Abr
22
O projeto prevê que a chamada usina Inga 3, ou Grande Inga, no rio Congo, terá capacidade instalada de cerca de 40.000 MW, superando a das Três Gargantas, na China (18.000 MW quando estiver completa, em 2009) e de Itaipu (cerca de 14.000 MW). Isto significaria duplicar a energia disponível no continente africano.
Mas grupos não-governamentais alegam que a maior oferta não beneficiaria as populações locais, porque a produção de Inga seria exportada para projetos industriais na África do Sul, Egito, Espanha e outros na Europa e no Oriente Médio, segundo organizações ouvidas pelo jornal britânico The Guardian.
O repórter da BBC Nick Miles disse que as negociações em Londres são um “momento crucial” para o projeto, nascido nos anos 1980 mas abandonado sucessivas vezes por conta da instabilidade política no país.
Além disso, o alto custo da obra – estimada em US$ 80 bilhões, ou quase R$ 140 bilhões – requereria uma captação de recursos “delicada”, nas palavras do repórter.
Segundo a imprensa britânica, o projeto atrai a atenção de banqueiros do Japão, dos Estados Unidos e da Europa, assim como instituições como o Banco Mundial.
Se o projeto de captação for bem-sucedido, a usina hidrelétrica ainda tardaria pelo menos 15 anos para ser construída e começar a gerar energia.
Ingá 3 seria a terceira usina hidrelétrica do rio Congo, além de Inga 1 e Inga 2. Apesar de gerar energia para exportação há muitos anos, pouco da eletricidade chega aos congoleses.
De acordo com o Guardian, apenas 6% das pessoas têm acesso à eletricidade no país. Nas áreas rurais, onde vive 70% da população, este acesso é de apenas 1%.
Abr
15
Numa operação conjunta com a Polícia Federal (PF), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Pernambuco embargou hoje 28 empresas do pólo gesseiro do Estado, na região do Sertão do Araripe. No total, 43 empresas foram autuadas. As multas perfazem R$ 8,4 milhões. O pólo é responsável pela derrubada de mais de 150 mil hectares (1,5 bilhão de metros quadrados) de caatinga nativa em dez anos, de acordo com o superintendente do Ibama no Estado, João Arnaldo Novaes. A área desmatada é igual a 150 campos de futebol.
“As empresas pagaram para ver”, afirmou Novaes. Em 2006 e 2007, foi realizado um trabalho de identificação de empresas irregulares - que funcionavam sem licença ambiental -, seguindo-se um período de capacitação e negociação. Depois disso, somente 15 empresas se adequaram às exigências do instituto. Agora, segundo ele, não há mais prazos nem conversa. A meta do Ibama, a ser cumprida em três meses, é não permitir que nenhuma empresa sem licença funcione na região.
De 95 empresas instaladas na região, 25 estão regularizadas, 28, embargadas, e as outras 42, sob análise. “O número de empresas fechadas pode aumentar”, observou, ao afirmar que as que sofreram embargo só poderão voltar a funcionar quando cumprirem o bê-á-bá: ter licença ambiental e adotar um plano de consumo florestal, que implica o manejo sustentável do tipo de vegetação característico do Nordeste brasileiro.
Isso significa que, de uma área de 100 hectares (1 milhão de m²), por exemplo, 20% são para preservação e os outros 80% são divididos em 12 lotes, com uso de um deles por ano. A caatinga deve ser cortada - e não arrancada - para que a planta possa se regenerar. O superintendente do Ibama em PE destacou que o Araripe possui a maior reserva de gipsita (gesso) das Américas.
Abr
15
A Agência Internacional de Energia (AIE) se surpreendeu com a notícia sobre o megacampo de petróleo anunciado ontem pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) na Bacia de Santos e destaca que a descoberta “coloca o Brasil em um novo patamar no cenário internacional”.
Segundo a AIE, a produção da nova reserva (chamada de Pão de Açúcar/Carioca) terá um importante impacto para o mundo. “Essa é uma grande notícia tanto para o Brasil como para o mercado de petróleo no mundo, principalmente diante dos altos preços”, afirmou o embaixador William Ramsay, um dos dirigentes da agência com sede em Paris e o formulador por anos da política energética americana.
“O campo de Tupi já era uma grande descoberta. Isso agora, com uma capacidade cinco vezes maior, é surpreendente. Estamos falando de uma enorme descoberta”, afirmou Ramsay, que já serviu como negociador no Congo, Arábia Saudita e em outros países produtores de petróleo.
Em sua avaliação, o governo brasileiro terá agora de tomar “algumas decisões muito estratégicas”. “Em primeiro lugar, o Brasil terá de decidir quanto vai querer investir no campo. Não será nada barato e o governo, a Petrobras e a sociedade terão de tomar decisões sobre qual será a conta que estão dispostos a pagar. Isso determinará o ritmo dessa nova produção para o mundo”, afirmou.
Opep
O embaixador americano, porém, espera que o Brasil não tome a decisão de aderir à Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep). “Espero que, no Brasil, a razão prevaleça e que o governo não tome a decisão de seguir por esse caminho”, afirmou Ramsay. Para a AIE, a entidade deve ser considerada como um cartel e que não ajuda no desenvolvimento da produção do petróleo no mundo.
“A descoberta de enormes reservas não precisa significar a mudança para um caminho que não vai ajudar a ninguém, nem ao Brasil e nem ao mundo”, disse.AE