Set
24
De acordo com o ministro de Setores Estratégicos, Derlis Palacios, a medida significa a expulsão da empresa do país.
“Sim, é uma expulsão”, afirmou Palácios, ao ser questionado sobre o alcance da medida do presidente equatoriano.
Correa ordenou a militarização imediata das obras que estão sob responsabilidade da Odebrecht, entre elas uma outra hidrelétrica, uma rodovia e um aeroporto.
O governo equatoriano exige o pagamento de uma indenização por parte da empresa devido a falhas no funcionamento e da posterior paralisação da central hidrelétrica San Francisco, construída pela empreiteira.
“Ordena-se a mobilização nacional, econômica e militar das Forças Armadas para a custódia dos bens e instalações da Central Hidrelétrica San Francisco” e das outras obras a cargo da construtora, diz o decreto presidencial.
O documento ainda ordena o “confisco de todos os bens, móveis e imóveis (da construtora) com a finalidade de empregá-los para superar a emergência, para o qual se encarrega o Comando Conjunto das Forças Armadas”.
Correa também pede “a suspensão dos direitos constitucionais” de quatro funcionários da empresa.
Apagões
De acordo com o governo, a San Francisco apresentou falhas e deixou de funcionar um ano depois de serem concluídas as obras.
A hidrelétrica é a segunda maior do país e sua paralisação estaria colocando em risco o abastecimento de energia no Equador.
Por meio do decreto, Correa declarou “emergência nacional” para prevenir uma diminuição dos serviços de energia e para “evitar um estado de comoção interna diante da possibilidade de apagões de luz generalizados no território nacional”, diz o texto.
A hidrelétrica está fechada desde 6 de junho, quando técnicos apontaram erros estruturais na obra.
“Por aqui”
Há uma semana, o presidente equatoriano chegou a ameaçar expulsar a empresa se não fosse paga a indenização exigida pelo Estado e disse que a empreiteira está sendo investigada por suposta corrupção.
Correa afirmou que algumas obras da construtora foram realizadas “com um terço de capacidade e o triplo de custo”.
“Estou ‘por aqui’ com a Odebrecht, quanto mais cavo mais lama encontro (…) Estes senhores (da construtora) foram corruptos e corruptores, compraram funcionários do Estado. O que está sendo feito é um assalto ao país”, afirmou.
Foram gastos na construção da San Francisco US$ 338 milhões, com uma capacidade estimada de geração de 12% do total da energia elétrica consumida no país.
Proposta
Por meio de uma nota oficial divulgada na noite desta terça-feira, a construtora Odebrecht disse ter uma proposta “altamente positiva para o governo equatoriano” onde resguarda as possíveis perdas da Hidropastaza, proprietária da central hidrelétrica.
O comunicado reitera ainda que, até o momento, “os trabalhos prosseguem dentro do cronograma estabelecido”.
A empreiteira afirma estar disposta a pagar uma garantia de US$ 43 milhões exigida pelo Estado e contratar “uma auditoria internacional independente a fim de determinar as responsabilidades das partes envolvidas no projeto”.
A construtora disse estar disposta a pagar os trabalhos imediatos de recuperação da central hidrelétrica, “independente do resultado da auditoria” e “estender a garantia das obra”.
“O Consórcio continua comprometido a retomar a operação da Central dentro da normalidade, o mais breve possível”, diz a nota.
Segundo a assessoria de imprensa da empresa, 30 brasileiros participam das obras da empreiteira no Equador, “mas não há clima de violência”.
O Itamaraty informou que está avaliando o caso e que “oportunamente se pronunciará”.BBC
Set
18
O governo brasileiro conseguiu ganhar tempo para contornar as pressões do Paraguai pela mudança no Tratado de Itaipu. Ao final de um encontro de trabalho de 2h30 de duração no Palácio do Planalto, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo concordaram em criar uma “mesa de negociação”, dentro de dez dias, para tratar das seis demandas apresentadas pelo novo governo paraguaio.
Todas as queixas versam sobre o aumento da receita do Paraguai com a venda do excedente de energia elétrica para o Brasil, algo que o Palácio do Planalto pretende atender sem recair em aumento nas tarifas no mercado doméstico. Descrita como “fraternal”, entretanto, a reunião cimentou ainda mais as posições divergentes entre os dois lados.
O Paraguai exige do Brasil um preço justo pela energia, a nomeação para os cargos de diretor-financeiro e administrativo de Itaipu e a transferência da dívida da usina com o governo brasileiro para o mercado. O governo brasileiro acenou com a possibilidade de antecipar a compra de energia elétrica do Paraguai do período pós- 2023, quando terminará a vigência do tratado, e com o alongamento da dívida de Itaipu com o Tesouro Nacional e a Eletrobrás, que elevaria o pagamento do Brasil pela energia comprada do Paraguai.
“Os senhores conhecem as posições dos presidentes e dos governos dos dois países. Não houve mudança nessas posições”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no fim do encontro. “Vamos ver o que pode resultar da mesa de negociações. Podem surgir idéias criativas e boas soluções que superem uma posição ideológica”, completou.AE
Set
15
O presidente equatoriano, Rafael Correa, atacou a construtora brasileira Oderbrecht, acusada de construir uma usina hidroelétrica com danos estruturais, e disse que se a obra não for reparada e a empresa não pagar o que o Estado lhe exige, a expulsará do país.
“Se não prestarem contas que vão embora”, destacou Correa em entrevista na televisão, na qual lembrou que uma usina hidroelétrica recentemente inaugurada teve que parar sua geração ao serem detectados erros estruturais sérios.
O Estado equatoriano exige da firma brasileira um milionário pagamento pelas perdas geradas pela paralisação da central elétrica, assim como também que repare os danos o mais rápido possível.
“Estou ‘por aqui’ (fazendo sinal na cabeça) com a Oderbrecht, quanto mais cavo mais lama encontro”, ressaltou Correa. “Estes senhores (da empresa brasileira) foram corruptos e corruptores; compraram funcionários do Estado. O que está sendo feito é um assalto ao país”, assegurou.
Segundo Correa, a Oderbrecht, que tem um longo histórico de construções no país, é investigada no Equador por suposta corrupção, pois assegurou que algumas obras eram concluídas com “um terço de capacidade e o triplo de custo”.EFE
Jul
28
A Petrobras inaugura amanhã sua primeira usina de biodiesel. A unidade, instalada em Candeias (BA), na Região Metropolitana de Salvador, custou R$ 101 milhões e terá capacidade de produção de 57 milhões de litros do combustível por ano. A fábrica é a primeira de três que a estatal pretende inaugurar até o fim do ano. As unidades de Quixadá (CE) e de Montes Claros (MG) devem começar a operar já em agosto. “Temos uma meta ousada de produção de biodiesel”, afirma o presidente da recém-criada Petrobras Biocombustível - cuja diretoria será anunciada amanhã - Alan Kardec. “Almejamos chegar a 2012 com a produção anual de 940 milhões de litros”. As três primeiras usinas devem produzir, por ano, 170 milhões de litros de biodiesel.
A Petrobras Biocombustível terá sede no Rio e foi criada, de acordo com Kardec, para unificar os trabalhos que a estatal realiza na área. “A empresa nasce com dois apelos fortíssimos: o ambiental, na medida em que colabora com a redução dos gases que provocam efeito estufa, e o empresarial, baseado no aumento da demanda mundial por biocombustíveis”, disse.
Para a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria das Graças Foster, a produção de biodiesel tem também a preocupação de criar empregos e renda no campo. “A fábrica deve ter 58% de sua matéria-prima vinda de plantações de agricultura familiar”, afirma. Segundo a empresa, 28.922 agricultores de 264 municípios de Bahia e Sergipe estão plantando girassol e mamona para a unidade. A Petrobras forneceu 205,2 toneladas de sementes para garantir a produção.
“As primeiras remessas de oleaginosas vindas da agricultura familiar devem chegar entre outubro e novembro”, afirma Maria das Graças. “Até lá, vamos usar matérias-primas da agricultura intensiva. Já compramos 6 mil toneladas de óleos vegetais para o início da produção.”
Gordura Animal e Resíduos
Para não depender somente da produção de oleaginosas, porém, a usina de Candeias foi projetada para operar também com gorduras animais e com resíduos de fritura de alimentos. “Isso é importante para minimizar o efeito perverso da volatilidade das cotações das matérias-primas, como a soja, no preço do biodiesel”, diz a diretora. “Em tecnologia, não existe nenhuma planta como esta de Candeias no País. A usina vai produzir biodiesel tão puro quanto um bom uísque escocês.”
Entre as inovações tecnológicas apontadas por Maria das Graças está o sistema de automação, que monitora, em tempo real, 1,2 mil variáveis do processo de fabricação do biodiesel, da chegada da matéria-prima à saída da produção da unidade. “A curva de aprendizado sobre a produção de biodiesel ainda está no início”, afirma. “Quanto mais estudarmos e pesquisarmos sobre ela, mais desenvolveremos novas tecnologias, que vão poder fazer diminuir os preços do combustível, que ainda é mais caro que o diesel de petróleo.”AE
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Jun
16
Ribeirão Preto, SP - Após cinco quedas seguidas, o preço médio do álcool hidratado subiu 0,99% nas usinas paulistas na última semana e fechou cotado, em média, a R$ 0,6390 o litro, ante os R$ 0,6327 da semana anterior, segundo dados apurados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
Já o litro do anidro, misturado em 25% à gasolina, recuou pela quarta semana seguida e foi negociado, em média, a R$ 0,7672, queda de 2,59% sobre os R$ 0,7876 da última semana, de acordo com a entidade de pesquisa econômica da Universidade de São Paulo (USP). Os preços dos dois combustíveis são calculados sem impostos.
Segundo a equipe do Cepea/Esalq, as usinas reduziram a oferta do álcool hidratado durante a semana na tentativa de pressionar o preço e obtiveram sucesso. Já no caso do anidro, a oferta maior e a demanda menor resultaram na queda do preço.AE