Jul
1
A Justiça de Goiás condenou nesta segunda-feira (30) os envolvidos no crime de tortura contra a estudante L., de 12 anos, que, ao longo de dois anos, sofreu as brutais agressões na casa onde vivia. A empresária Sílvia Calabresi Lima, responsável pela criação de L. e pelas sessões de espancamento, ficou com a pena mais pesada: 14 anos, 11 meses e 5 dias de prisão, em regime fechado. A doméstica Vanice Maria Morais, acusada de ajudar Sílvia na tortura, foi condenada a 7 anos e 11 dias de detenção, também em regime fechado.
O juiz José Carlos Duarte, da 7ª Vara Criminal, considerou que Vanice Maria, a princípio, cumpria ordens, mas depois começou a agredir a menina por conta própria, longe dos olhos da empresária. Também o marido de Sílvia, Marco Antônio Calabresi, foi considerado culpado por ter se omitido diante do sofrimento de L.. Antônio Calabresi recebeu a pena de 1 ano e 8 meses de reclusão, mas, por ser primário e ter bons antecedentes, foi convertida em prestação de serviços à comunidade. O filho de Sílvia, Thiago Calabresi Lima, que também havia sido denunciado pelo Ministério Público (MP) por omissão, foi absolvido.
L. Soube hoje mesmo da decisão da Justiça e considerou a pena leve. A menina afirmou achar que Sílvia ficará presa por pouco tempo e teme que ela a procure depois que sair da cadeia. A garota vive hoje num refúgio do Centro de Valorização da Mulher (Cevam), onde ficará até agosto, quando o Juizado da Infância e Juventude de Goiânia decidirá se a guarda ficará com o pai ou com a mãe (eles são separados). L. está no Cevam desde que foi encontrada pela polícia, depois de uma denúncia anônima, amarrada e amordaçada no apartamento de Sílvia, num bairro nobre da capital goiana.
No depoimento à Justiça, a menina afirmou que teve a língua cortada com alicate, os dedos golpeados com martelo e fechados nas frestas das portas e era obrigada a ficar vários dias sem comer. A estudante também disse que foi sufocada com saco plástico e ainda era obrigada a fazer todo o serviço da casa, sem receber nada por isso. Exames feitos pelo Instituto Médico-Legal (IML) apontaram lesões permanentes na vítima.Agência Estado
Mai
31
Repórteres do jornal impresso “O Dia” foram mantidos em cárcere privado e torturados numa favela da Zona Oeste do Rio. A denuncia é manchete da edição de domingo, que chegou hoje à tarde às bancas. De acordo com o relato publicado, os torturadores disseram que eram policiais.
Uma repórter, um fotógrafo e um motorista foram seqüestrados e mantidos em cárcere privado. Segundo o jornal, a equipe fazia uma reportagem na favela do Batan, em Realengo, Zona Oeste do Rio, sobre a ação das milícias, que são grupos paramilitares que dão suposta proteção aos moradores em troca de dinheiro e do domínio da região.
A reportagem revela ainda que os profissionais estavam há duas semanas na comunidade, vivendo em uma casa alugada. Eles foram capturados no dia 14 de maio. Segundo o jornal, o fotógrafo, o motorista e um morador foram rendidos por um grupo armado e encapuzados. De lá seguiram até a casa onde estava a repórter. Ela também foi capturada e os quatro foram levados para um cativeiro.
De acordo com o jornal, em sete horas e meia de terror, a equipe foi submetida a socos, pontapés, choques elétricos e sufocamento com saco plástico. Segundo a reportagem, os profissionais foram soltos sob a condição de não denunciarem os agressores.
Secretaria de Segurança foi notificada
A direção do jornal informou que a cúpula da Segurança do estado do Rio foi notificada e que a decisão de só divulgar os fatos mais de duas semanas depois foi tomada para não prejudicar as investigações.
“A sociedade e o estado devem reagir duramente a esse episódio, porque não é um crime comum. É um crime bárbaro e com um agravante de que é um atentado à liberdade de informação, logo, da democracia”, afirmou Aziz Filho, Secretário Geral do Sindicato Jornalistas do Rio de Janeiro.
De acordo com o jornal, os repórteres passam bem. Eles receberam atendimento médico e psicológico e estão em um lugar seguro.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) repudiou o crime contra os jornalistas. O secretário de Segurança afirmou que já tem informações sobre a ação da milícia na favela e que está investigando o caso, que considera intolerável. José Mariano Beltrame disse ainda que policiais que participam das milícias cometem crimes duas vezes.G1
Abr
28
A dona de casa Dionice Gualberto de Brito, viúva de 34 anos, foi presa em flagrante no sábado sob acusação de tortura e de manter em cárcere privado quatro filhos. A prisão ocorreu na cidade de Mambaí, com pouco mais de seis mil habitantes, a 575 quilômetros de Goiânia (GO). “Nunca vi nada igual”, disse o sargento da Polícia Militar José Carlos Ferreira, que efetuou a prisão após receber denúncia de Diego de Brito, de 22 anos, um dos filhos da viúva. “Minha mãe está batendo demais nas meninas”, teria dito o jovem.
Quando a policia chegou, Eva, de 12 anos, estava acorrentada junto à cama num dos quartos da casa. Laís, de 10 anos, mostrou as marcas das queimaduras nas costas com água fervente. “Ela estava cozinhando arroz e ficou brava porque brigava com minha irmã”, contou. As queimaduras são de 2º e 3º graus, segundo exames realizados no hospital de Mambaí e constatadas durante exame de corpo de delito realizado hoje no Instituto Médico Legal (IML) de Formosa (GO).
Além de Eva e Laís, outras duas menores estavam na casa e revelaram sinais de espancamento. Segundo a versão de Dionice, as meninas apanhavam “para não dar trabalho” e porque “brigavam tempo todo”. Dionice disse que acorrentava Eva porque a criança sofre de transtornos mentais e também tem por hábito, segundo ela, furtar pequenas coisas dos vizinhos. “Tinha que prender ela”, justificou Dionice.
Mar
29
O Ministério Público de Goiás ofereceu hoje denúncia contra cinco pessoas envolvidas na tortura da menina L., de 12 anos, que foi encontrada acorrentada e amordaçada em um apartamento de cobertura em um bairro nobre de Goiânia, com ferimentos feitos com alicate, martelo e ferro quente.
A empresária Sílvia Calabresi, que criava a menina e foi acusada das torturas, e a doméstica Vanice Maria Novais, que seria responsável pela execução de alguns dos castigos, foram denunciadas pelos crimes de tortura, cárcere privado e maus-tratos, e podem ser condenadas a até 31 anos de prisão.
O promotor Cássio Sousa Lima, da 46ª Promotoria Criminal, destacou nos autos a forma cruel com que a tortura foi praticada e o fato do crime ter começado quando a vítima era criança, com menos de 12 anos, deixando lesões permanentes.
Também foram denunciados o marido da empresária, o engenheiro Marco Antônio Calabresi, o filho do casal, Thiago Calabresi Lima, ambos por omissão, e a salgadeira Joana d’Arc da Silva, mãe da vítima, por ter entregado a filha a Sílvia mediante pagamento.
Segundo denúncias feitas à polícia, a mulher recebia eventualmente ajuda financeira da empresária a quem sua filha foi doada.
Na denúncia, o promotor expõe detalhes da barbárie. “O que aconteceu com a menina é muito pior do que foi retratado pela imprensa, é algo além da tortura”, diz.
Ele detalha que quando L. era acorrentada, ficava com as mãos para cima, apoiada na ponta dos pés. Ela era mantida amordaçada com esparadrapo e um pano dentro da boca, o que aumentava sua fadiga e impedia que gritasse por socorro.
A empresária e a doméstica ainda torturavam a menina, usando alicates para mutilar sua língua, colocando pimenta em sua boca, nariz e olhos, sufocando-a com sacola de plástico, esmagando seus dedos em portas, prática que, segundo ele, é utilizada em guerras.
Mar
26
A Justiça do Trabalho decretou hoje o bloqueio dos bens do casal Sílvia Calabresi Lima e Marco Antônio Calabresi, até o limite de R$ 120 mil.
A empresária Sílvia Calabresi é acusada de torturar ou maltratar seis meninas que viveram com sua família ao longo dos últimos 17 anos, entre elas L., uma garota de 12 anos que foi encontrada acorrentada pela polícia, com marcas de marteladas e ferimentos feitos com alicate. A medida cautelar inominada foi proposta pela procuradora do Trabalho Janilda Guimarães de Lima Collo e concedida pela juíza Maria Aparecida Prado Fleury Bariani, da 10ª Vara do Trabalho.
O bloqueio foi determinado como forma de garantir a preservação do patrimônio da família, para pagamento de indenização relativa a ação civil pública e ação reclamatória trabalhista em nome de L. A procuradora do Trabalho acredita que o valor da indenização pode chegar a R$ 3 milhões, mas o cálculo dependerá de levantamento dos bens do casal.
O Ministério Público do Trabalho afirma que o caso pode ser considerado de exploração de mão-de-obra em condições de escravidão, já que a menina era acorrentada e amordaçada, além de ser obrigada a fazer todo o serviço de casa sem remuneração e sob diversos tipos de ameaças e torturas.
Seis pessoas foram indiciadas hoje pela polícia, em razão das atrocidades cometidas contra a menina.
Sílvia foi indiciada por tortura, cárcere privado e redução à condição análoga de escravidão, com pena que pode chegar a 32 anos, e seu marido por omissão em caso de tortura, crime que pode resultar em 4 anos de prisão.
O filho do casal, Tiago Calabresi Lima, de 24 anos, e a mãe adotiva da empresária, Maria de Lourdes Bianchi Arantes, de 82 anos, também foram indiciados por omissão. Já a empregada da casa, Vanice Maria Novaes, foi acusada de tortura e cárcere privado, e a mãe biológica de L., Joana d’Arc da Silva, pode pegar 8 anos por omissão e entrega ilegal de criança.
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Mar
26
Seis seguranças suspeitos de torturar um vendedor ambulante em Caruaru (PE) foram presos. A sessão de espancamento foi filmada por um celular.
O vendedor, de 26 anos, teria sido confundido com um ladrão. Ele foi algemado e entrou em um rio poluído.
Os seguranças ainda são suspeitos de roubar o celular e a carteira do vendedor. Eles foram presos e podem responder por formação de quadrilha, tortura e roubo.
Mar
25
A família da empresária Silvia Calabresi Lima é a principal envolvida por ação ou omissão no caso de tortura e cárcere privado da menor L.R.S., de 12 anos, descoberto na semana passada.
A denúncia da mãe da empresária, do marido e do filho será feita amanhã à Justiça de Goiás pela delegada de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA), Adriana Accorsi, de Goiânia, cidade onde o crime ocorreu. A menina sofreu maus-tratos e foi torturada nos últimos dois anos na casa de Silvia Calabresi.
A delegada concluiu após dez dias de investigações que o silêncio e a omissão dos membros da família Calabresi Lima foram os fatores fundamentais para a continuidade das violações contra a adolescente.
O relatório com mais de 100 páginas descreve a maneira como L.R.S. era torturada, os locais, horários e instrumentos empregados para tortura, que contou com ajuda da empregada doméstica Vanice Maria Novaes, de 23 anos. A empresária e a empregada estão presas na Casa de Prisão Provisória (CPP), em Aparecida de Goiânia.
“A tortura foi sistematicamente empregada contra a menor”, disse a delegada, que relacionou a mãe de Silvia Calabresi, Maria de Lourdes Biachi Arantes, de 82 anos, o marido Marco Antonio Calabresi Lima, de 42 anos, e o filho Tiago Calabresi Lima, de 24 anos.
A mãe e o filho da empresária não se apresentaram hoje à policia para prestar depoimento. A mãe de L.R.S., Joana Darc da Silva, de 40 anos, que “doou” a filha para Silvia, também está sendo denunciada por omissão e entrega ilegal de criança.
Mar
24
Elivânia Silva Ferreira, de 23 anos, acusou hoje a empresária Sílvia Calabresi Lima, em depoimento à Delegacia de Polícia (DP) de Iporá (GO), de tê-la agredido “todos os dias”, quando trabalhava na casa da acusada, em 2002. Ainda com cicatrizes, Elivânia afirmou que sofreu muito na mão de Sílvia.
A ex-empregada mora na cidade goiana e já fez exame de corpo de delito. “Apanhava todo dia, sofri muito na mão dela”, disse. “Fugi cinco vezes, porém, como era órfã, fui devolvida para a Sílvia nas cinco vezes”, relembra. “Aí, é que eu apanhava mais.” Elivânia afirmou que foi à delegacia quando soube que a ex-patroa estava presa. “Ela é muito vingativa”, disse.
A mãe adotiva de Sílvia, Maria de Lourdes, e o filho mais velho da empresária, Tiago, poderão ter as prisões decretadas amanhã, se se recusarem a comparecer à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) para depor como testemunhas no caso de tortura da menina L.R.S., de 12 anos. Lourdes e Tiago foram intimados pela delegada Adriana Accorsi, mas não apareceram hoje à delegacia. Como o prazo de encerramento do inquérito policial expira na quarta-feira, Adriana avisou que pedirá a prisão temporária à Justiça. “Eles sabiam de tudo e, mesmo assim, jamais pegaram um telefone para ligar e denunciar”, justificou.
A delegada afirmou acreditar que Sílvia, presa na semana passada em flagrante por tortura e cárcere privado de L.R.S., é uma “criminosa em série“, que contou com o silêncio da família para perpetuar os crimes.
“A família nada fez para acabar com o ritual de torturas”, disse Adriana, que pretende indiciar a mãe adotiva e o filho mais velho da empresária, estudante de engenharia civil. “Mesmo com ela (Maria de Lourdes) tendo 82 anos (inimputável pela lei), a questão será com a Justiça”, avaliou.
Um casal, vizinho de Sílvia, que costumava visitar a família, se disse surpreendido pela descoberta dos casos de tortura. Outras duas meninas, que teriam sido vítimas de Sílvia, prestaram depoimento hoje na DPCA. A., de 10 anos, e C., de 16, moradoras em Adelândia, a 100 quilômetros de Goiânia, confirmaram maus-tratos diários: “Ela (Sílvia) me batia com a sandália, no rosto, na boca e feriu minha orelha”, disse A. C. disse que a violência diária foi “inesquecível”. “No começo, pensei que era uma louca, depois, percebi que as pancadas não cessariam; fugi de lá”, disse.
Além de um quadro agudo de desnutrição, marcas e cicatrizes permanentes na língua, o resultado preliminar do exame de corpo delito de L.R.S. mostrou que a empresária submeteu a menor a sofrimentos variados e intensos com ferro de passar roupa, martelo e alicates.
Mar
24
A Polícia Civil de Iporá (216 km da Capital) inicia investigações para encontrar mais uma garota torturada pela empresária Sílvia Calabresi, 42, conforme informou na noite de ontem o delegado da cidade, Ronaldo Pinto Leite.
De acordo com informações recebidas sexta-feira, 21, outra testemunha estaria disposta a relatar à imprensa outros casos de tortura que viu a empresária cometer em 2002, época que Sílvia não morava no Setor Marista.
Com receio de se identificar, a testemunha está com medo de falar o que sabe, já que conhece a capacidade que Sílvia tem de ameaçar e prejudicar pessoas.
Essa testemunha poderia ajudar a encontrar a vítima V., de Iporá. Já consta no inquérito da polícia que ela é a única, das seis vítimas identificadas e ouvidas pela polícia, que ainda não foi encontrada. Sabe-se apenas que ela foi submetida a maus-tratos, trabalho escravo e cárcere privado pela empresária. V. também seria a “primeira filha” de criação de Sílvia.
Além de duas passagens pela polícia goiana, uma por maus-tratos contra uma menina de 11 anos e outra por ameaça supostamente contra um adulto em 2004, a empresária terá que enfrentar outras denúncias que apareceram na semana passada. C., de 13 anos, e A. de 10 anos, prestarão depoimento hoje contra a empresária. As duas, que são de Adelândia, viveram com a empresária no ano de 2005 e sofreram atos de violência. Na época, C. fugiu da casa de Sílvia com vários hematomas, e A., que tinha 7 anos, morou ao lado da casa do tio da acusada.
Visitas
Ontem foi dia de visitação na Casa de Prisão Provisória (CPP) em Aparecida de Goiânia, mas Sílvia Calabresi Lima, 42, e Vanice Maria Morais, 23, não puderam receber ninguém. De acordo com o diretor-geral da CPP, capitão Sérgio Marques Duarte, os advogados preferiram deixá-las a sós para evitar qualquer manifestação por parte de outras detentas. Ainda sem previsão, Sílvia e Vanice terão outro dia com horários alternativos para receberem visitas.
Desde quando chegou na manhã da última quarta-feira, 18, Sílvia Calabresi e Vanice estão separadas em celas diferentes, mas as duas já receberam manifestações e ameaças de outras detentas que ficaram revoltadas com o crime de tortura contra Lucélia, 12.
Os advogados das duas acusadas solicitaram à direção do presídio mais proteção por temerem qualquer represália dentro da CPP contra Sílvia e Vanice.
Gustavo, 24, e Tiago Calabresi, 21, filhos biológicos de Sílvia e Marco Antônio, também podem ser indiciados pelo crime de omissão, que pode chegar até quatro anos de prisão. Eles seriam ouvidos hoje, na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), pela delegada Adriana Accorsi, mas segundo o advogado da família Calabresi, ele não tinha sido informado até então sobre os depoimentos. A mãe adotiva da empresária, Maria, 82, também prestará depoimento hoje na DPCA. O inquérito precisa ser concluído até quarta-feira, 26.Diário da Manhã
Mar
19
Lorena Coelho Reis, de 20 anos, denunciou ontem à Polícia Civil de Goiás que foi torturada pela empresária Sílvia Calabrese Lima, de 42 anos, presa anteontem, em Goiânia, sob acusação de maus-tratos contra a menina L., de 12 anos.
Ontem à tarde, no 5º Distrito Policial de Aparecida de Goiânia, cidade vizinha a Goiânia, Lorena relatou à delegada Carolina Paim que morou na casa da empresária quando tinha 14 anos. Durante um ano, disse, viveu dias de violência que só terminaram na festa de seus 15 anos, em 2003. “Aproveitei que todos festejavam e fugi”, afirmou Lorena, em depoimento.
De acordo com a polícia, Silvia já tem ficha criminal por três casos de maus-tratos, mas não foram fornecidos detalhes.
Segundo o diretor do Instituto Médico-Legal (IML), o patologista Ademar Cândido de Souza, o exame de corpo de delito de L. constatou lesões em várias partes do corpo. Todas provocadas por material perfuro-contundente e térmicos, o que seria a causa, além dos ferimentos, de queimaduras na língua, embaixo das unhas das mãos e nas nádegas.
Quando foi libertada pela polícia, a menina L. estava acorrentada pelos pés e pelas mãos num canto da área de serviço, ao lado da escada de acesso à caixa-d’água do edifício. A empresária mora com a família em uma cobertura de mais de 200 metros quadrados. O imóvel fica no bairro Setor Marista, um dos locais que têm o metro quadrado mais caro da cidade.
A empresária e sua empregada doméstica, Vanice Maria Novais, de 23, também acusada de torturar L., foram transferidas ontem para o Centro de Prisão Provisória (CPP). Quando foram presas, as duas discutiram: “Ela mandou bater, passar pimenta na boca da menina, prender o dedo dela na porta”, disse Vanice. “É tudo mentira, você fez tudo isso e agora quer me incriminar”, afirmou Sílvia.
O caso chocou a cidade e até o advogado de Sílvia ameaça abandonar o caso. “Trata-se de uma causa difícil de ser patrocinada. Se os fatos forem verdadeiros, dificilmente continuarei no caso”, afirmou o advogado Darlan Alves Ferreira. Ele explicou que Sílvia “avocou o direito de falar só em juízo”.
Sílvia, que, segundo a polícia, havia sido menina de rua, vivia no apartamento com o marido, o engenheiro civil Marco Antônio Calabrese Lima, sua mãe adotiva - que não foi localizada - e três filhos do casal: dois deles estudantes de Engenharia Civil e um menino de 6 anos.
O marido de Sílvia deve prestar depoimento hoje. A polícia quer saber até que ponto ele sabia das sessões de tortura que aconteciam dentro de sua casa. O engenheiro já declarou que desconhecia o crime. “Ele está transtornado, disse que não sabia dos fatos”, afirmou o advogado Darlan. “É aquela história do marido traído, que saiu para o futebol. Ele saía para o trabalho às 6h30 e voltava à noite”, afirmou. A delegada Adriana Accorsi disse que, se ele não aparecer, vai pedir sua prisão preventiva na condição de omisso e conivente à situação criada pela mulher.
Joana Darc da Silva, mãe biológica de L., disse que esteve “muitas vezes no apartamento”. “Mas nunca vi nada diferente (anormal) na menina”, declarou ontem, após depoimento.
Joana Darc também revelou que a adoção foi feita “de boca”, sem “papel passado” e que desejava o crescimento físico e intelectual da menina. Depois da adoção, ela disse não ter tido nenhum contato com a nova família da garota. Segundo ela, foi assim com os demais cinco filhos. “Só um vive comigo.” A polícia ainda não decidiu se ela será indiciada por ter entregue a menina sem passar pelo processo de adoção.Estado