu. Ferreira afirmou, no entanto que, depois de encaminhar o caso para o Ministério Público (MP), os promotores podem discordar dele e “até levar os PMs a júri”.
Cerca de 300 pessoas acompanharam hoje o enterro do administrador de empresas, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Emocionada, Simone, mulher de Costa, foi amparada por parentes e amigos. O administrador, que também era pastor evangélico, foi enterrado ao som de hinos religiosos e gritos por justiça.AE
Jul
13
Uma jovem de 20 anos foi morta acidentalmente na madrugada deste domingo durante perseguição policial no município de Porto Amazonas, região central do Paraná. Segundo policiais militares, o incidente começou às 4h10, quando uma equipe do Posto da Polícia Rodoviária de São Mateus do Sul foi acionada para realizar um bloqueio policial na rodovia PR 427, a fim de deter um veículo que teria furado bloqueios anteriores nas cidades paranaenses de Lapa e São Mateus do Sul.
Pelos relatos de policiais, o veículo onde estava Rafaele Ramos Lima, 20 anos, foi confundido com o de suspeitos que estavam fugindo da polícia. A jovem, atingida por um tiro na altura da cabeça, não resistiu aos ferimentos e faleceu no hospital. O outro ocupante do Gol, Diogo Soldi, que dirigia o veículo, foi encaminhado para um hospital em Curitiba.
A Polícia Militar do Paraná estava no encalço de um Celta ou um Palio preto que havia furado três bloqueios, disparado contra viaturas e seguido em alta velocidade pela contramão. Quando o veículo perseguido furou o bloqueio em Porto Amazonas, um outro carro apareceu e colidiu com uma viatura. Foi quando a polícia, pensando se tratar de mais um integrante de uma possível quadrilha, atirou contra o automóvel ocupado pelos jovens. “Só depois perceberam se tratar de um Gol preto, ocupado por casal que havia colidido acidentalmente com a viatura”, afirma a polícia em nota.
Mais tarde, equipes encontraram o provável veículo foragido, um Fiat Palio abandonado com cigarros vindos do Paraguai em seu interior. A Polícia Militar do Paraná enviou comunicado para dizer que lamenta o ocorrido e solicitou acompanhamento direto do Ministério Público Estadual no procedimento administrativo que apura o que ocorreu quando policiais militares perseguiam um veículo suspeito na região. Os dois policiais envolvidos diretamente na ação estão recolhidos em Ponta Grossa. As armas foram apreendidas e enviadas para perícia.AE
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Jul
13
A Justiça decretou na noite de sexta-feira (11) a prisão dos jovens envolvidos na agressão ao ajudante de produção Fabiano Dias Rodrigues, em Sorocaba, a 100 km de São Paulo. Na madrugada de sábado (12), a polícia prendeu cinco rapazes. A vítima foi espancada por oito jovens em frente a uma boate.
Um dos agressores está foragido e dois adolescentes estão na Fundação Casa. Nesta semana, a polícia concluiu o inquérito da agressão.
Após receber alta no final do mês de junho, Fabiano continua o tratamento em casa. Ele perdeu parte dos movimentos das pernas e das mãos e está fazendo tratamento com fonoaudióloga e fisioterapeuta. O rapaz já começa a dar sinais de melhora.
A vítima precisou passar por uma cirurgia para a retirada de um coágulo no cérebro e ficou três semanas na UTI. Ele se lembra com dificuldade da agressão. “Bateram em mim, uma ou duas pessoas”, disse ele à reportagem do Jornal Nacional.
Os médicos dizem que Fabiano vai demorar a se lembrar da noite em que foi espancado. Imagens do circuito de segurança flagraram a agressão.G1
Jul
12
O sócio fundador do banco Opportunity, Daniel Dantas, é acusado pela Polícia Federal de ter contratado um coronel do Exército israelense para espionar juízes federais da primeira instância de São Paulo. Um dos alvos seria o juiz Fausto Martin De Sanctis, o mesmo que decretou por duas vezes a prisão do banqueiro e teve as decisões derrubada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.
O juiz foi alertado pelos policiais que preparavam a Operação Satiagraha. O advogado Nélio Machado, que defende o banqueiro, negou a iniciativa e disse que a acusação é fruto da cabeça dos desafetos de Dantas. O que sustenta a suspeita dos delegados federais é uma conversa telefônica entre um funcionário do Grupo Opportunity e a diretora jurídica do grupo, Danielle Silbergleid Ninnio. O diálogo ocorreu em 25 de maio, às 10h59, um mês depois de Dantas tomar conhecimento de que a PF preparava uma operação.
Outra prova usada pela PF é um e-mail em que duas funcionárias do Opportunity, no Rio, trocaram no dia 6 de junho sobre uma reunião com Shemeh. A contratação do coronel faria parte do esforço do banqueiro e dos outros supostos integrantes da quadrilha de tentar neutralizar o procedimento sigiloso que apurava as atividades do Banco Opportunity. Segundo o delegado Protógenes Queiroz, que comanda a Operação Satiagraha, o grupo teria usado advogados com “estreita amizade com magistrados federais para angariar informações privilegiadas”. Por causa do “insucesso dessa articulação”, a PF passou a suspeitar que o banqueiro tenha procurado Shemeh para executar a tarefa de descobrir o que havia contra ele na Justiça Federal.AE
Jul
11
A liberdade de Daniel Dantas durou dez horas. Ele deixou a carceragem da Polícia Federal, na Lapa, capital paulista, às 5h30 desta quinta-feira (10), amparado por um hábeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Foi o fim da prisão temporária decretada na terça (8) na operação Satiagraha. Mas, às 15h30 desta quinta-feira (10), Daniel Dantas voltou para a cadeia. Desta vez, por força de uma ordem de prisão preventiva, amparada em provas como a quantia de R$ 1.280.000 apreendida na casa de Hugo Chicaroni, um dos acusados de participar da organização criminosa presa na operação.
Chicaroni foi preso na terça (8). Ele foi o homem flagrado nas investigações tentando subornar um delegado da Polícia Federal. Em depoimento à polícia, ele disse tudo o que sabe. O depoimento minucioso foi reproduzido no pedido de prisão preventiva de Daniel Dantas feito pelo Ministério Público Federal à Justiça nesta quinta (10).
Hugo Chicaroni, que se diz professor universitário, contou no depoimento à polícia que foi apresentado por um amigo em comum a Wilson Mirza, advogado carioca que trabalha para Daniel Dantas.
Novas provas
Ainda segundo o depoimento, Mirza mostrou a Chicaroni uma notícia publicada pelo jornal “Folha de São Paulo” a respeito de uma investigação contra Daniel Dantas e o grupo Opportunity. O advogado quis saber se Chicaroni poderia pedir informações sobre a investigação ao delegado Protogenes Queiroz, que estava à frente da investigação. Chicaroni tinha conhecido o delegado Queiroz em 2003, por conta de palestras que seriam ministradas na Polícia Federal.
Procurado, Queiroz disse a Chicaroni que não estava no caso e indicou o delegado Vitor Hugo Alves Ferreira. Era o começo da preparação do flagrante de suborno. Chicaroni foi apresentado ao delegado Vitor Hugo.
No primeiro encontro, registrado pela polícia, o suborno começou a se materializar. Chicaroni entregou R$ 50 mil ao delegado, organizados em dez maços de R$ 5 mil cada.
No encontro, relatado no depoimento à polícia, Chicaroni perguntou a Vitor Hugo se ele poderia repassar informações da investigação sobre o grupo Opportunity. O delegado disse que tinha, sim, informações. Mas, só as repassaria a um executivo do grupo Opportunity.
Foi quando, segundo a polícia, entrou em cena neste momento, ainda de acordo com o depoimento, Humberto José da Rocha Brás, o “Guga”, ex-presidente da Brasil Telecom, a empresa de telefonia que Dantas controlou até 2005. Para a polícia, “Guga” é um homem da confiança de Daniel Dantas, que certamente falava em nome do chefe. Foi o advogado Wilson Mirza que apresentou Humberto a Hugo Chicaroni.
E Chicaroni revelou no depoimento ter marcado um encontro na churrascaria El Tranvia, em Higienópolis, região central de São Paulo. Do encontro, participaram Chicaroni, Humberto e o delegado Vitor Hugo.
Preço do suborno
Chicaroni confirmou em depoimento: o delegado Vitor Hugo e Humberto conversaram por longo tempo, tendo sido confirmado que a quantia de R$ 50 mil, paga no encontro anterior, foi entregue em nome do grupo Opportunity. Para dar credibilidade à encenação, o delegado mostrou um envelope supostamente com documentos referentes à investigação focada no grupo Opportunity.
E então foi acertado o preço do suborno, segundo confessou Chicaroni em depoimento: o delegado Vitor Hugo e Humberto combinaram que o policial receberia a quantia de US$ 1 milhão para passar informações da investigação. Uma semana depois, disse Chicaroni em seu depoimento à polícia, ele entregou mais R$ 80 mil ao delegado Vitor Hugo. A polícia, no entanto, só contabilizou R$79.050.
Por fim, continuou Chicaroni ao confessar sua participação na trama, há aproximadamente dez dias algumas pessoas ligadas ao grupo Opportunity levaram à casa dele a quantia de R$ 875 mil, que deveriam ser entregues ao delegado Vitor Hugo. Esse valor faz parte da montanha de R$ 1.280.000 apreendida no apartamento de Chicaroni em Moema. A diferença de R$ 415 mil na versão de Hugo Chicaroni se deve a um pagamento que ele teria recebido por um serviço particular.
Além do dinheiro apreendido e da confissão de Hugo Chicaroni, a Polícia Federal apresentou novos documentos para fundamentar o pedido de prisão preventiva de Daniel Dantas. Seriam mais provas ou indícios de que o banqueiro pratica corrupção ativa. Um deles é uma planilha encontrada, segundo a policia, no apartamento do banqueiro no dia em que ele foi preso.
Planilha apreendida
O documento registra um pagamento de um milhão e meio milhão, não se sabe em que moeda, ao interlocutor Pedro. Seria uma contribuição para que um dos companheiros não fosse indiciado criminalmente. O valor foi pago em “cash”, dinheiro vivo em inglês.
A mesma planilha, cujo título é “contribuições ao clube”, traz ainda outros pagamentos: três milhões pagos em outubro de 2002 à campanha de alguém a quem chamam de “João” à presidência, também em dinheiro vivo. Três meses depois, mais dois milhões e meio com o mesmo fim. O maior pagamento é de vinte e cinco milhões, em 2004, para despesas da campanha de alguém a quem chamam de “Letícia”.
“É um documento que revela efetivamente a prática da propina por parte de um criminoso. É um documento importante pra demonstrar justamente o vínculo desse Daniel Dantas ao crime de corrupção”, disse o procurador da República Rodrigo de Grandis.
No pedido desta quinta-feira (10), a polícia também pediu a prisão preventiva de Wilson Mirza, diante do que considerou indícios de participação do advogado no delito de corrupção ativa. Mas, ao contrário do que decidiu em relação a Daniel Dantas, o juiz Fausto de Sanctis não considerou a prisão necessária.
Defesa de Dantas
Na noite desta quinta-feira (10), depois de visitar seu cliente Daniel Dantas na sede da Polícia Federal, o advogado Nélio Machado questionou a credibilidade do depoimento de Hugo Chicaroni.
“Eu não tenho nenhum conhecimento formal do depoimento do Chicaroni. Aliás nem sei se o nome é esse. E digo mais. Esses institutos de delação premiada que acabam sendo objeto de reconhecimento com liberdades imediatas. Tenho muitas dúvidas sobre a valoração desse tipo de prova. Eu não acredito que esse seja o método correto de investigar”, disse o advogado de Dantas, Nélio Machado.
Contra os argumentos de Nélio Machado, a polícia registra, no pedido de prisão preventiva: “é de uma obviedade solar que não será mais um mero inquérito policial ou o simples recebimento de uma denúncia que fará com que os membros da organização criminosa parem de cometer crimes e fraudes. A prisão de Daniel Valente Dantas, líder incontestável da organização criminosa, em que pese ser uma medida dura, é a única que fará com que pare, de uma vez por todas, de delinqüir”. G1
Jul
9
O empresário Naji Nahas chegou por volta das 22h10 desta terça-feira (8) à carceragem da Polícia Federal, na Zona Oeste de São Paulo. Durante praticamente todo o dia, ele acompanhou o trabalho dos policiais que fizeram buscas em sua residência no Jardim Europa.
Antes de ser levado para a detenção, ele passou por exames no Instituto Médico-Legal (IML). O empresário é um dos 17 detidos na Operação Satiagraha, que investiga desvio de verbas públicas e crimes financeiros. Entre os presos estão o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Dantas, Pitta e Nahas ficarão em celas separadas na sede da PF de São Paulo, informou a assessoria de imprensa do órgão.
O nome da operação, Satiagraha, significa resistência pacífica e silenciosa, conforme nota divulgada pela PF. O número de prisões pode ser alterado porque agentes ainda cumprem mandados, segundo a PF. Foram expedidos 24 de prisão e 56 de busca e apreensão.
Dos 17 mandatos de prisão, foram cumpridos 8 em São Paulo e 9 no Rio. A PF ainda busca outras 7 pessoas. Todos os 56 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, sendo 38 em São Paulo, 16 no Rio, 1 na Bahia e 1 no Distrito Federal.
Os agentes da PF apreenderam carros e R$ 1 milhão na casa de um dos detidos. Ele foi acusado de tentar subornar um delegado da PF a mando de Daniel Dantas. O suspeito teria oferecido US$ 1 milhão para o delegado retirar nomes do inquérito, de acordo com o Ministério Público Federal. A suspeita é de que parte do dinheiro apreendido fosse ser utilizado para a tentativa de suborno.
Nélio Machado, que defende Daniel Dantas, disse que a prisão ocorreu de forma irregular, uma vez que seu cliente não oferecia perigo, e negou as acusações de fraude. Segundo ele, Dantas não conhecia Celso Pitta nem Naji Nahas. Ele afirmou não ter obtido informações sobre o teor do processo e quando tiver disse que entrará com pedido de soltura.
Segundo a PF, haveria dois núcleos principais na suposta quadrilha. Um deles seria comandado por Daniel Dantas e teria se beneficiado de recursos públicos, desviados pelos operadores do mensalão. Empresas de fachada teriam sido montadas para o desvio das verbas.
Além do grupo de Dantas, a PF teria descoberto um segundo núcleo, ligado ao primeiro, formado por empresários e doleiros que atuavam no mercado financeiro para fazer a lavagem do dinheiro. Esse grupo, segundo a PF, seria comandado pelo empresário Naji Nahas. Era nesse grupo que estaria o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.
O elo entre os dois grupos seria Dantas e Nahas.
De acordo com o procurador da República Rodrigo de Grandis, Celso Pitta teria recebido de Naji Nahas dinheiro que viria do exterior. “Tudo sugere que o dinheiro entregue por Nahas a ele (Pitta) era dinheiro de Pitta que está no exterior. (…) Há fortes indícios que o dinheiro de Pitta é proveniente de dinheiro desviado da prefeitura (de São Paulo). Mas ainda não há certeza disso.”
A advogada de Celso Pitta, Paula Sion de Souza Neves, afirmou que ainda vai se inteirar sobre o processo. “A gente agora vai se inteirar e provavelmente formular pedido para que ele seja solto antes dos cinco dias.” Ela disse não saber se Pitta conhecia Naji Nahas.
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, responsável pela investigação da Operação Satiagraha, afirmou que o empresário Naji Najas tinha um “megacontato” que lhe repassava informações sigilosas do Banco Central norte-americano, o Federal Reserve (Fed).
“Muitos nos supreendeu do Fed, megacontato do Naji Nahas no Brasil e no exterior que teve indícios de manipulação do mercado financeiro internacional, onde ele se privilegia da informações para aplicar no mercado internacional”, afirmou o delegado.
Em nota divulgada mais cedo, a PF havia informado que a operação detectou “indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve”.
O advogado de Naji Nahas, Sérgio Rosenthal, disse nesta terça-feira (8) não ter conhecimento dos detalhes da operação que levaram à prisão de seu cliente.
“Nós estamos em meio à operação, a operação é sigilosa. Nós não temos os detalhes ainda. Assim que eu tiver detalhes eu poderei conversar com vocês”, disse Rosenthal.G1
Jul
7
A Polícia Militar (PM) instaurou hoje um Inquérito Policial Militar (IPM) e determinou a prisão administrativa por 72 horas de um cabo e um soldado do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM) suspeitos de metralhar por engano o carro de uma família e matar o menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, ontem, na Tijuca (bairro de classe média da zona norte do Rio). João Roberto voltava para casa com a mãe, a advogada Alessandra Soares, e o irmão Vinícius, de 9 meses, de uma festa. A morte cerebral de João Roberto foi confirmada hoje pela equipe médica que o atendeu no Hospital Copa D’ or. Alessandra teve ferimentos leves por estilhaços de bala e Vinícius nada sofreu.
Ontem, o cabo Elias Gonçalves da Costa Neto e um soldado que não teve o nome divulgado trafegavam em patrulhamento rotineiro na Rua Uruguai, quando avistaram cerca de quatro homens dentro de um Fiat Stilo preto em atitude suspeita. Minutos antes, Costa Neto e o soldado receberam um informe pelo rádio que relatava assaltos nas proximidades de onde estavam. Segundo o cabo afirmou em depoimento na delegacia, quando o carro da PM se aproximou do Fiat, o motorista acelerou em fuga e a perseguição foi iniciada. Em poucos minutos, os suspeitos entraram na Rua General Espírito Santo Cardoso, onde houve o tiroteio. A rua, onde fica a delegacia de polícia, é caminho para pelo menos três morros da região - do Cruz, do Borel e da Formiga.
A mãe do menino voltava para casa dirigindo o Fiat Palio Weekend grafite. Estava a menos de 50 metros da esquina do prédio onde mora, quando percebeu um carro da polícia em alta velocidade atrás. Em frente ao número 399 da mesma via, encostou o automóvel para dar passagem. O cabo e o soldado saíram do veículo, posicionaram-se atrás dele e dispararam com fuzil e pistola. Hoje, ainda havia cápsulas deflagradas num bueiro da rua.
Em depoimento na delegacia, Costa Neto e o soldado afirmaram que o carro de Alessandra ficou no meio do fogo cruzado porque os criminosos atiraram contra eles. No entanto, testemunhas ouvidas pela reportagem, que pediram para não ser identificadas por temer represálias, afirmam que os policiais se confundiram. Uma dona de casa que mora em frente ao local disse que a mãe de João Roberto chegou até a jogar pela janela do automóvel uma bolsa infantil na tentativa de chamar a atenção dos policiais.
Veículo
O veículo de Alessandra, estacionado na mesma rua, foi perfurado por um tiro. A advogado disse que os policiais só pararam de atirar quando ela saiu do carro, gritando que eles tinham matado um dos filhos. Segundo Alessandra, quando os policiais se deram conta que haviam disparado contra o automóvel, começaram a gritar, pegaram João Roberto e a mãe, puseram correndo na viatura e levaram para o Hospital do Andaraí, onde eles receberam o primeiro atendimento.
Uma professora de 58 anos que também mora em frente ao local disse que viu quando um dos PMs colocou as mãos na cabeça, como um sinal de preocupação e desespero. Para ela, está claro que os policiais se confundiram porque o veículo tem película automotiva, o que impedia que vissem quem estava dentro dele. A professora disse que viu tudo e que os policiais dispararam muitos tiros contra o carro da advogada. O carro dos supostos criminosos, o Fiat preto, havia deixado o local e tinha até batido em dois que estavam parados na rua. A professora disse que viu quando um dos policiais pegou o bebê de dentro do carro e entregou a um morador. Depois, retirou João Roberto, ensangüentado (dos tiros na cabeça e no glúteo) do automóvel, pegou a mãe e levou para o hospital.
O morador que cuidou do bebê, um cabeleireiro de 57 anos, disse que Vinícius não parecia assustado, nem estava ferido. Ele declarou que limpou a cabeça da criança, que tinha muitos cacos de vidro das janelas perfurada, e ficou com ele em frente ao prédio onde mora até o pai do menino surgir correndo e berrando pela rua perguntando onde estava o filho.
A região, segundo os moradores, é muito perigosa. Emocionado pela morte de João Roberto, o segurança do prédio onde mora a família disse que não são raros os roubos de veículos, bicicletas e pedestres. Ele afirmou que ouvir tiros dos morros próximos é rotina e que ali, apesar de ser um local com muitas casas e vilas, ninguém fica na rua à noite.AE
Jul
4
As Polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros da capital paulista estão sem sistema hoje. Desde a madrugada, quem tem ido aos distritos policiais para registrar boletins de ocorrência está sendo orientado a retornar mais tarde. Em caso de flagrantes, os detidos e as testemunhas têm de aguardar no DP até o sistema ser restabelecido, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP).
Por enquanto, a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), responsável pelos sistemas dos órgãos, e a Telefônica não se pronunciaram sobre o caso. A empresa de telefonia confirmou apenas que houve um problema na rede de internet. As duas devem emitir ainda hoje um comunicado para explicar a situação.
Jul
1
Uma equipe da Editoria de Esportes da Rede Bandeirantes foi assaltada no início da noite de hoje, na rua Paissandu, no Flamengo, a poucos metros do Palácio Guanabara, no Rio.
O jornalista e o cinegrafista foram abordados por dois homens armados. Um deles chegou a apontar a arma para a cabeça do repórter. O carro da equipe, um Corsa prata, e todo o equipamento de filmagem foram levados. Os funcionários da tevê perderam ainda cartões de crédito, dinheiro, cheques e telefones celulares. Eles não sofreram agressão física. O caso foi registrado na 9.ª Delegacia de Polícia, no Catete.AE
Jun
27
O rapaz que foi agredido, no começo do mês, por oito jovens em frente a uma casa noturna em Sorocaba, a 100 km de São Paulo, saiu do coma. Sebastiana Dias Rodrigues, mãe de Fabiano Dias Rodrigues, conversou com a polícia e mudou os rumos da investigação. Ela diz que o filho começou a se lembrar da briga e que foi atacado por ter falado para seguranças da casa noturna que os rapazes estavam consumindo drogas no banheiro.
O advogado de Sebastiana, Márcio Leme, disse que foi ela quem quis colaborar com as investigações. Em pouco mais de meia hora, ela contou ao delegado a conversa que teve com o filho, ainda internado em um hospital. Segundo ela, apesar de alterar momentos de lucidez e confusão, Fabiano lembrou detalhes da noite que foi espancado.
“Ele entrou no banheiro e viu os oito consumindo o que ele chamou de ‘porcaria’. Aí, chamou segurança. Os rapazes saíram chutando cadeira e foram colocados para fora. O Fabiano também foi tirado. Pagou a comanda e foi tirado de lá”, afirmou Sebastiana.
Para o delegado José Ordele Alves Lima, o depoimento da mãe revela, pela primeira vez, o motivo da briga, o que, agora, determina novos rumos na investigação. Sebastiana disse ainda que o filho lembrou quem o impediu de entrar na casa quando era espancado: o funcionário que recolhe as comandas.
O delegado vai chamar os agressores para o reconhecimento. Dos oito envolvidos, quatro respondem em liberdade por tentativa de homicídio. Um está preso e dois adolescentes foram levados para a Fundação Casa (ex-Febem). Apenas um continua foragido.
O advogado da boate “Soft Music Hall”, Joel de Araújo, diz que ainda não foi informado sobre o teor do depoimento da mãe de Fabiano. Ele nega a afirmação de que há consumo de droga na casa noturna e diz que os banheiros são fiscalizados. O advogado disse também que as imagens mostram Fabiano conversando normalmente com os outros rapazes, antes da briga, e que não foi um segurança que o empurrou para fora do lugar.G1